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sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Semana 25 + Resultado da semana 24 + Pontuação e Regra Especial

Semana 25 do MONOBA

Após seis meses de trabalho duro e muitas aventuras, o MONOBA finamente lança a sua última semana de rodada de "novels" desta edição. Se você ainda não leu, dá tempo ainda de desfrutar das histórias e votar em seu escritor favorito! Este é um momento decisivo, então cada voto é importante. A votação vai até dia 17 de setembro, quarta-feira. E a revelação do grande vencedor ocorrerá na sexta-feira, dia 19. Boa leitura e divirta-se!


Neocene II - nanoships: Capítulo 08: A Simetria Escalar

Pepper & Donuts: Capítulo 22 - Donuts 22: um novo começo

Filho das Profundezas: Parte XXV - Abismo

Wild Hunt: Cap 24: Wild Hunt

Contos do Amante da Morte: Capítulo 21: Tudo ou Nada.


Resultado da semana 24

Totalizando 7 votos, apresentamos os vencedores da penúltima semana do MONOBA:

Em primeiro lugar, com 4 votos, a história "Filho das Profundezas", de Marco Fischer.
Em segundo lugar, com 1 voto, a história "Wild Hunt", de Marlon Kalango (que disputou colocação com "Contos do Amante da Morte" e "Pepper & Donuts" em uma votação interna de desempate).
Em terceiro lugar, com 1 voto, a história "Contos do Amante da Morte", de Mari-Youko-Sama (que disputou colocação com "Wild Hunt" e "Pepper & Donuts" em uma votação interna de desempate).

Seguidos de "Pepper & Donuts", de Adriana Yumi  (1 voto) e "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm (sem voto). "Neocene II - nanoships", de Moonlance está a três semanas consecutivas sem participar do MONOBA, então receberá dois ponto negativo (-2).

Parabéns aos vencedores da semana!
Confira mais detalhes em "Ranking".


Pontuação e Regra Especial neste mês de finalização do MONOBA

Assim como uma história pode ter uma grande reviravolta, a nossa batalha também pode ter! O projeto exigiu bastante empenho dos escritores até agora e nos momentos finais exigirá ainda mais. Então a pontuação também acompanhará este empenho.

A pontuação seguirá às seguintes determinações:

Semana 21 - terá a pontuação normal (9 pontos para o 1º lugar, 6 para o 2º, 3 para o 3º e 1 ponto para os demais).

Semana 22 - 12 / 9 / 6 - demais: 2

Semana 23 - 15 / 12 / 9 - demais: 3

Semana 24 - 18 / 15 / 12 - demais: 4

Semana 25 - 25 / 20 / 15 - demais: 5

A pontuação da semana 25 foi revelada! Lembrando que também temos uma pontuação secreta e simbólica de 5 pontos. O escritor premiado será revelado apenas no resultado final do projeto. O bônus de vencedor do mês irá para 9 / 6 / 3 dos anteriores 3 / 2 / 1. Caso haja algum empate entre as três primeiras colocações no ranking final, ocorrerá uma votação pública na quinta-feira, 18 de setembro, para desempate.

Como uma regra especial, na última semana (semana 25), os escritores terão o dobro de palavras para finalizar com chave de ouro suas histórias. De mínimo de 400 e máximo de 500, passará a ter mínimo de 800 e máximo de 1000 palavras neste último capítulo.

Boa sorte para todos os escritores nesta última semana!

Neocene II – nanoships [Semana 25]

Autor: Moonlance
Capítulo 08: A Simetria Escalar

A equipe de Marinas Espaciais irrompe no interior da carcaça envelopada pelos campos energéticos programados no hangar de Nova. Os visitantes acessaram o primeiro hall e corredores deteriorados da espaço-nave fóssil. As leituras eletromagnéticas mapeavam em diferentes escalas a real estrutura do grande corpo metálico. No entanto, observou-se 2 anomalias localizadas, as quais não puderam ser reconstituídas ciberneticamente por Miho, tampouco por Sasha na Neocene II. Isso intrigava os especialistas, motivando a quarentena desses setores, especialmente o maior deles, na região central da nave. Contudo, isso não impedia a análise Trobotz e o isolamento progressivo das áreas normais pela equipe de exploração: uma vez compartimentado, cada setor era escaneado e projetado no registro museológico de Miho; e matéria e energia fósseis – complexificadas pela entropia da ação do tempo – eram processadas em dados virtuais bem como transformadas em renovada tecnologia in situ, compatível com os usos da Confederação Intra-Galáctica. A absorção da nave-fóssil, tinha iciado...!

O processo integral demoraria horas, mas já era possível, do hanger de Nova, observar a perda de massa sofrida pela nave-fóssil; muito de seu interior acabaca por ser exposto pela absorção cibernética. Em dado momento, a equipe de Marinas Espaciais atingia a sala de controle; embora não tenha sido possível extrair muitas informações sobre o destino da paleo-tripulação, captou-se a breve emissão de um pulso elétrico em direção a um dos setores anômalos – o menor deles, o qual ainda não tinha sido aproximado.

– O que foi isso? – indagou Jessika Nova.

– Um sinal de corrente elétrica. – Respondeu Cosmos, que estava ao lado – A probabilidade de que nem tudo é inoperante numa nave-fóssil é astronômica, mesmo na escala temporal de sua degradação no espaço.

Logo descobriu-se que o setor anômalo era uma sala totalmente arruinada, recoberta de escombros. Jessika subitamente começou a sentir tontura, e Kirsken foi a primeira a apurar. Não obtendo sucesso, Polly que estava na Neocene II lançou-se à cidade-asteroide para buscar sua antiga colega.

– Vai entrar sozinha? – Perguntou Lucy, que a aguardava no hangar.

– Como...? V-você não vem junto......? – Atrapalhou-se Polly; e logo percebeu, pelo silêncio astucioso da estruturalista, que ela estava sendo testada...!

Para alcançar as garotas e resgatar Jessika, Polly deveria percorrer solitária uma grande distância, atravessando uma gama de corredores lúgubres porém já isolados, embora ainda não iniciados para absorção. Acabaria contudo passando adjacente ao grande hall central – igualmente isolado, e adicionalmente posto em quarentena –, mas em cuja proximidade ocorria a maior anomalia de forças. A equipe de Marinas Especiais não iria ao encontro de Polly, pois já monitoravam uma área de risco; não obstante, enviaram-lhe o Trobotz Nr'aop.

– Não se preocupe, você vai ficar bem. Mas por favor venha posteriormente à Neocene II para eu examiná-la melhor! Ok? – Solicitou Kirsken a Jessika, ajudando-a a recompôr-se. De repente, surge da porta uma garota esguia e esbaforida, de pele branca como um fantasma, banlançando longa cauda de cavalo às costa, e seguida por Nr'aop, que se esforçava para acompanhá-la. As colegas, especialmente a risonha Capitã Tess-Stella, acabaram achando bastante graça da situação! especialmente depois que o grande felino Patak se aproximou docilmente de Polly, ainda aflita, e a abraçou lambendo-lhe a face.

A missão para as Marinas Espaciais estava praticamente concluída, mas quando estavam prestes a rumar para os setores remanescentes, Tess-Stella começou a chutar e a remover a ampla carga de escombros de materiais do chão. A criatura Patak, talvez compreendendo instintivamente, veio imediatamente lhe prestar auxílio, quando Kirsken indagou:

– Tess...? Você achou alguma coisa aí...?

– Eu quero ver o que tem aqui em baixo! – respondeu a Capitã.

– CÂMBIO!! Tonta! - Esbravejou de repente sua irmã Sasha, a partir da Neocene II – Deixe isso para a Absorção!! Não vá se contaminar ou liberar mais radiação! Seu Campo Pxy já está a 25%! CÂMBIO!

– NÃO!!! - Retrucou Tess-Stella determinanda – Não é pra absorver qualquer coisa!!

Em poucos instantes, o Trobotz Nr'aop registrou novas informações a partir dos escombros: tinha sido descoberta uma câmara de hibernação soterrada de uma tecnologia primitiva – isto é, para os padrões dos Pxychomotakkae cziplakton. Havia um ser humanoide de feições semelhantes, de aspecto estável em seu interior...! A intriga e a euforia tornaram-se generalizadas em todas as equipes. O Trobotz escavou e retirou cuidadosamente o contêiner, que foi levado até o hangar. A missão de exploração e absorção foi somente concluída cerca de cinco horas depois, e descobriu-se que as anomalias da nave-fóssil tinham sido provocadas pela presença de um antigo gerador adensado e neutralizado.

No laboratório da Neocene II, Kirsken analisava o corpo resgatado, assistida por Cosmos e Lucy. Quando Polly e as outras entraram em cena perguntando sobre novas revelações – já sabiam que o ser estava vivo – a biologista disse:

– Trata-se de uma Pxychomotakkae czitopos. nosso ancestral teórico mais próximo! A este espécimen, além de ocorrer-lhe alguns genes diferentes dos nossos como esperado, sua carga genética apresenta uma macro-estrutura auxiliar periférica, que desconhecemos totalmente!

–  Uhm...? Seria uma simetria escalar? Hipotetiza Lucy.

– Sim! – disse Kirsken sem tentar esconder o entusiasmo – Acho que há pelo menos 2 padrões fractais; acredito que a macro-estrutura pode ter se perdido ao longo de nossa evolução taxonômica...! Desconheço os propósitos... Quem sabe Miho pudesse...

– Com sua permissão: – disse Cosmos, com sua voz calma e tímida – sabendo-se que essa relativa, macro-estrutura genética anexa, ainda não decodificada, há de ser a responsável pelas propriedades extraordinárias do Campo Pxy de nossos ancestrais, assim, fica claro por que Jessika, com seu raro campo, sofreu um choque de intersecção naquela situação anterior.

Silenciaram por uns instantes. De repente, havia um universo aind amaior por descobrir, e estavam ansiosas para acompanhar o futuro despertar daquele ser, tido como extinto a dezenas de milhares de anos! Possivelmente, o único e último espécimen Pxychomotakkae czitopos...! Então, Sasha oferece-lhes um brinde de grafteína, Polly comenta alguns dos novos planos que pensou para a Neocene II, Tess-Stella derruba o Patak no chão como brincadeira, e Miho convida a todos para fruirem junto a sua esfera cibernética no Planetarium, as 357 hipóteses de reconstrução do mundo perdido daquela misteriosa civilização perdida.

FIM

Pepper & Donuts [Semana 25]

Autora: Adriana Yumi
Capítulo 22 - Donuts 22: um novo começo

Misaki estava com o coração acelerado enquanto corria pra acompanhar Nathan, que não largava sua mão. O rapaz não falou nada até chegarem num pátio que, naquele momento, estava vazio.

- O que deu em você? Por que saiu correndo daquele jeito? E ainda mais, que negócio é esse de querer que eu seja sua namorada e...
- Mas você não fica quieta mesmo, hein?
- Qualquer pessoa normal faria essas mesmas perguntas!!
- Okay, já vou responder. Só espero que você não fique brava.
- Mas ficar brava com o quê?

Nathan se aproximou rapidamente de Misaki e deu-lhe um beijo em seus lábios. A garota, que não esperava por tal ação, espantou-se por um momento, mas a medida que o beijo se prolongava, ela se acalmava. Era uma sensação estranha mas ao mesmo tempo, reconfortante. Aquele rapaz que implicava com ela e com sua fome por bolachas, naquele momento conseguia ser delicado e gentil.

- Isso responde a sua pergunta?
- Claro que não, seu idiota! O que eu quero saber é porque você veio com esse negócio de ser sua namorada, assim do nada.
- Ué, não consegui esclarecer pra você? Aff, mas você é uma tonta mesmo. Escuta aqui Misaki. Eu realmente gosto de você. Entendeu agora?
- Mas a gente mal se conhece...
- Digamos que eu meio que...me apaixonei a primeira vista por você. Depois com o contato na escola, percebi que era alguém especial. Sei que o pedido foi meio de repente, mas se você deixar...queria poder te conhecer melhor. Fazer parte da sua vida.
- Hum...acho que podemos tentar. Pra falar a verdade, foi a primeira vez que alguém falou aquilo pra mim.
- Então temos um acordo amigável?
- Acho que sim.

Nathan sorri e dá um beijo na bochecha de Misaki, que fica corada. A garota tenta esconder o desconforto, mas o rapaz percebe e faz um comentário infeliz.

- Você parece uma maçã de tão vermelha que ficou.
- Seu idiota, vou te matar!!
- Misaki! Nathan! Finalmente achei vocês!

Akihiko apareceu e foi em direção aos meninos com uma expressão nada boa no rosto. Misaki gelou.
- Vocês dois, pra minha sala. AGORA.

Na sala dos professores, Akihiko começou sua tempestade de sermões.

- Muito bem, posso saber o que vocês dois estavam fazendo lá fora quando deviam ter voltado para a aula? Quando perguntei pro Abel, ele não soube responder direito, aí vou procurá-los e encontro os dois no pátio.
- Er, é uma situação muito complicada, tio, digo...professor.
- Sim, tudo é muito complicado com você.
- Professor, eu posso explicar. A culpa foi minha.

Nathan se adiantou e explicou todo o incidente pra Akihiko, incluindo que fora ele quem puxou Misaki para o pátio e sobre sua confissão amorosa para a garota. À medida que o professor ouvia a explicação de Nathan, Misaki ficava mais e mais vermelha.

- Aiai, tudo bem que vocês são jovens, mas dá pra resolver esses problemas amorosos fora da escola, não? Vou ficar de olho em vocês dois a partir de hoje. Se eu pegá-los fora por causa de namorico, não será comigo que vão se entender, e sim com o Senhor Abreu. Regras da escola, vocês sabem disso.
- Okay... - dizem os dois ao mesmo tempo.
- E Misaki...boa sorte pra contar isso pro seu pai - Akihiko dá um sorriso maroto.
- Hã? M-mas não é como se eu tivesse aceitado namorar esse pastel agora, só vamos tentar nos conhecer melhor!
- Haha, estou brincando. Mas aproveite a companhia do Nathan. Sei que tem tido muita pressão do seu pai por causa do vestibular, então é bom ter uma pessoa pra contar nessas horas.
- Ok, obrigada tio!
- Muito bem, agora que tudo se resolveu...vamos voltar pra aula?

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Uma semana depois.

- Prima! Me espere!
- Vamos logo, Aiko! Senão vamos nos atrasar pra exposição da Kelly!

Misaki e Aiko estavam indo pra exposição de jovens pintores, no prédio do colégio. Era uma iniciativa que a escola preparava todo ano pra prestigiar os alunos que gostavam de desenhar, pintar, fazer esculturas, ou tocar algum instrumento. Kelly participava desde o primeiro ano expondo suas pinturas e Misaki sempre ia ao evento ver os trabalhos da amiga.

- Estou bem curiosa pra ver a exposição!! A Kelly mostrou as amostras do trabalho dela, são lindas!
 Er...elas são bem profundas mesmo.

Misaki parou um tempo pra pensar em como classificar as obras de arte de sua amiga, que sempre tinham um quê de sombrio. No meio do caminho para o metrô, as garotas encontraram Nathan.

- Ah. Vocês demoraram.
- Desculpe, a Aiko ficou toda enrolada pra escolher as roupas dela e atrasamos um pouco.
- Hey, heeey! Você também demorou quase meia hora pra escolher a roupa, prima. Principalmente porque você disse que queria surpreender o Nathan e-

Como se fosse por impulso, Misaki tampou a boca de Aiko bem forte pra que a prima não falasse mais nada.

- Não queria surpreender ninguém!! V-vamos logo pra exposição antes que a Kelly comece a encher meu celular de mensagens!
- Humm, é verdade. Você está diferente, Miki. Parece mais...feminina - comenta Nathan.
- Você fala como se eu nunca fosse feminina...viu, Aiko? É por isso que eu falo que não adianta perder tempo com esse idiota e-

Nathan segura nos ombros de Misaki e lhe dá um beijo.
- Sua idiota. Você ficou muito bonita assim.
- O-obrigada...
- Só não deixe de ser você mesma por causa disso, OK?
- Pode ficar tranquilo, não vou deixar de gostar de luta livre e video-games. Mas dar uma arrumada no visual de vez em quando não faz mal, né?
- Ih, o Abel acabou de mandar mensagem perguntando onde estamos. A Kelly tá quase desesperada querendo saber se a gente vai vir mesmo - diz Aiko, olhando o celular.
- Então o que estamos esperando? Vamos!

Nave Fantasma [Semana 25]

Autor: Lucas Suwgamm

Aguardando posição do autor.

Filho das Profundezas [Semana 25]

Autor: Marco Fischer
Parte XXV - Abismo

Violka afundava na escuridão de Ula-Yhloa, mergulhando entre as glórias afogadas do Império de Lemuria. Estátuas de heróis esquecidos eram sua plateia enquanto descia até um salão submerso, ainda maior do que aquele onde havia enfrentado o monstro agora soterrado pelas ruínas.

Logo Violka não mais prendia a respiração ou sentia a água gelada em seu corpo. Estava suspensa nas trevas, diante de algo tão imenso que ela não conseguia vislumbrar de uma só vez. Mas não estava com medo. Sempre soube que não era mais do que um pequeno ponto diante da vastidão do oceano, e isso não a impedia de navegar através dele.

Era isso que precisava fazer agora, deixar sua consciência fluir livremente como um pássaro através daquele abismo. Era como se manter lúcida em um pesadelo, embora fosse mais vívido e ela soubesse que não tinha muito tempo.

Naquele turbilhão, ela via passar os últimos dias da Lemuria. Cidades-ilha de pedra e cristal eram tragadas pelas ondas e por seres tão antigos quanto o mundo.  A imagem do deus-peixe surgia inúmeras vezes, rodeada por seus adoradores. Mas o que era aquilo em que estavam se transformando?

Lemuria jamais esteve morta. Ela apenas abandonou a miséria da superfície, indo para junto de seu senhor e protetor. Nossa linhagem persiste em Ula-Yhloa, e todas as outras cidades imortais onde vivemos sob a graça de nosso Pai Dagon.

Assaltada pelas memórias, Violka via que aquilo não era uma divindade de fato. Era uma criatura gigantesca e demoníaca, que nadava nas profundezas do éter e agora se manifestava na consciência do Maleko. O garoto e aquele horror ancestral estavam ligados de algum modo, e esse era um grilhão que ela não poderia romper.

-Foi por isso que fugiu, não é? Estava confuso e com medo. Por não ser como os outros de sua espécie, e pelo que a Ordem queria que se tornasse. Sua mente não é fraca como a deles. Você não é um escravo. Mas não sabe o que fazer com essa liberdade.

Violka falava para a escuridão ao seu redor, sem a certeza de que suas palavras chegariam ao Maleko que havia conhecido. Mas mesmo que a presença maior não diminuísse, ela sentia que ele ainda estava ali, tentando encontrar a si mesmo no olho da tempestade.

O infante é apenas uma concha. Dentro dele está a próxima geração de nossa raça abissal. Seu único propósito é reproduzir e transmitir seu sangue aos rebentos, tornando Lemuria ainda mais forte e expandindo os domínios de nosso Pai Dagon.

-Você sabe que não. Você sabe que pode dominar esse poder e escolher o que irá se tornar. Já conseguiu abrir seus olhos e fugir uma vez, então não há desculpa para se entregar agora!

Uma explosão de água atingiu Violka, e ela sentiu que seu corpo se afogaria ainda mais rápido. Sua maior luta era para se manter sã e consciente naquele turbilhão, que tentava levar embora sua mente como uma correnteza. E sua batalha finalmente estava começando a surtir efeito, pois a silhueta do Maleko surgia outra vez diante dela, falando dessa vez diretamente.

-Se queria me libertar, por que me trouxe aqui? Por que não me manteve longe do mar e dessa ilha? Eu já havia fugido, e tudo que fez foi me arrastar de volta até minha prisão.

-Se não tivesse lhe trazido até aqui, você ainda seria um escravo, mas da própria ignorância. – respondeu a capitã com serenidade, percebendo sua visão começar a ficar turva. – O medo do desconhecido é o pior dos medos, e desconhecer a si mesmo é estar aprisionado nele para sempre.

-E se eu resolver que sou mesmo um arauto de Dagon? E se eu quiser ficar com Lemuria e te arrastar para ser devorada por meus irmãos?

-Ficar com os que te criaram é escolha sua, mas você não vai me matar – ela dizia com um sorriso, já no limiar de sua consciência.

-Você diz que sou livre para qualquer coisa. Então o que me impede de te levar para as profundezas como um presente a Pai Dagon?

-Saber que se algum dia você desistir dessa vida, eu estarei lá em cima para te ajudar outra vez a achar um caminho.

Nesse momento o laço telepático se quebrou, e Violka se viu mais uma vez no salão submerso de Ula-Yhloa. Seu último fôlego se esvaiu e a inconsciência veio como um alívio para a dor em seus pulmões repletos de água.

Chuva de Outono caminhou até a cabine do Hummingbird, após a tripulação finalmente se livrar do fedor dos cadáveres dos híbridos-peixe. Abrindo a porta, ela viu Pesha folheando um dos livros da capitã. Seu rosto se entristeceu enquanto entrava, mas logo se iluminou em um sorriso ao ver Violka se remexendo na rede e murmurando.

-Que dor de cabeça...

Após o funeral de Stevo, os três estavam juntos outra vez, sentados no convés em meio a várias garrafas. Pesha explicava novamente como havia encontrado a capitã na praia, e como a ilha havia sido engolida pela maré alta pouco depois de terem sido resgatados pela tripulação, desaparecendo completamente.

-Todas as evidências se foram. Eles nunca vão me aceitar como um acadêmico do Império agora. – lamentava o rapaz.

-Você sabe que nunca precisou disso, Pesha. Vamos te levar até a capital e você vai provar de uma vez por todas que é tão digno quanto qualquer um que está lá!

O estudioso deu um sorriso tímido enquanto Violka se levantava lhe dando um tapinha no ombro. Então se ergueu mais confiante e perguntou.

-E depois? Para onde você vai?

Violka se debruçou na amurada do navio, olhando para o anoitecer no oceano como se procurasse por algo na imensidão.

-Eu descobri que o mar é a ainda maior do que pensava. Não vou esquecer as coisas que aconteceram lá embaixo, e você me conhece muito bem para saber que para mim um novo par de asas significa um novo céu para explorar, por mais sombrio e tempestuoso que ele seja.

Wild Hunt [Semana 25]

Autor: Marlon Kalango
Cap 24: Wild Hunt

As palavras da Mãe Arvore ainda ecoavam em minha mente. A Batalha nas Montanhas Shiverpeaks contra o Garra tinha sido feroz, mortal para muitos, e ele era apenas um dos subordinados do dragão Jormag, que ainda dorme. Derrotar um dos campeões dos dragões não era um feito fácil, quem dirá derrotar um dragão de verdade. Minha cabeça estava pesada com tantas informações ao mesmo tempo. O sono não foi fácil naquela noite, e nem pelas que se seguiram. Passamos um mês repousando e nos recuperando, nos preparando também para a batalha que se seguiria. Forças de toda nação agora uniam forças e mandavam contingentes de seus batalhões para lutar contra a ameaça iminente.

Eu e Arawn logo nos juntariamos a eles. Após mais dois dias de preparação, partimos em direção à costa que banhava a floresta, e embarcamos em um porto militar em um grande navio. Seu destino: Litorais Amaldiçoados. Outrora um lugar de beleza sem igual, mas que sucumbiu ao longo do tempo devido à corrupção de Zhaitan. Agora, com seu despertar, as praias estavam repletas de Risen e corrupção. Era naquelas areias que travaria minha ultima grande batalha. O fim da minha Wild Hunt.

-Nervoso? - O necromante perguntou, aproximando-se de mim.

-Quem não estaria? - respondi, estremecendo. - Iremos nos juntar ao maior exercito que este mundo já viu.

-Derrotamos o Garra. Podemos fazer isso.

-O Garra era apenas um servo do dragão. E poderoso. - suspirei, pensando em quantos poderiamos perder nesta batalha. Senti as mãos de Arawn alcançarem meu rosto, e olhei em seus olhos. Ele havia removido sua marca do espectro, então eles estavam na sua cor natural que acho tão bonita.

-Etherdry, os dragões foram derrotados no passado. Mesmo que há tanto tempo que não saibamos direito como, mas foram. Acredite, podemos fazer isto.

Sorri para ele. De fato, alguns seculos atrás, há relatos de que os dragões haviam sido derrotados. Feridos, eles entraram em um profundo sono secular, mas sua influencia ainda se faz sentir no mundo. Mesmo que os registros não sejam claros em como isso aconteceu, todos concordam em uma coisa: o despertar de um dragão sempre tras caos e destruição ao mundo. Agora, viajamos rumo ao desconhecido para enfrentar esse perigo.

-Sim. - suspirei, enfim, olhando o oceano a minha frente. Uma aura sombria começava a cobrir os céus enquanto começavamos a avistar as praias corrompidas.- Vamos prevalecer.

****
Dois anos se passaram desde então. Lutamos incessantemente contra ordas e mais ordas de Risen, e eventualmente, campeões enviados pelo dragão. Sua corrupção continuava a se espalhar, mas perseveravamos. Perdemos muitos dos nossos ao longo deste tempo, mas não sem antes fazer danos consideráveis às forças inimigas. Agora, eu tinha alcançado o posto de comandante e Arawn era meu braço direito. Estavamos há quase uma semana lutando na parte mais distante adentro nos Litorais Amaldiçoados, às portas da Arah, a cidade em ruinas. Ultimos resquícios do que foi uma poderosa civilização, mas sucumbiu no ultimo despertar dos dragões, e agora era o covil de Zhaitan.

Avançavamos por terra, para dar reforço às tropas aliadas, levando nossos canhões de guerra e artilharia pesada. Mil e quinhentos homens e mulheres confiavam suas vidas a mim, ao meu comando. E eu faria o possível para mantê-los em segurança. Meu companheiro se aproximou de mim com meu cão de caça, agora também usando uma armadura animal para sua proteção. Ao longe podiamos ouvir os rugidos da besta ecoando pelo lugar.

-Ainda nervoso? - ele me perguntou, um sorriso se formando em seus lábios.

-Não. Não posso. Meus soldados dependem da minha confiança e estratégia nessa batalha. - respondi, acariciando meu cão.

Subito, à nossa frente, a cidade irrompeu numa grande explosão e o dragão alçou seu vôo finalmente. Sua sombra gigantesca cobrindo o sol, seu corpo grotesco como se fossem pedaços de dragões decompostos formando um único ser: uma cabeça bizarra, de onde suas línguas eram várias outras cabeças menores que serpenteavam pelo ar. O corpo alongado, apenas com o torço completo, e seu final terminando em tripas por caudas, das quais saiam vários pares de asas. Uma visão grotesca e aterrorizante: O Dragão Morto-Vivo, Zhaitan.

Ele Voôu sobre nós, e o imenso exercito marchou para a batalha, abrindo caminho cotra o próprio exercito de Risen do dragão. O som do bater de espadas, explosões e todos outros estrondos da colossal batalha explodiram pelo ar em segundos. Minhas tropas também aguardavam minhas ordens.

-Soldados! - bradei, segurando meu novo arco mágico- Hoje, marchamos para esta batalha. Trazemos a luta até o Dragão, e lutaremos com ferocidade! - Meus soldados soltaram brados de excitação e gritos de guerra. - Nossos canhões junto com os dos outros cuidarão de derrubar a besta dos céus. Tyrianos, hoje mostraremos que nós, de todas as raças e nações, unidos, podemos derrotar até mesmo um Dragão Ancião. Hoje entramos para a história!

Virei-me em direção à batalha, colocando meu elmo. Erguendo meu arco, disparei uma única flecha que explodiu num sinal luminoso metros acima, dando sinais para as outras tropas de canhoneiros.
 -AVANÇAR!

Os carros de batalham começaram a se mover. Meu coração batia frenetico no meu peito, e podia sentir a tensão percorrendo meu corpo. Era uma sensação como nunca antes havia sentido. Arawn discretamente veio para meu lado, e segurou minha mão por um instante.

-Você está bem? - Ele disse, baixo mas audível.

-Estou. - respondi sincero. - Independente do que aconteça hoje, estou feliz de ter conhecido você. Feliz de dividir minha vida com você, até aqui, meu bravo Lobo.

-Estou feliz conosco também, Etherdry. - Ele segurou minha mão mais forte. - Os espíritos me abençoaram com você, com seu amor.

-Passaremos por isso, Arawn!- Falei, o acariciando uma ultima vez antes de soltá-lo, para entrar na batalha. - Não é o final da nossa história aqui. Eu sinto. Apenas uma conclusão.

-E de quê? - Ele perguntou-me erguendo seu cajado, e eu sorri, confiante.

-Do meu chamado. Minha Wild Hunt!

Fim

Contos do Amante da Morte [Semana 25]

Autora: Mari-Youko-Sama
Capítulo 21: Tudo ou Nada.

E tudo convergia naquele minúsculo espaço de tempo entre o sussurro da outra e os lábios de Marcos se moverem. Como se um abismo gigante tivesse sido aberto naquele instante, o jovem Blackwood precisou reunir toda a força de vontade que o tinha arrastado até ali para responder:

– Não.

– “Não”? – agora a loira estreitava o olhar na direção do moreno. – Está certo disso?

– Eu não tenho a honra de um nobre, mesmo herdando o sangue, é preciso mais que isso para tê-la, porém… – apertou o corpo do irmão junto ao peito – eu ainda sou um homem que cumpre com a palavra e se você quer o que diz, vai ter de dar a sua também.

– Com “minha palavra” você quer uma garantia? E por que acha que eu cumpriria com esta “palavra”? – comentou em tom mais cauteloso, mas ainda mantendo um sorriso zombeteiro no rosto.

– Posso estar ficando louco, mas acredito que isso que deseja você não pode tirar, pelo menos não a força… – teve uma confirmação quando notou o olhar da outra se estreitar ainda mais, pelo menos acreditava que tinha sido uma confirmação – e eu não vou fazer nada do que pedir se meu irmão morrer.

– Arriscaria a vida dele em um blefe? – levou a mão ao queixo em um olhar frio e apático a tentativa de negociação do jovem Blackwood.

– É o que eu tenho e ele não tem tanto tempo, se “você” não se decidir, nós dois perdemos! – queria ter posto mais força em sua voz, mas estava apavorado, no fundo de sua mente, imaginava que talvez ela esperasse por essa afronta, mas tudo estava se perdendo, e se fosse para fazer uma última aposta, tinha de ser naquele momento.

Então a loira se levantou e pousou os dedos finos em um broche feito de ouro branco em forma de videira, desatando a manta que lhe cobria o corpo, revelando um vestido de seda fino, com adornos dourados de videiras no busto e na barra do vestido. Com a ponta do dedo, pressionou sobre o pulso até o dedo afundar na pele pálida fazendo minar um veio de sangue de um vermelho escuro, e fez caminho até o cotovelo abrindo um corte profundo que jorrava filetes de sangue sobre o corpo de Matheus:

– Eu dou-lhe a mim mesma como garantia, e os dias que seu irmão estaria fadado a viver agora serão mais longos, no entanto… – os olhos dourados fixaram no rosto de Marcos – Para cada gota do meu sangue dada ao seu irmão, tu me servirás por 100 dias, durante os dias e a noites durante o tempo e o pós-tempo.

O corpo de Matheus se debateu e depois cessou, deixando uma estranha sensação de vida no corpo desacordado. Marcos levou a mão ao rosto de seu irmão e tomou seu tempo para observá-lo, a temperatura tinha voltado a corpo do rapaz, e embora não entendesse o que era aquela mulher, sabia que ela tinha cumprido com sua parte. O ambiente estava silencioso, e até a borboleta dourada tinha parado de se debater, uma luz opaca se mantinha saindo da lamparina, até finalmente entregar o cômodo à penumbra. Restava agora ele cumprir. Apoiou o corpo de Matheus com cuidado e em seguida ergueu-se frente à loira, a encarou e abriu os braços em um gesto de rendição:

– Toma para ti, o que agora é seu, eu permito. – não sabia como medir o peso daquelas palavras, mas sentia a importância delas ao serem proferidas. No entanto, diferente do que imaginava, não sentia remorso, pensava ter feito a coisa certa, queria acreditar nisso, ao menos.

A figura da loira sibilou um sorriso estreito e cheio de veneno, com um gesto delicado, cobriu-lhe os olhos e tocou-lhe o peito, foi a última sensação viva que tivera…


Epílogo:  Além do fim 


– Não preciso entrar em detalhes sobre as sensações da morte, não é?

– Não há necessidade. O processo pelo qual passaste não é o convencional, por isso, tuas sensações estavam distorcidas e julgo dizer que sua dona tinha preferência pelo pior processo.

– Correção: “antiga dona”. Não sou propriedade de ninguém além das minhas próprias ambições.

– Uriel, sabias que eras teu fim e mesmo assim deste tua vida. Realmente não sabias o que teu consanguíneo tramava?

– Correção: “Lorde Uriel”.

– Tuas alcunhas e títulos não têm valor aqui, apenas responda.

– Marcos sempre teve fé em sua família e para Matheus não foi diferente, embora infeliz nas promessas que fazia e a senhora sabe bem o porquê.

– Os pesos que julgam ser capazes de carregar nada têm haver com meu trabalho.  Se tu, na época, escolheste fazer tais promessas, apenas a tu restava o peso de arrastá-las. Mas com seu consanguíneo foi diferente, ele burlou as regras naquela noite.

– Sim, hoje em dia enxergo a artimanha pouco criativa de Matheus em negociar para ter longevidade usando meu sangue de barganha, afinal nem todo mortal pode se encontrar com seres feéricos, mas como não podia negociar a vida de outra pessoa, armou aquele circo para me convencer. Marcos de fato não tinha arrependimentos, fez tudo por amor a sua família e para honrar suas promessas, quase tão medíocre quanto qualquer livreto ou canção tocada por bardos.

– Para quem burla meu trabalho, resta apenas as mazelas da longevidade, assim como as tuas.

– Não há restrições para mim, apenas as que a senhora desejar inventar em sua criatividade mórbida.

– Nunca meça a Mim por você mesmo.  E para tua ultima restrição: descubra onde teu antigo consanguíneo retornará para finalmente receber a punição pela afronta.

– Por isso eu disse que não há mais restrições, eu sou um ser livre porque antes mesmo da pergunta eu já tinha a resposta.

– …

– Existe apenas um objetivo para Matheus: Ser o Regente, e ele retornará no meio do mercado negro, mas perto da magia.

– …

– Entendeu?! Agora desate os nós, minha amada senhora, pois a partir de hoje Lorde Uriel está além da própria Morte.


Fim… por agora.