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sexta-feira, 19 de setembro de 2014

Neocene II – nanoships - Considerações Finais

Autor: Moonlance

MONOBA (Mobile Novel Battle) é aquele tipo de auto-desafio indispensável para quem deseja testar sua vocação profissional literária - ou de contação de histórias. Afinal de contas, escrever durante mais de mês, um micro-capítulo por semana de uma história pequena e inédita, ainda sendo gestada pelo autor, é uma tarefa que poderia muito bem merecer uma dedicação exclusiva de um escritor profissional. Nesse sentido, a título de curiosidade, é possível considerar que o MONOBA apresenta propriedades análogas à própria produção de séries de animação de TV, em vista da sistemática dos prazos de entrega de cada capítulo (episódio) da história, a qual é serizada, mas também sequenciada - nenhum capítulo pode ser apresentado fora de ordem.

A realização de um projeto como MONOBA mostrou ser capaz de inspirar, não só autores e leitores em suas diferentes buscas, como também possíveis novos proponentes de projetos coletivos nessa linha - quem sabe com orientações temáticas ou outras formas de experimentação colaborativa. Em todo o caso, acredito que é sempre um motivo de plausível fascinação, a - hoje tão pavimentada - possibilidade criativa da narrativa escrita, publicada em novas mídias como a Internet. MONOBA também nos ajuda a resgatar o valor concreto que possui essa, aparentemente tão simples, perspectiva atual.

Moonlance

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

Neocene II – nanoships [Semana 25]

Autor: Moonlance
Capítulo 08: A Simetria Escalar

A equipe de Marinas Espaciais irrompe no interior da carcaça envelopada pelos campos energéticos programados no hangar de Nova. Os visitantes acessaram o primeiro hall e corredores deteriorados da espaço-nave fóssil. As leituras eletromagnéticas mapeavam em diferentes escalas a real estrutura do grande corpo metálico. No entanto, observou-se 2 anomalias localizadas, as quais não puderam ser reconstituídas ciberneticamente por Miho, tampouco por Sasha na Neocene II. Isso intrigava os especialistas, motivando a quarentena desses setores, especialmente o maior deles, na região central da nave. Contudo, isso não impedia a análise Trobotz e o isolamento progressivo das áreas normais pela equipe de exploração: uma vez compartimentado, cada setor era escaneado e projetado no registro museológico de Miho; e matéria e energia fósseis – complexificadas pela entropia da ação do tempo – eram processadas em dados virtuais bem como transformadas em renovada tecnologia in situ, compatível com os usos da Confederação Intra-Galáctica. A absorção da nave-fóssil, tinha iciado...!

O processo integral demoraria horas, mas já era possível, do hanger de Nova, observar a perda de massa sofrida pela nave-fóssil; muito de seu interior acabaca por ser exposto pela absorção cibernética. Em dado momento, a equipe de Marinas Espaciais atingia a sala de controle; embora não tenha sido possível extrair muitas informações sobre o destino da paleo-tripulação, captou-se a breve emissão de um pulso elétrico em direção a um dos setores anômalos – o menor deles, o qual ainda não tinha sido aproximado.

– O que foi isso? – indagou Jessika Nova.

– Um sinal de corrente elétrica. – Respondeu Cosmos, que estava ao lado – A probabilidade de que nem tudo é inoperante numa nave-fóssil é astronômica, mesmo na escala temporal de sua degradação no espaço.

Logo descobriu-se que o setor anômalo era uma sala totalmente arruinada, recoberta de escombros. Jessika subitamente começou a sentir tontura, e Kirsken foi a primeira a apurar. Não obtendo sucesso, Polly que estava na Neocene II lançou-se à cidade-asteroide para buscar sua antiga colega.

– Vai entrar sozinha? – Perguntou Lucy, que a aguardava no hangar.

– Como...? V-você não vem junto......? – Atrapalhou-se Polly; e logo percebeu, pelo silêncio astucioso da estruturalista, que ela estava sendo testada...!

Para alcançar as garotas e resgatar Jessika, Polly deveria percorrer solitária uma grande distância, atravessando uma gama de corredores lúgubres porém já isolados, embora ainda não iniciados para absorção. Acabaria contudo passando adjacente ao grande hall central – igualmente isolado, e adicionalmente posto em quarentena –, mas em cuja proximidade ocorria a maior anomalia de forças. A equipe de Marinas Especiais não iria ao encontro de Polly, pois já monitoravam uma área de risco; não obstante, enviaram-lhe o Trobotz Nr'aop.

– Não se preocupe, você vai ficar bem. Mas por favor venha posteriormente à Neocene II para eu examiná-la melhor! Ok? – Solicitou Kirsken a Jessika, ajudando-a a recompôr-se. De repente, surge da porta uma garota esguia e esbaforida, de pele branca como um fantasma, banlançando longa cauda de cavalo às costa, e seguida por Nr'aop, que se esforçava para acompanhá-la. As colegas, especialmente a risonha Capitã Tess-Stella, acabaram achando bastante graça da situação! especialmente depois que o grande felino Patak se aproximou docilmente de Polly, ainda aflita, e a abraçou lambendo-lhe a face.

A missão para as Marinas Espaciais estava praticamente concluída, mas quando estavam prestes a rumar para os setores remanescentes, Tess-Stella começou a chutar e a remover a ampla carga de escombros de materiais do chão. A criatura Patak, talvez compreendendo instintivamente, veio imediatamente lhe prestar auxílio, quando Kirsken indagou:

– Tess...? Você achou alguma coisa aí...?

– Eu quero ver o que tem aqui em baixo! – respondeu a Capitã.

– CÂMBIO!! Tonta! - Esbravejou de repente sua irmã Sasha, a partir da Neocene II – Deixe isso para a Absorção!! Não vá se contaminar ou liberar mais radiação! Seu Campo Pxy já está a 25%! CÂMBIO!

– NÃO!!! - Retrucou Tess-Stella determinanda – Não é pra absorver qualquer coisa!!

Em poucos instantes, o Trobotz Nr'aop registrou novas informações a partir dos escombros: tinha sido descoberta uma câmara de hibernação soterrada de uma tecnologia primitiva – isto é, para os padrões dos Pxychomotakkae cziplakton. Havia um ser humanoide de feições semelhantes, de aspecto estável em seu interior...! A intriga e a euforia tornaram-se generalizadas em todas as equipes. O Trobotz escavou e retirou cuidadosamente o contêiner, que foi levado até o hangar. A missão de exploração e absorção foi somente concluída cerca de cinco horas depois, e descobriu-se que as anomalias da nave-fóssil tinham sido provocadas pela presença de um antigo gerador adensado e neutralizado.

No laboratório da Neocene II, Kirsken analisava o corpo resgatado, assistida por Cosmos e Lucy. Quando Polly e as outras entraram em cena perguntando sobre novas revelações – já sabiam que o ser estava vivo – a biologista disse:

– Trata-se de uma Pxychomotakkae czitopos. nosso ancestral teórico mais próximo! A este espécimen, além de ocorrer-lhe alguns genes diferentes dos nossos como esperado, sua carga genética apresenta uma macro-estrutura auxiliar periférica, que desconhecemos totalmente!

–  Uhm...? Seria uma simetria escalar? Hipotetiza Lucy.

– Sim! – disse Kirsken sem tentar esconder o entusiasmo – Acho que há pelo menos 2 padrões fractais; acredito que a macro-estrutura pode ter se perdido ao longo de nossa evolução taxonômica...! Desconheço os propósitos... Quem sabe Miho pudesse...

– Com sua permissão: – disse Cosmos, com sua voz calma e tímida – sabendo-se que essa relativa, macro-estrutura genética anexa, ainda não decodificada, há de ser a responsável pelas propriedades extraordinárias do Campo Pxy de nossos ancestrais, assim, fica claro por que Jessika, com seu raro campo, sofreu um choque de intersecção naquela situação anterior.

Silenciaram por uns instantes. De repente, havia um universo aind amaior por descobrir, e estavam ansiosas para acompanhar o futuro despertar daquele ser, tido como extinto a dezenas de milhares de anos! Possivelmente, o único e último espécimen Pxychomotakkae czitopos...! Então, Sasha oferece-lhes um brinde de grafteína, Polly comenta alguns dos novos planos que pensou para a Neocene II, Tess-Stella derruba o Patak no chão como brincadeira, e Miho convida a todos para fruirem junto a sua esfera cibernética no Planetarium, as 357 hipóteses de reconstrução do mundo perdido daquela misteriosa civilização perdida.

FIM

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

Neocene II – nanoships [Semana 21]

Autor: Moonlance
Capítulo 07: Um Fóssil do Espaço!

– Estamos conectados, Polly! – declarou Sasha Kacey, ao interligar a rede de Miho à alienígena nave abandonada e estacionada no hangar da cidade-asteroide Nova. A avatar Adjunto fechava os olhos lentamente.

– Então...? – perguntou pouco depois a Almirante da Neocene II, enquanto todos observavam a esfera cibernética luminosa processando dados atrás da avatar.

Sasha então começou a responder: – Essa nave... pertenceu a uma civilização de bípedes avançada, mas já exaurida a dezenas de milhares de anos. Controlavam o setor em torno da anã-vermelha KXL7302, que hoje sabemos é um sistema estelar que só apresenta planetas gasosos – Todos na estação ficaram intrigados com as informações levantadas; Sasha prosseguia: – Mas não sabemos a qual táxon atribuir a tecnologia da nave; está além de todos os nossos registros cronológicos e mapas espaciais!

Polly então lançou: – A chance de haver alguma entidade viva na nave fóssil...? – era a pergunta que não queria calar...

– Uma chance em um milhão. – respondeu Sasha – Nenhum sobrevivente. – Um silêncio de aflição tomou conta do ambiente, e só foi interrompido quando a Admin retomou a palavra: – o sistema operacional foi destruído por corrosão; não há pulsação eletro-magnética artificial; e a atmosfera interior foi totalmente alterada por decaimentos radioativos sucessivos dos próprios componentes. Não, eles certamente não planejaram uma viagem tão longa...!

Com isso tudo, foi decidido que as equipes presentes da Confederação Galáctica iriam realizar os preparativos para abrir e explorar o interior da nave. Precisavam conhecer que misteriosa civilização perdida era aquela, o que realmente lhe tinha sucedido e, fundamentalmente também, que espécie a representava. As conjecturas eram das mais variadas.

– AHAH!! Finalmenteee!!!! – Gritava emocionada a Capitã Tess-Stella Kacey, enquanto acessava o hangar de Nova e se aquecia, junto com Kirsken e Cosmos, em seus bio-suítes especiais. As irmãs Kacey se trocaram um tapa de mãos enquanto se cruzavam no caminho: Polly, Sasha, e Miho voltariam para a Neocene II. – Agora é com você! – dizia Sasha para a irmã avoada – Veja se você se comporta na missão! É uma nave muito antiga, e não tem mais ninguém lá, tá OK?

Lucy Alghieri iria permanecer com a Adjunto Miho na estação principal do hangar, auxiliando a comunicação com o pessoal local de Nova. O grupo efetivamente a adentrar a nave-fóssil seria composto por 6 indivíduos, sendo 3 deles Pxychomotakkae cziplakton da Neocene II: isto é, Tess-Stella Kacey (Capitã), Rebecca Cosmos (Commandante) e Vicki Kirsken (Tenente); e sendo 1 deles a própria representante da cidade-asteroide, Jessika Nova – por algum motivo se sentia responsável por ingressar pessoalmente. Um gigante felino Pakat chamado Dorkat também os acompanharia – tinha rapidamente se afeiçoado à Capitã, quem diria! –, bem como um Trobotz de médio-porte, Nr'aop, que atuaria tanto na exploração como na adequação do ambiente defasado da antiga nave. O exterior da nave-fóssil estava sendo monitorado e era mantido isolado também com auxílio psíquico de aliados seres azuis, que não consideravam aquela missão uma profanação, mas tinham seus motivos – espirituais talvez – para não envolver-se além daquela colaboração.


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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Neocene II – nanoships [Semana 08]

Autor: Moonlance
Capítulo 06: Artifícios

Vicki Kirsken, a biologista, se dirigiu sozinha até o Planetário. Estava escuro e apenas a luz distante das estrelas através das grandes vidraças permitia observar uma forma humanoide que se debruçava sobre uma grande silhueta estática...

– Tess...? É você? – perguntou ela, naquele vasto salão.

– Hein...? Hein.....? – surpreendeu-se a figura (era Tess-Stella!), e depois disse: – Ahhh! É “só” você, Ahah! – disse ela com um longo sorriso estampado no rosto, mas também um certo alívio. – Sabe, eu não sei se eu mostro minha criação pra todo mundo!... Olha! Olha!! – insistia empolgada, fazendo um gesto que acendia uma foco de luz quente sobre a misteriosa construção.

Kirsken primeiro sobressaltou num leve arrepio, mas em seguida ficou bastante admirada! – Uau! Que enorme! e que bonito também! – lançou ela, e levou um pouco de tempo para ela começar a rodear contemplativamente o 'monstro' robótico de aspecto bio-mecânico que sua amiga tinha produzido com tanto ardor, do rascunho à obra final.

– Gostooou...??? – perguntou-lhe Tess-Stella um pouco inqueta, perdendo um pouco seu sorriso por um breve instante.

Mas, antes mesmo que Kirsken pudesse responder, alguém surge na sala dizendo, com uma voz baixinha porém relativamente clara, e delicada, mesmo com um timbre quase de contra-alto:

– Fascinante. – Era a voz da Comandante, a quantificista Rebecca Cosmos. Ela vinha a passos lentos, com as mãos atrás das costas, seu longuíssimo cabelo vermelho e liso se esparramando pelo chão atrás de si; seu olhar era profundo como as estrelas, mas era como o de alguém que vivia dentro de um universo paralelo, as pálpebras sempre lhe caindo naturalmente a mais da metade do caminho (óculos lhe cairíam bem, em termos de harmonia).

– Cosmos! – manifestou Kirsken ao tomar conhecimento da mais nova presença.

– Eu gostei. Muito. – ainda declarou calmamente Rebecca Cosmos, sobre a obra de Tess-Stella, a qual obviamente ficou orgulhosa e encabulada, rodopiando por aí sem saber o que dizer e rindo-se sozinha.

Kirsken ficou contente, mas achou curiosa a reação positiva da Comandante, pois cogitara primeiramente que, por ser biologista, ela teria a priori muito maior afinidade do que as demais colegas para fruir a obra integralmente, isto é, incluindo o fenótipo alienígena desconsertante dos designs biológicos exteriorizados pelo gênio da artista-engenheira. Mas Kirsken entendeu que tinha se enganado: além dela mesma, e da própria Tess-Stella é claro, havia aparentemente mais alguém ali com gosto especial para as formas mais bizarras inspiradas na natureza! Não era tão raro, mas Kirsken ficou se perguntando se Cosmos não iria dizer, antes de algum novo elogio, algo como: “Apesar de um pouco assustadora, a criatura bio-mecânica é...”. Mas na verdade, isso é o que ela mesma (Kirsken) desejava dizer, mas evidentemente que seria desprezível lançar tal observação psicológica para a autora, sua tão estimada amiga, já frustrada pela restrição de ir a Nova, a cidade-asteroide. “Por que a Polly teve que ser tão chata com ela...?” interrogou-se finalmente.

A nano-nave Neocene II derivava, relativamente silenciosa e ainda menos povoada, em torno de seu objetivo crescente.


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