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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Nova rodada [Semana 2] + Resultado da votação da semana 1

Semana 2 do MONOBA

A segunda rodada de "novels" já está no ar! Confira as histórias nos links abaixo ou navegando pelo blog. Lembrando que os links também estão disponíveis na aba de cada história!


Neocene II – nanoships: Capítulo 02 : Formando estruturas / Estruturando formas

Pepper & Donuts: Capítulo 02 - Donuts 2: Conversa entre amigas

Nave Fantasma: Um sinal no Escuro.

Filho das Profundezas: Parte 2 - Estrelas

Requiem: Quando o Vento Selvagem Sopra

Wild Hunt: Capitulo 2: A Árvole Pálida.

“SentiMente” [Semana 02]

Contos do Amante da Morte: Capítulo 01 – Dias de Outono.


Boa leitura! E não se esqueçam de votar na melhor história da semana 2! A votação vai até 23:59 do dia 09 de abril (quarta-feira) e a terceira rodada de "novels" estará no ar  no dia 11 de abril (sexta-feira).
Sintam-se à vontade para deixar suas impressões, comentários, críticas ou sugestões para o MONOBA ou para os escritores. Não deixe de acompanhar as novidades www.facebook.com/mobilenovelbattle.


Resultado da votação da semana 1

Foi uma competição acirrada, mas ao final de 6 dias de votação e com um total de 33 votos, orgulhosamente apresentamos os vencedores da primeira rodada de "novels"!

Em primeiro lugar, com 9 votos, a história "Filho das Profundezas", de Marco Fischer.
Em segundo lugar, com 7 votos, a história "Contos do Amante da Morte", de Mari-Youko-Sama.
Em terceiro lugar, com 5 votos, a história "Requiem", de Natalie Bear (que disputou a colocação com "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm, em uma votação interna de desempate).

Em seguida temos "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm (5 votos); "Pepper & Donuts", de Adriana Yumi (3 votos); "SentiMente", de Silvia Verlene (2 votos); "Wild Hunt", de Marlon Kalango (1 voto) e "Neocene II - nanoships", de Moonlance (1 voto).

Parabéns aos ganhadores e boa sorte para todos nesta segunda rodada!

Neocene II – nanoships [Semana 02]

Autor: Moonlance
Capítulo 02 : Formando estruturas / Estruturando formas

– Ainda tá nesse 'troço', mana?! – reclamava Tess-Stella para sua irmã.

Mas Sasha não respondia; só disfarçava um sorriso irônico, enquanto se mantinha concentrada, e também aproveitava para beber mais um gole de sua infusão escura – da qual era viciada, e sempre andava com uma xícara recarregável na mão, especialmente no ofício, ou no óscio – ou seja, quase sempre!

– Que tédio! Vamos passeaaar...!! – insistia Tess-Stella, sinalizando cansaço no tom de voz.

Tess-Stella era grandota de estatura, o que de certo modo contrastava com seu jeitão infantil – e além disso, não era comum existirem pessoas tão cabeças-duras quanto ela. Tinha sempre um largo sorriso estampado no rosto, e mirava tudo com seus grandes olhos redondos e curiosos, mas seu olhar tinha um aspecto voraz – talvez pelas pupilas miúdas em relação ao tamanho das írises –, e parecia-se com o olhar de uma ave predadora. Finalmente, tinha longos cabelos loiros bem aparados, de um tom ocre brilhante, e que lhe desciam pouco abaixo da cintura.

Então, Sasha respondia, rápida e resoluta, em meio à sua atividade:

– Ainda não terminei minha tarefa!

– ... Isso nem é trabalho...! É jogo! – Contestava Tess-Stella (e com razão parcial!), já sem muita esperança. Porém, como ela aparentemente não obteria resposta àquilo, acabou topando com uma outra ideia, que, esta sim, poderia mudar o rumo das coisas: – E aquela nave 'cyborg'? Você não queria vê-la...?

Imediatamente, Sasha interrompia sua análise e síntese topodigital, engasgando-se intensamente; ela de fato tinha quase se esquecido daquela que seria – pelo menos em seu próprio ponto de vista computacional – a exposição inter-estelar “do século” em Plaktus. Isto é, resumidamente: os Trobotz, a civilização robótica de IA emancipada, desenvolvida originalmente pelos próprios Pxychomotakkae czitopos, vinha brindar a Confederação Galáctica com um de seus mais recentes modelos tecnológicos cooperativos: a nave Miho. E Sasha Kacey ansiava havia muito tempo para ter contato com aquele tipo de entidade; quanto a sua irmã mais nova – à qual Sasha chamava carinhosamente ora de “Tess”, ora de “Tonta!” – ela também alimentava curiosidade pela tecnologia Trobotz, é claro, porém seu modo investigativo era muito distinto – Tess-Stella não realmente se interessava tanto pelo que os outros realizavam; por outro lado, não era raro ela se enfiar em sua própria torre de marfim, quando lhe palpitava na mente alguma ideia maluca...!

–  Kirsken!! Venha já para o Museu da Orla Espacial!!!!!!! Vamos comer!!! – tal foi o recado enviado de Tess-Stella para sua amiga Vicki, antes de sair – sendo empurrada sistematicamente por Sasha, a fim de que se apressassem.


Ir para o próximo capítulo de "Neocene II - nanoships"

Pepper & Donuts [Semana 02]

Autora: Adriana Yumi
Capítulo 02 - Donuts 2: Conversa entre amigas

- S-Sim professor... - gagueja Misaki, cabisbaixa.

“A única coisa que importa pra aquele homem é o meu boletim com todas as notas acima de 8.0...”

Misaki ia pensativa enquanto andava em direção à estação de metrô, que ficava a duas quadras do colégio onde estudava. Ao lado da estação havia um ponto de ônibus, onde a maioria dos alunos do colégio ficava esperando.

- Miki!! - grita uma garota de longos cabelos marrom-claro e compridos, segurando uma enorme pasta preta e correndo atrás de Misaki – Eu não acredito que o tio Severino quase te pegou dessa vez!!
- Eu bobeei, Kelly - diz Misaki - E depois veio meu tio me dar bronca e lição de moral...mas ele não vai contar nada pro meu pai...espero. Se ele ficar sabendo dessas minhas escapadas eu tô frita...mesmo tirando boas notas...
- Hehe, seu pai é rígido com você, mas ele faz tudo pensando no seu bem, Miki.
- Hunf. Pelo que eu conheço dele, duvido muito...pra ele a única coisa que importa é “status”.

Kelly fica em silêncio após ver o rosto da amiga, ao acabar de mencionar o pai. Nisso, ela se lembra de algo e seu semblante muda para uma expressão de quem acabara de lembrar de uma coisa muito importante e divertida.

- Ah!! Miki, Miki! Você vai ver a a exposição do grupo de jovens pintores, não é?!
- Vou sim, apesar de que não entendo bulhufas de arte...
- Ah, vai ser bem legal! Ah, sim, olha só um dos meus desenhos que irei expor! – a garota retira um de seus desenhos cuidadosamente da sua enorme pasta.
- Ainda não acredito que você anda com essa pasta enorme até pras aulas do colégio...

Misaki vê o desenho da amiga. Era uma ilustração feita com guache, de um cenário macabro e sombrio. No meio do desenho havia uma figura sombria - talvez uma mulher- toda vestida de preto, com longos cabelos compridos e cacheados, e rodeada por corvos. Sua expressão era misteriosa, e Misaki não conseguiu identificar se a mulher do desenho estava sorrindo de felicidade ou debochando da cara dela.

- Me inspirei num filme que passou semana passada - Kelly dá um sorriso de orelha a orelha, como quem acabara de fazer uma boa ação.
- Puxa...é...muito inspirador...

“Não dá pra acreditar que minha calma e doce amiga Kelly faça ESSE tipo de desenho...é como dizem por aí, as aparências enganam.”

Nisso, um ônibus verde para no ponto onde as duas amigas estavam conversando. Kelly guarda o desenho em sua pasta, se preparando para ir embora.

- Ah, chegou o meu ônibus! Você vai pegar o metrô agora, não é? Até amanhã!!
- Tchau, Kelly! Até mais!

Misaki observa a amiga entrar no ônibus e em seguida dá meia-volta, descendo as escadarias em direção à estação.

- Bem...hora de pegar o metrô!


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Nave Fantasma [Semana 02]

Autor: Lucas Suwgamm
Um sinal no Escuro.

—  Uoool!! Essa nave é enorme! — falou um homem com um cavanhaque negro e com admiração nos olhos. – estamos flutuando faz tempo, se o sistema de gravidade artificial tivesse ligado... eu já estaria cansado.

— É... Edgar... Você se cansa por tudo. – uma silhueta rechonchuda aproximava-se lentamente de Edgar. – além de que, essa é uma nave classe Esperança.

– E o que isso quer dizer? Michael? — o sujeito com olhos mais escuros que o corredor no qual estava, encarava o de uniforme azul, com um semblante duvidoso.

— Quer dizer que você é uma anta! — seus olhos azuis expressavam desapontamento – mas tudo bem, vou explicar para que ate você possa entender. — respirou fundo e soltou o ar lentamente por dentro do capacete, fazendo com que embaçasse momentaneamente. — esse tipo nave foi o primeiro modelo a receber os motores de hiperespaço. Ou seja, o que nos possibilitou a saída do sistema solar. — com um ar sério, tentava visualizar a criatura com o cavanhaque triangular com o canto dos olhos – E antes que pergunte “E por que isso faz dela grande?”, ou qualquer cosia do tipo, fique sabendo que ela foi projetada para levar uma tripulação enorme, composta desde militares ate artistas. Pois não sabíamos o que encontraríamos nas nossas incursões pelo espaço.

— Ou seja, é só mais uma espelunca velha com mais de cento e vinte anos vagando por ai. — uma voz feminina, porém seria e grossa, interrompia o dialogo da dupla.

— Que é isso Milene!? tem que ter respeito pela nossa história! — Michael manobrou pelo ar, ate conseguir encarar a moça que era mais alta e corpulenta que os dois.

— Hummf – bufou a moça, sem mudar sua expressão fechada.

Enquanto os três ainda discutiam, Foster flutuava um pouco mais à frente com a cabeça baixa e a mão direita tocando o capacete na altura do queixo, mantendo uma careta pensativa, penetrando cada vez mais na negritude do corredor.

— Capitão? — indagava Samara, no entanto, o som sereno de sua voz não era suficiente para chamar a atenção do homem.

— Deve ter desligado o sistema de comunicação dos eu traje – falava para si mesma.

A delicada moça aproximou-se de Foster e cutucou o seu ombro, fazendo o mesmo sair do seu transe e olhar para ela.

— Oh! É você? — perguntou sem esperar uma resposta.

— No que está pesando, senhor? — olhava para baixo, pois estava mais ao alto do que o capitão, devido a falta de gravidade.

—A União nos disse que essa nave foi destruída em um combate... no entanto, quando sobrevoávamos com a Alvorada, não vimos nenhuma marca de batalha em seu casco. -  deu uma leve pausa na sua fala. — Fora que, estamos vagando a horas por estas galerias escuras e não encontramos nenhum corpo, isso é.... -  foi subitamente interrompido, pois um grande, vermelho  e sonoro sinal de alerta surgiu no vidro do seu capacete, indicando que algo estava em movimento perto deles.

— Todos em alerta!!!! Tem algo vindo na nossa direção! — ordenou aos seus subordinados.


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Filho das Profundezas [Semana 02]

Autor: Marco Fischer
Parte 2 - Estrelas

A trilha serpenteava entre palmeiras e arbustos floridos até chegar a um grande lago circular que preenchia todo o centro da ilha, cercado pela vegetação. Era como um pequeno mar calmo de profunda cor azul, circundado por uma estreita praia de areia branca. Estrelas do mar e conchas estavam espalhadas pelas margens rasas, e águas-vivas coloridas podiam ser vistas flutuando tranquilas mais para o centro.

-O hóspede de vocês tem bom gosto. – brincou Violka. – É um esconderijo bonito, mas como todo esconderijo é uma prisão.

Ela estava à frente do grupo de nativos, junto ao chefe e ao velho Kahuna. O sábio de idade avançada olhava para o lago com inquietação, esperando que a qualquer momento o visitante do mar surgisse do fundo. Foi com surpresa que notou a capitã avançar, levando em sua mão um dos cestos com peixes e lulas que seu povo vinha trazendo para alimentar o inquilino da ilha.

-O que está fazendo, capitã Violka? – ele perguntou receoso.

-Vou só conversar com ele e quem sabe dar uma volta – a capitã respondeu com um sorriso, começando a retirar as botas.

-O Maleko não pertence ao nosso mundo. E não conhece nenhuma língua falada na superfície. – alertou o Kahuna como se estivesse dando um último aviso.

-Isso não será problema. Eu já me libertei de muitos grilhões da fala, senhor encantador de marés. Inclusive aqueles que nos prendem além de nosso mundo.

Colocando as botas na margem, Violka levantou a barra de suas calças de calico e avançou na direção da pequena sombra que agora surgia no centro do lago.

O visitante do mar apareceu antes que a capitã precisasse chegar ao fundo. Tinha as feições de um jovem rapaz, com a pele lisa e pálida. Os cabelos eram finos e de um cinza desbotado, não chegando a cobrir as pequenas orelhas angulares. Mas foram os olhos dele que atraíram a atenção de Violka e fizeram com que ela prendesse a respiração, tendo a vertigem de estar diante de algo novo e desconhecido.

Era como se alguém tivesse removido um pedaço da noite e com ele coberto os olhos do garoto à sua frente. Eram da cor de piche e não possuíam íris ou pupila, mas não eram inteiramente negros, pois uma miríade de pequenos pontos luminosos se espalhava por sua superfície. Estrelas douradas e brancas que se moviam lentamente por aquelas orbes vítreas e úmidas de ébano.

Com curiosidade, o ser aquático se aproximou da capitã e nadou graciosamente em torno dela, examinando. Parecia ligeiramente confuso com o lenço amarrado na cintura da mulher, que flutuava esvoaçante na água. Quando falou, sua voz emitiu a melodiosa língua dos elementais da água, fazendo Violka sorrir enquanto compreendia cada palavra.

-Porque você está toda coberta? – ele perguntou com uma careta inquisitiva.

-Você se acostumou mal com as dançarinas de hula, seu danadinho! – a capitã retrucou, não conseguindo deixar de rir. – Não vou te colocar um colar de flores, mas a proposta que vim lhe fazer é ainda melhor.


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Requiem [Semana 02]

Autora: Natalie Bear
Quando o Vento Selvagem Sopra

Passos lentos, preguiçosos, reverberavam na couraça do grande navio “paquete” e se aproximavam perigosamente. Os latidos tinham cessado. O cão novamente fitava a moça com seus olhos azuis, investigando-a.

- Saia, clandestino. - a voz rouca e grave comandou com imponência. O sujeito dono dela colocou-se de frente ao canto escuro no qual seu cachorro implicara ter encontrado algo.

A desesperada mocinha tentava ver o rosto daquele à sua frente, uma tarefa muito difícil uma vez que a noite dificultava a visão e o vento constante no convés fazia os cabelos escuros do sujeito dançarem em frente ao seu rosto.

Nenhum dos dois homens que lhe seguiram tinha cabelos longos e castanhos. Talvez aquele que lhe intimava, mesmo com o tom quase agressivo, não representasse realmente perigo para a indefesa donzela.

- Eu… Não sou clandestina. - a tímida e medrosa voz era quase engolida pelos sons distorcidos do metal e da água que com ele se chocava. A mocinha, trêmula e vacilante, ergueu-se de seu sombrio esconderijo, rezando para os deuses de todos os povoados que um dia se estabeleceram nas terras daquele vasto mundo por uma chance de que  o homem não quisesse lhe entregar aos malfeitores.

- O que faz ai, então? - o sujeito inquiriu de forma nada amistosa. Se não estivesse de costas para a luz que a lua gentilmente jogava sobre o navio de aço, talvez seu rosto estivesse exposto agora, como o da moça estava.

- Tem… Dois homens… Estão atrás de mim. - explicava, abraçando firmemente sua bolsa companheira e estreitando os olhos da cor de avelãs para observar melhor as feições ocultas dele.

O estranho nada disse, apenas virou o rosto em direção ao cachorro, que permanecia sentado, contemplando-a atentamente enquanto deixava a língua pender da boca quase sempre aberta.

- Qual seu nome, moça? - pronunciou-se.

- Rebeca... - a garota respondeu um pouco mais amenizada pela mudança de rumo da conversa repentina, mas ainda apreensiva de ser vista ali.

- Xerife. - a figura sombria apontou para o animado cachorro - Lawrence. - levou o braço coberto pela manga cinzenta do casaco ao peito.

- M-muito prazer em conhece-lo, senhor Lawrence. - baixou sutilmente a cabeça, em um retraído cumprimento - E Xerife. - levou a pequena e trêmula mão hesitante à cabeça do cão, afagando-lhe a orelha por breves segundos e foi retribuída com uma molhada lambida nos dedos.

- Vamos. - Lawrence seguiu pelo convés no corredor de onde viera, mas parou e voltou-se para a moça que parecia ter petrificado. Examinava-a em silêncio com seus olhos de um azul pálido quase espectral.

- Hein? - Rebeca arregalou os olhos em confusão, no entanto logo estavam daquele jeito por outro motivo. Atrás do estranho sujeito dono do simpático cãozinho estavam “eles” parados. As silhuetas escuras dos dois homens que assombravam sua viagem. Ambos fitando-a com um sorriso de satisfação, pois tinham encontrado o pequeno ratinho que gostava de se esconder nos buracos escuros daquela embarcação à vapor.


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Wild Hunt [Semana 02]

Autor: Marlon Kalango
Capitulo 2: A Árvole Pálida.

Duas semanas após despertar, eu encontrava meu caminho no Bosque, lar de todos os Sylvari. Minhas habilidades com arco apenas melhoravam a cada dia que passava, e eu entrei na patrulha de caça responsável por trazer comida para nossa cidade arbórea. Eu me sentia feliz e confortável, dividindo esses momentos com meus semelhantes e meu fiel companheiro canino, ao qual nomeei Vajra.

Apesar disso tudo, ainda haviam preocupações em minha mente. Havia partes do meu sonho, fragmentos, os quais eu ainda não entendia. Eu ainda não sabia de quem era aquela voz, ou onde eu iria encontrar o Cervo Branco. Após esse tempo sem pistas, numa tarde ao voltar da minha partulha, um dos guardas veio até mim e qual não foi minha surpresa quando ele me disse que A Árvore Pálida chamava por mim. Uma grande honra e uma acontecimento muito importante.

A Árvole Pálida era minha mãe. Mãe de todos os sylvari, e era a fundação para o  próprio bosque, fazendo com suas raízes, folhas e magia, nossa amada cidade arbórea. Eu entei em uma das enormes sementes flutuantes que levavam até o topo da Grande Árvore, onde residia o avatar da minha mãe, sua forma física. Ao chegar ao topo deparei-me com a placa de pedra que continha os ensinamentos de Ventari e, pouco mais à frente, eu a contemplei; brilhante, serena, brilhante, e emanando luz e um calor aconchegante. Caminhei poucos passos, e ajoelhei-me perante ela.

-Saudações, Mãe Abençoada. Seus ramos crescem cada vez mais alto.

-Ah, minha amada criança. Faz-me bem ver-lhe tão bem. levante-se, meu filho.

Mãe, - levantei-me, olhando em seus olhos amorosos - fui informado que a senhora chamou por mim. Algo errado?

-Malomedies me contou sobre seu Sonho, e sobre  o Cervo Banco.

Não escondi minha surpresa. justamente o que eu estava pensando, e agora, a própria Mãe Árvora mencionava o Cervo.

-Fui informada pelos meus guardas, na parte mais distante da floresta, que o Cervo foi avistado perto do pantano. Um lugar perigoso, cheio de Risen, os servos corruptos do Dragão. Eu creio que ele possa ter sido encurralado por essas criaturas.

-Então devo me apressar em salvá-lo!

-Sim, esta é parte da sua jornada, Etherdry. O Cervo Branco é um ser puro, um dos símbolos da magia da floresta. É vital que ele seja mantido à salvo. Mas esteja avisado; sua caminhada não será sem perigos. Os servos do Dragão não devem ser subestimados, e além do mais, o pântano abriga outros perigos. Se seus caminhos se cruzarão, apenas o tempo irá dizer.

-Eu entendo, Mãe. Eu prometo que farei meu melhor para resgatar o Cervo.-Reverenciei a Mãe, e ela se inclinou, beijando minha testa.

-Boa sorte, minha criança. Que minhas bençãos lhe protejam e o tragam de volta em segurança.

Ainda havia perguntas em minha mente, mas o dever me chamava. Peguei meu arco, e saí em minha jornada com meu cão de caça. Começava a primeira parte do meu Sonho.


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“SentiMente” [Semana 02]

Autora: Silvia Verlene

Acordo...
Meu corpo está inerte enquanto mil alterações divagam através das sinapses de meus neurônios. Meu crânio ainda lateja, enquanto minha visão embaçada distingue um pequeno cômodo, semi-escuro e pobre de mobília, além do brilho de RS-3 próximo a mim. O frio de seus dedos metálicos me saúdam a cada toque em minha cabeça enquanto a envolvem com uma camada sutil de Elastano Epitelial. Mesmo ainda zonzo, não é difícil entender o que houve: o chip falhou; outro Chip Mesclado se foi.

No Painel Holográfico à minha frente apresentando o Relatório de Inatividade consta que estive inativo por 2day:7hrs:13min:28sec:100cent Timeline, com uma média de 38 bpm. A exatidão desses números me assusta... Para quem começou com 9 dias inteiros e uma média de 27 bpm de suspensão, estou demorando cada vez menos para me recuperar dos implantes. Isso não é bom! A percepção de estar me adaptando a essas drogas de implantes e me aproximando do que mais fujo é inaceitável! Se isto continuar, em pouco tempo deixarei de existir e não desejo fazê-lo de nenhuma forma: se não for para existir mantendo minha natureza, antes nem ter nascido...

“Matriz Zero”, todos os seres em estado primordial, cuja Alteração Implantária é inexistente... Parece uma piada de mau gosto que, em uma sociedade tão perfeita como esta ainda existam pessoas incapazes de se adaptar aos implantes; alguém como eu.

As lembranças dos tempos de cobaia nos 16 domos pelos quais estive e vivi estes 13 parcos anos vêm à superfície memorial. Nasci um primordial; meu DNA rejeitou todas as tentativas de implantes químicos e nanotecnológicos.  Em um grupo de 57 recém-nascidos, eu era o único “zerado”, não evoluído. Obviamente que não me lembro de tudo o que já fizeram comigo a não ser pelos dados experimentais arquivados em chips de memórias, aos quais nunca tive acesso, mas sei existirem por comporem a documentação de todo Ciborgan. Porém, o que eu lembro juntamente com a memória Ciborgan de RS-3, as cicatrizes em meu corpo maltratado e a fenda sempre mantida aberta em minha cabeça são suficientes para eu ter certeza de que não desejo essa evolução.

Por que sou assim, tão diferente de todos? E por que eu ainda existo? Conforme RS-3, estas são perguntas sem fundamento lógico, porque todos existem pela razão simples de uma necessidade. Então, se assim o é, qual é a minha? A objetividade pode até ser aceitável, mas não a sua frieza e tal lógica é simples demais para que eu a acate naturalmente...

Em meio a esse devaneio privado, uma explosão luminosa invade o ambiente, fazendo-me ser jogado contra RS-3 que me agarra firmemente enquanto embola no chão, direto à uma parede ótica. Sinto nova dor de cabeça, a mesma de quando me inseriam um novo chip. A única coisa de que tenho tempo de pensar antes de gemer é: “Eles nos acharam!”.


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Contos do Amante da Morte [Semana 02]

Autora: Mari-Youko-Sama
Capítulo 01 – Dias de Outono.

Naquela manhã clara e fria, as planícies rubras faziam jus ao nome, tingindo a paisagem em tons escarlate em contraste à respiração pálida esbranquiçada que flutuava no ar.

A movimentação no vilarejo era ativa, os aldeões levavam seus animais para pastar, enquanto eram comercializadas frutas da estação recém-tiradas. Um jovem de cabelos acobreados nos seus vinte anos pausava com um punhado de madeira ao lado de um modesto casebre, fincou o machado num toco e adentrou o local:

– Estou de volta... – com evidente cansaço na voz.

Não houve resposta e era possível ouvir murmúrios em outro cômodo. O rapaz se esgueirou pela casa em passos felinos e se aproximou da área da cozinha, fintando duas crianças abaixadas conversando secretamente em frente a um cesto emborcado. O maior ainda pode ouvir:

– O que fazemos com ele mana? – o menor, em seus seis anos, questionava com seus cabelos arrepiados.

– Não sei, mas o mano não pode saber! – comentou a maior, com seus dez anos, seus cabelos encaracolados castanhos cobriam-lhe as costas

– Parecem estar se divertindo, não é? Marcela? Miguel? – o tom do maior foi audível, os menores titubearam e caíram de bunda no chão, os olhos arregalados e a expressão de susto estampada:

– Mano! Já em casa? Tão cedo! – o tom falso de quem não sabia mentir tomou a voz de Marcela.

– Foi ideia da mana! – dedurou o menor, apontando para irmã.

– Meahw! – um quarto som foi ouvido.

O maior finalmente se abaixou, levantando o cesto, revelando uma figura felina de pelo amarelo acinzentado, grandes orelhas felpudas e sem cauda. Logo a menina se pôs a justificar:

– Ele estava sujo e com fome, eu não ia deixá-lo lá, sozinho! – tomou-lhe nos braços, protegendo-o como se fosse seu filhote.

O maior coçou a cabeça, estava em uma situação difícil, os olhos de seus irmãos menores não fugiam de sua expressão esperando uma resposta positiva. Quando uma quarta voz se juntou à conversa:

– É um lince das montanhas. Os aldeões mataram um por esses dias que estava comendo galinhas. – um jovem de seus quinze anos, com cabelos escuros e olhos esverdeados cortou a cozinha, se aproximando do animal.


– Eu sei, eu fiquei sabendo. – retrucou o irmão maior, agora parecia ser um voto vencido no assunto.

– Podemos ficar com ele? – perguntou a menina com os olhos brilhantes. – Ele perdeu a mãe, assim como nós, mas ele não tem irmãos pra cuidar dele. – a voz era triste.

– Tudo bem, tudo bem. – suspirou resignado. – Vamos cuidar dele, mas terão de alimentá-lo, ele não vai tomar leite toda vida, então terão de ensinar-lhe a caçar, sem ser as galinhas dos aldeões. – levantando-se finalmente e fazendo um afago nos dois irmãos. Em seguida os menores saíram para brincar com o pequeno felino.

– Mas até você acobertando essas peraltices, Matheus? – questionou para o irmão do meio.

– “Os abandonados” têm de se cuidar não é? – o tom foi distante. E o silêncio instaurou-se naquela pequena cozinha.


“Não sou digno de elogios, apenas um ser desesperado agarrando-se àquilo que restou...”.


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