Autora: Silvia Verlene
- Desistência -
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sexta-feira, 20 de junho de 2014
“SentiMente” [Cancelado]
sexta-feira, 13 de junho de 2014
“SentiMente” [Semana 12]
Autora: Silvia Verlene
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Silvia Verlene
sexta-feira, 6 de junho de 2014
“SentiMente” [Semana 11]
Autora: Silvia Verlene
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Silvia Verlene
sexta-feira, 30 de maio de 2014
“SentiMente” [Semana 10]
Autora: Silvia Verlene
Inquietude...
Em meio à declaração dos Implantários de que o mundo agora os pertence, só temo por nosso futuro. Uma caçada aos Humanos foi declarada e me questiono se este é mesmo o fim da Era Humana ou apenas mais um passo em sua história. Segundo o comunicado oficial dos Implantários, não haverá quem consiga escapar dos novos substitutos da humanidade, os Ciborgans. Onde, afinal, chegamos a permitir esse caos de nossa própria extinção? Tudo bem que muito do que criamos era mais para a destruição do que algo realmente criativo, mas chegar ao ponto de vivermos tudo o que assistíamos ou mesmo líamos em obras de ficção já é um grande pesadelo!
Corro para chegar o quanto antes em casa e unir-me à minha esposa para partirmos, nem sei ainda para aonde. Contudo, escondermos-nos agora é a única e mais racional opção; devemos pensar em nossa sobrevivência antes de começarmos a pensar em alguma solução pra essa loucura...
Espero que Lisa já esteja arrumando tudo. Com esse corte das comunicações é impossível sequer enviar uma mensagem de voz automática. E eu que nunca pensei em retrocedermos para um momento temporal em que nem ao menos tínhamos ideia do que era um telefone... Malditos Governantes!
Nas ruas um verdadeiro pandemônio: pessoas correndo de e para todos os lados, gritos desesperados e, pasmo, até pessoas se matando! Será que tudo isso foi apenas um reles golpe para se dizimar uma quantidade relativa de pessoas? E quando eu menos espero, eis que vejo algo incomum: um homem atacando uma criança, tendo sua jaqueta rasgada ao enganchá-la no ferro de um carro recém quebrado, tendo seu braço de metal à mostra: um Ciborgan! Sim, não há como NÃO saber quem são! É uma visão real bem mais assustadora do que minha vã imaginação possa sequer assimilar!
Em poucos segundos de pavor, caio na real e num súbito impulso, sigo correndo em direção ao garoto atacado na tentativa de ajudá-lo. Não entendo de onde me veio tal "coragem", mas alguma coisa naquele ato me instigou um instinto feroz de proteção e só penso que tenha sido pelo filho que Lisa e eu perdemos meses atrás. É como se eu o imaginasse sendo pego por um desses novos pseudo-humanos de metal frio e mortal.
Ao me aproximar, no entanto, nem mesmo tenho tempo de tocá-lo, pois sou impedido por punhos brilhosos que acertam meu peito, jogando-me contra o carro quebrado. Após o impacto, sinto-me sendo suspenso e vejo os mesmos punhos responsáveis por esta segunda ação. Ao levantar o olhar, encaro um rosto familiar, dono daquelas mãos de aço, acompanhados da voz tão conhecida de meu parceiro de empresa: "Sabia que você viria até nós, Karl".
Inquietude...
Em meio à declaração dos Implantários de que o mundo agora os pertence, só temo por nosso futuro. Uma caçada aos Humanos foi declarada e me questiono se este é mesmo o fim da Era Humana ou apenas mais um passo em sua história. Segundo o comunicado oficial dos Implantários, não haverá quem consiga escapar dos novos substitutos da humanidade, os Ciborgans. Onde, afinal, chegamos a permitir esse caos de nossa própria extinção? Tudo bem que muito do que criamos era mais para a destruição do que algo realmente criativo, mas chegar ao ponto de vivermos tudo o que assistíamos ou mesmo líamos em obras de ficção já é um grande pesadelo!
Corro para chegar o quanto antes em casa e unir-me à minha esposa para partirmos, nem sei ainda para aonde. Contudo, escondermos-nos agora é a única e mais racional opção; devemos pensar em nossa sobrevivência antes de começarmos a pensar em alguma solução pra essa loucura...
Espero que Lisa já esteja arrumando tudo. Com esse corte das comunicações é impossível sequer enviar uma mensagem de voz automática. E eu que nunca pensei em retrocedermos para um momento temporal em que nem ao menos tínhamos ideia do que era um telefone... Malditos Governantes!
Nas ruas um verdadeiro pandemônio: pessoas correndo de e para todos os lados, gritos desesperados e, pasmo, até pessoas se matando! Será que tudo isso foi apenas um reles golpe para se dizimar uma quantidade relativa de pessoas? E quando eu menos espero, eis que vejo algo incomum: um homem atacando uma criança, tendo sua jaqueta rasgada ao enganchá-la no ferro de um carro recém quebrado, tendo seu braço de metal à mostra: um Ciborgan! Sim, não há como NÃO saber quem são! É uma visão real bem mais assustadora do que minha vã imaginação possa sequer assimilar!
Em poucos segundos de pavor, caio na real e num súbito impulso, sigo correndo em direção ao garoto atacado na tentativa de ajudá-lo. Não entendo de onde me veio tal "coragem", mas alguma coisa naquele ato me instigou um instinto feroz de proteção e só penso que tenha sido pelo filho que Lisa e eu perdemos meses atrás. É como se eu o imaginasse sendo pego por um desses novos pseudo-humanos de metal frio e mortal.
Ao me aproximar, no entanto, nem mesmo tenho tempo de tocá-lo, pois sou impedido por punhos brilhosos que acertam meu peito, jogando-me contra o carro quebrado. Após o impacto, sinto-me sendo suspenso e vejo os mesmos punhos responsáveis por esta segunda ação. Ao levantar o olhar, encaro um rosto familiar, dono daquelas mãos de aço, acompanhados da voz tão conhecida de meu parceiro de empresa: "Sabia que você viria até nós, Karl".
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Silvia Verlene
sexta-feira, 23 de maio de 2014
“SentiMente” [Semana 09]
Autora: Silvia Verlene
Curioso...
Assim fico ao ouvir aquela voz opulenta, nada infantil, mas proveniente de um ser de tal natureza, ao menos aparente. Em sua forma, é uma criança saudável, de pele escurecida como de uma madeira antiga, porém sem nervuras. O rosto um tanto oval, com linhas suaves, porém destacadas pelas luzes variantes que o percorrem em nítido ritmo frequente. Os olhos são inacreditavelmente esbranquiçados, cujo brilho chega a refletir meu reflexo; parece mais um espelho, no que chego até a lembrar de um antigo ditado humano: “Os olhos são o espelho da alma.” No caso deste garoto, isto se aplica de forma espantosamente literal, apesar de inversa, já que não é ele quem se mostra, mas quem ele enxerga.
Permaneço imóvel ao passo que meu jovem anfitrião aproxima-se, avaliando-me com seu olhar vítreo e suas luzes inseparáveis. Tento me mexer, ainda em vão, o que me traz uma sensação de desconforto e, ao mesmo tempo, de intensa curiosidade. Engraçado eu não sentir medo deste menino e até me sentir incitado em deixar-me avaliar para saber como ele reagirá sobre mim. Paro de tentar me mover, procurando manter um conforto dentro de tal paralisia, enquanto a criança acerca-se de meu corpo inerte.
Sem gestos ou mesmo pressa, o garoto iluminado percorre os arredores de meu corpo, sem tocá-lo, apenas olhando-o de forma aparentemente indiferente, sem nem mesmo emanar qualquer som ou ruído em sua observação. A coisa estranha que sinto é apenas um calor mais intenso nas partes por onde ele passa, entretanto não consigo definir se isto vem exatamente dele ou das luzes que o acompanham, agora em um ritmo mais frenético e mutável, transfigurando-se em cores oscilantes cada vez mais rapidamente.
Ao término de sua primeira volta completa, novamente ele me encara como se me desafiando – eu sinto isto muito certo, só não entendo o porquê, mas sei que vem dele -, no que tento me movimentar novamente, mas ainda sem resultado. O garoto sorri de lado, um sorriso satisfeito, começando uma nova volta:
“Percebo que não consegue reagir à leitura realizada pelas Luzes Âmagas, o que é uma pena, pois imaginei que o Matriz Zero demonstraria mais desafios para mim...”
“Quem ele pensa ser falando assim comigo? Outro Escolar achando-se no direito de me tratar como cobaia...” – meu pensamento não consegue se transformar em verbalização, porém o menino gargalha inusitadamente, agora com uma tonalidade verdadeiramente infantil, em seguida falando sem a voz pomposa de antes:
“Escolar? Você me compara a meros curiosos cheios de orgulho e seguidores cegos de uma crença surreal? Agora eu achei graça!”
“Ele leu meu pensamento? Como assim?...”
“Pare de questionar o desconhecido de forma tão crua, Zero, você sim está se parecendo com um Escolar fazendo isto. Quer respostas? Pois bem, você as terá agora...” – E ele se aproxima ainda me encarando, tocando minha cabeça e inserindo as próprias luzes em minha Entrada Implantar...
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Curioso...
Assim fico ao ouvir aquela voz opulenta, nada infantil, mas proveniente de um ser de tal natureza, ao menos aparente. Em sua forma, é uma criança saudável, de pele escurecida como de uma madeira antiga, porém sem nervuras. O rosto um tanto oval, com linhas suaves, porém destacadas pelas luzes variantes que o percorrem em nítido ritmo frequente. Os olhos são inacreditavelmente esbranquiçados, cujo brilho chega a refletir meu reflexo; parece mais um espelho, no que chego até a lembrar de um antigo ditado humano: “Os olhos são o espelho da alma.” No caso deste garoto, isto se aplica de forma espantosamente literal, apesar de inversa, já que não é ele quem se mostra, mas quem ele enxerga.
Permaneço imóvel ao passo que meu jovem anfitrião aproxima-se, avaliando-me com seu olhar vítreo e suas luzes inseparáveis. Tento me mexer, ainda em vão, o que me traz uma sensação de desconforto e, ao mesmo tempo, de intensa curiosidade. Engraçado eu não sentir medo deste menino e até me sentir incitado em deixar-me avaliar para saber como ele reagirá sobre mim. Paro de tentar me mover, procurando manter um conforto dentro de tal paralisia, enquanto a criança acerca-se de meu corpo inerte.
Sem gestos ou mesmo pressa, o garoto iluminado percorre os arredores de meu corpo, sem tocá-lo, apenas olhando-o de forma aparentemente indiferente, sem nem mesmo emanar qualquer som ou ruído em sua observação. A coisa estranha que sinto é apenas um calor mais intenso nas partes por onde ele passa, entretanto não consigo definir se isto vem exatamente dele ou das luzes que o acompanham, agora em um ritmo mais frenético e mutável, transfigurando-se em cores oscilantes cada vez mais rapidamente.
Ao término de sua primeira volta completa, novamente ele me encara como se me desafiando – eu sinto isto muito certo, só não entendo o porquê, mas sei que vem dele -, no que tento me movimentar novamente, mas ainda sem resultado. O garoto sorri de lado, um sorriso satisfeito, começando uma nova volta:
“Percebo que não consegue reagir à leitura realizada pelas Luzes Âmagas, o que é uma pena, pois imaginei que o Matriz Zero demonstraria mais desafios para mim...”
“Quem ele pensa ser falando assim comigo? Outro Escolar achando-se no direito de me tratar como cobaia...” – meu pensamento não consegue se transformar em verbalização, porém o menino gargalha inusitadamente, agora com uma tonalidade verdadeiramente infantil, em seguida falando sem a voz pomposa de antes:
“Escolar? Você me compara a meros curiosos cheios de orgulho e seguidores cegos de uma crença surreal? Agora eu achei graça!”
“Ele leu meu pensamento? Como assim?...”
“Pare de questionar o desconhecido de forma tão crua, Zero, você sim está se parecendo com um Escolar fazendo isto. Quer respostas? Pois bem, você as terá agora...” – E ele se aproxima ainda me encarando, tocando minha cabeça e inserindo as próprias luzes em minha Entrada Implantar...
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Silvia Verlene
sexta-feira, 16 de maio de 2014
“SentiMente” [Semana 08]
Autora: Silvia Verlene
Repentino...
Este foi o modo como fui retirado da prisão de meu algoz, abordado por braços e garras metálicas flutuantes, tocando-me em todos os pontos de meu corpo, injetando-me diretamente algo quente e posteriormente gélido, queimando minhas entranhas e não me dando nem mesmo tempo de sentir as perfurações. Apenas lembro de gritar e me mover freneticamente, numa tentativa vã de me soltar daquelas coisas. Que agonia!
Em meio a isto, apenas consigo vislumbrar um pouco – quase nada, na verdade- do local atual: enormes salões de metal cristalino, com poucas superfícies disformes; ciborgans inacreditavelmente mais carne do que metal, ao menos aparentemente; imagens flutuantes de vários lugares, como se fossem olhos planos do mundo lá fora, seja lá qual for ou aonde estejamos...
Mal me situo e já não sinto mais meu corpo, apenas entendo estar suspenso por finos feixes de luzes ortocromáticas, envolvendo minha pele, iluminando minhas veias e todo o meu planejamento natural. Sinto-me uma cobaia novamente, uma viva que consegue ver o que se passa consigo, conhecendo, literalmente, seu próprio interior.
Não há sensação, apenas sei que enxergo e respiro, o que indica que o ar aqui é propício à minha natureza. Cobaia de novo, apesar de, dessa vez, estar sendo interessante... Só não sei por quanto tempo!
Em meio a essa nova percepção, é muito interessante observar-me por dentro de maneira literal, vendo cada veia, artéria, nervo, músculo, osso, órgão... Chega a ser belo ver quanto de humano eu tenho e isso me deixa bastante orgulhoso, com uma crescente e contínua certeza de que não sou um deles... Aind... Ah! Espanto esse pessimismo para não estragar o momento. Devo aproveitar aquilo que sou, percebendo-me mais e mais, mesmo que nessa situação de cobaia!
Os feixes diminuem sua frequência de movimentos, mantendo-se, alguns, em partes variadas de meu corpo, enquanto outros deslizam para minha cabeça nua de cabelos e desprotegida da gaze epitelial retirada por nosso capturador. Destes, uma minoria se instaura no ponto em que há a entrada para os implantes... Fico apreensivo, porém não sinto nada. Logo em seguida, as demais posicionam-se à frente de meus olhos, como que se também me observassem, encarando-me... Estranho pensar assim, essas coisas são apenas luzes... Ou será que não?
Fico um tanto desconfiado e desvio o olhar para a esquerda no que mal o faço, já as sinto adentrando meus globos oculares, cegando-me. No mesmo instante, meu corpo até então inativo, estremece, mexendo-se involuntariamente, à medida que começo a fazer gestos e movimentos inicialmente abruptos como o de uma marionete, os quais se estabilizam em seguida. Minha visão começa a retornar, enquanto, gradativamente, sinto meu corpo posicionar-se de pé no chão morno. Após muito piscar, vou delineando uma imagem local em meio ao embaçado, algo ainda disforme, mas que ganha estabilidade com alguns segundos. Assusto-me ao ver um ser desnudo, com luzes variadas percorrendo seu corpo de criança e uma voz que fala:
“Bem-vindo, Matriz Zero!”
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Repentino...
Este foi o modo como fui retirado da prisão de meu algoz, abordado por braços e garras metálicas flutuantes, tocando-me em todos os pontos de meu corpo, injetando-me diretamente algo quente e posteriormente gélido, queimando minhas entranhas e não me dando nem mesmo tempo de sentir as perfurações. Apenas lembro de gritar e me mover freneticamente, numa tentativa vã de me soltar daquelas coisas. Que agonia!
Em meio a isto, apenas consigo vislumbrar um pouco – quase nada, na verdade- do local atual: enormes salões de metal cristalino, com poucas superfícies disformes; ciborgans inacreditavelmente mais carne do que metal, ao menos aparentemente; imagens flutuantes de vários lugares, como se fossem olhos planos do mundo lá fora, seja lá qual for ou aonde estejamos...
Mal me situo e já não sinto mais meu corpo, apenas entendo estar suspenso por finos feixes de luzes ortocromáticas, envolvendo minha pele, iluminando minhas veias e todo o meu planejamento natural. Sinto-me uma cobaia novamente, uma viva que consegue ver o que se passa consigo, conhecendo, literalmente, seu próprio interior.
Não há sensação, apenas sei que enxergo e respiro, o que indica que o ar aqui é propício à minha natureza. Cobaia de novo, apesar de, dessa vez, estar sendo interessante... Só não sei por quanto tempo!
Em meio a essa nova percepção, é muito interessante observar-me por dentro de maneira literal, vendo cada veia, artéria, nervo, músculo, osso, órgão... Chega a ser belo ver quanto de humano eu tenho e isso me deixa bastante orgulhoso, com uma crescente e contínua certeza de que não sou um deles... Aind... Ah! Espanto esse pessimismo para não estragar o momento. Devo aproveitar aquilo que sou, percebendo-me mais e mais, mesmo que nessa situação de cobaia!
Os feixes diminuem sua frequência de movimentos, mantendo-se, alguns, em partes variadas de meu corpo, enquanto outros deslizam para minha cabeça nua de cabelos e desprotegida da gaze epitelial retirada por nosso capturador. Destes, uma minoria se instaura no ponto em que há a entrada para os implantes... Fico apreensivo, porém não sinto nada. Logo em seguida, as demais posicionam-se à frente de meus olhos, como que se também me observassem, encarando-me... Estranho pensar assim, essas coisas são apenas luzes... Ou será que não?
Fico um tanto desconfiado e desvio o olhar para a esquerda no que mal o faço, já as sinto adentrando meus globos oculares, cegando-me. No mesmo instante, meu corpo até então inativo, estremece, mexendo-se involuntariamente, à medida que começo a fazer gestos e movimentos inicialmente abruptos como o de uma marionete, os quais se estabilizam em seguida. Minha visão começa a retornar, enquanto, gradativamente, sinto meu corpo posicionar-se de pé no chão morno. Após muito piscar, vou delineando uma imagem local em meio ao embaçado, algo ainda disforme, mas que ganha estabilidade com alguns segundos. Assusto-me ao ver um ser desnudo, com luzes variadas percorrendo seu corpo de criança e uma voz que fala:
“Bem-vindo, Matriz Zero!”
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Silvia Verlene
sexta-feira, 9 de maio de 2014
“SentiMente” [Semana 07]
Autora: Silvia Verlene
- Sem capítulo nesta semana -
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Silvia Verlene
sexta-feira, 2 de maio de 2014
“SentiMente” [Semana 06]
Autora: Silvia Verlene
Reviravolta...
Luzes incandescentes de um meio insípido de energia aleatória disformemente colorida, em movimentos desconexos nauseantes. Era mesmo pra eu estar tendo toda esta sensação? Tudo o que me lembro acabou de ocorrer e não acredito realmente ter acontecido. Estava tudo certo, apesar do grande risco que corríamos, RS-3 e eu, desde o início, há 6 semanas atrás. A forma como ele me abordou naquele laboratório, apresentou-se e retirou-me de lá tão naturalmente, mesmo que isso parecesse impossível para um ciborgan... Porém, de todos os que já conheci em minha ínfima vida temporal, definitivamente ele foi o único que se mostrou realmente disposto a fazer algo diferente, ajudando a um incomum como eu. E até hoje me pergunto o porquê, uma vez que ele mal diz algo, até fazendo questão de ficar mais calado do que falante, exibindo-me sua voz serena e inacreditavelmente humanizada, apesar de levemente robótica.
"Tudo tem uma razão." - é a única frase que se repete de sua boca quase sempre estática, tanto que, se não fosse por essas poucas palavras, eu diria que ela nem existiria.
Desde o início ele foi um protetor cuidadoso, com objetividade em suas ações, mesmo que estas me machucassem física ou de outra forma qualquer. O fato é que me culpo por ele se encontrar no estado deplorável atual...
Aquela cena ao vê-lo no chão, levantando-se para me proteger e sendo atingido ainda mais gravemente não me sai da mente e este torpor iluminado da viagem pelo portal só me traz ainda mais desconforto e angústia. Será que ele está mesmo aqui também sendo carregado ao meu lado ou tudo foi só uma impressão antes de entrarmos no portal? Ou será que pode ter sido um engodo de nosso inimigo para me deixar ainda mais entregue à captura, na crença de que, com RS-3 ao meu lado, eu ficaria mais seguro e confiante? E por que eu sinto isso quando estou com ele, de verdade? Será que me sinto assim tão solitário?...
Tento definir uma visão de nossa situação, mas não consigo. É muita luz pra minha visão e cabeça ainda dolorida das últimas pancadas. Meu corpo também não consegue se mexer; aliás, neste exato momento, nem sinto que possuo um! A grande questão afora a preocupação com meu parceiro é nosso destino. Pra onde estamos sendo levados? Será que chegamos ao fim de nossa tentativa?
Sinto um forte impacto repentino, como se estivéssemos em alta velocidade e parássemos de uma vez. A luz se torna amena e uniformemente azulada enquanto sinto meu corpo, aos poucos, ainda envolto pelo braço de nosso algoz, percebendo, com alívio, que ele também ainda carrega RS-3 do outro lado. Pixels ainda flutuam às nossas costas quando ouço a voz do ciborgan inimigo:
"Pois bem, meus caros, chegamos!"
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Reviravolta...
Luzes incandescentes de um meio insípido de energia aleatória disformemente colorida, em movimentos desconexos nauseantes. Era mesmo pra eu estar tendo toda esta sensação? Tudo o que me lembro acabou de ocorrer e não acredito realmente ter acontecido. Estava tudo certo, apesar do grande risco que corríamos, RS-3 e eu, desde o início, há 6 semanas atrás. A forma como ele me abordou naquele laboratório, apresentou-se e retirou-me de lá tão naturalmente, mesmo que isso parecesse impossível para um ciborgan... Porém, de todos os que já conheci em minha ínfima vida temporal, definitivamente ele foi o único que se mostrou realmente disposto a fazer algo diferente, ajudando a um incomum como eu. E até hoje me pergunto o porquê, uma vez que ele mal diz algo, até fazendo questão de ficar mais calado do que falante, exibindo-me sua voz serena e inacreditavelmente humanizada, apesar de levemente robótica.
"Tudo tem uma razão." - é a única frase que se repete de sua boca quase sempre estática, tanto que, se não fosse por essas poucas palavras, eu diria que ela nem existiria.
Desde o início ele foi um protetor cuidadoso, com objetividade em suas ações, mesmo que estas me machucassem física ou de outra forma qualquer. O fato é que me culpo por ele se encontrar no estado deplorável atual...
Aquela cena ao vê-lo no chão, levantando-se para me proteger e sendo atingido ainda mais gravemente não me sai da mente e este torpor iluminado da viagem pelo portal só me traz ainda mais desconforto e angústia. Será que ele está mesmo aqui também sendo carregado ao meu lado ou tudo foi só uma impressão antes de entrarmos no portal? Ou será que pode ter sido um engodo de nosso inimigo para me deixar ainda mais entregue à captura, na crença de que, com RS-3 ao meu lado, eu ficaria mais seguro e confiante? E por que eu sinto isso quando estou com ele, de verdade? Será que me sinto assim tão solitário?...
Tento definir uma visão de nossa situação, mas não consigo. É muita luz pra minha visão e cabeça ainda dolorida das últimas pancadas. Meu corpo também não consegue se mexer; aliás, neste exato momento, nem sinto que possuo um! A grande questão afora a preocupação com meu parceiro é nosso destino. Pra onde estamos sendo levados? Será que chegamos ao fim de nossa tentativa?
Sinto um forte impacto repentino, como se estivéssemos em alta velocidade e parássemos de uma vez. A luz se torna amena e uniformemente azulada enquanto sinto meu corpo, aos poucos, ainda envolto pelo braço de nosso algoz, percebendo, com alívio, que ele também ainda carrega RS-3 do outro lado. Pixels ainda flutuam às nossas costas quando ouço a voz do ciborgan inimigo:
"Pois bem, meus caros, chegamos!"
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sexta-feira, 25 de abril de 2014
“SentiMente” [Semana 05]
Autora: Silvia Verlene
Perdido...
Olho preocupado para RS-3, enquanto tento me sair de seu aperto para fazer algo por ele, que sempre me protege. Estou com a náusea ainda presente e parece ainda pior com a situação de ser um inútil nesta hora de tensão intensa e quase insuportável. “Tudo errado, está tudo dando errado... Por quê?...” E, em ter consciência de tudo, não consigo segurar a forte êmese que me acomete...
Em meio à minha reação, percebo a movimentação de RS-3 se levantando à minha frente, postando-se entre mim e nosso algoz remanescente, com um líquido amarelado escorrendo por seu tronco de titânio, exalando um odor que eu definiria como pútrido, apesar de suave e não se tratar de um ser humano, mas que me deixa ainda mais enjoado, piorando o vômito. O ciborgan não demonstra intimidação mesmo com a preparação de meu protetor em posição de embate corporal, seu único recurso no momento. Nesse instante, nosso inimigo prepara outra rajada de energia em seu brilho avermelhado se intensificando na saída da arma de feixes ao passo que mantém-se em nossa direção, firmemente. RS-3 não demora em se lançar sobre ele, com grande velocidade e precisão, deixando respingar seu fluido em mim, mantendo um rastro deste entre nós. A ação é muito fulgaz: RS-3 alcançando o ciborgan, este disparando um feixe que atravessa o corpo de meu parceiro passando por cima de mim com um zunido agudo rápido e iluminando tudo ao redor. Ouço um barulho metálico às minhas costas, no que, ainda nauseado, busco verificar e vejo quando o corpo do outro ciborgan cai perto a mim, sem a cabeça e mostrando uma estrutura complexa de metais, fibras, fios e uma espécie de gel azulado luminescente que escorre pelo chão espelhado do beco.
Estranho, por que um Ciborgan Governamental haveria de atingir seu próprio suposto parceiro apenas para nos capturar? Até seria explicável, afinal, como a falta de pudor na destruição citadina, tal fato poderia ser uma mera consequência da perseguição. Mas, nesse caso, entra uma outra questão: qual a minha real importância para os Implantários se eu, como um reles Matriz Zero não possuo poder para ser uma ameaça ao mundo criado por eles e sua existência vil – ao menos em minha concepção... Tudo o que desejo é viver, mesmo que afastado do que chamam de Alta-Civilização.
Ao virar-me retornando meu foco para meus parceiro e algoz, este já arrasta RS-3 pela cabeça e não demora em me agarrar, com o mesmo braço que segura sua a arma em posição de gancho, suspendendo-me colado ao seu corpo gélido.
“Eu disse para irmos, não foi?” Ele lança um pequeno cubo ao chão que se desmonta, literalmente, em pixels que formam um portal de luz branca.
“Você pensa alto demais; quero uma viagem tranquila.” Sinto minha cabeça pesar e meu corpo desfalecer quando ele arranca o curativo epitelial de minha cabeça com a boca, lançando-me nova dor fina e insuportável antes de entrarmos completamente no portal.
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Perdido...
Olho preocupado para RS-3, enquanto tento me sair de seu aperto para fazer algo por ele, que sempre me protege. Estou com a náusea ainda presente e parece ainda pior com a situação de ser um inútil nesta hora de tensão intensa e quase insuportável. “Tudo errado, está tudo dando errado... Por quê?...” E, em ter consciência de tudo, não consigo segurar a forte êmese que me acomete...
Em meio à minha reação, percebo a movimentação de RS-3 se levantando à minha frente, postando-se entre mim e nosso algoz remanescente, com um líquido amarelado escorrendo por seu tronco de titânio, exalando um odor que eu definiria como pútrido, apesar de suave e não se tratar de um ser humano, mas que me deixa ainda mais enjoado, piorando o vômito. O ciborgan não demonstra intimidação mesmo com a preparação de meu protetor em posição de embate corporal, seu único recurso no momento. Nesse instante, nosso inimigo prepara outra rajada de energia em seu brilho avermelhado se intensificando na saída da arma de feixes ao passo que mantém-se em nossa direção, firmemente. RS-3 não demora em se lançar sobre ele, com grande velocidade e precisão, deixando respingar seu fluido em mim, mantendo um rastro deste entre nós. A ação é muito fulgaz: RS-3 alcançando o ciborgan, este disparando um feixe que atravessa o corpo de meu parceiro passando por cima de mim com um zunido agudo rápido e iluminando tudo ao redor. Ouço um barulho metálico às minhas costas, no que, ainda nauseado, busco verificar e vejo quando o corpo do outro ciborgan cai perto a mim, sem a cabeça e mostrando uma estrutura complexa de metais, fibras, fios e uma espécie de gel azulado luminescente que escorre pelo chão espelhado do beco.
Estranho, por que um Ciborgan Governamental haveria de atingir seu próprio suposto parceiro apenas para nos capturar? Até seria explicável, afinal, como a falta de pudor na destruição citadina, tal fato poderia ser uma mera consequência da perseguição. Mas, nesse caso, entra uma outra questão: qual a minha real importância para os Implantários se eu, como um reles Matriz Zero não possuo poder para ser uma ameaça ao mundo criado por eles e sua existência vil – ao menos em minha concepção... Tudo o que desejo é viver, mesmo que afastado do que chamam de Alta-Civilização.
Ao virar-me retornando meu foco para meus parceiro e algoz, este já arrasta RS-3 pela cabeça e não demora em me agarrar, com o mesmo braço que segura sua a arma em posição de gancho, suspendendo-me colado ao seu corpo gélido.
“Eu disse para irmos, não foi?” Ele lança um pequeno cubo ao chão que se desmonta, literalmente, em pixels que formam um portal de luz branca.
“Você pensa alto demais; quero uma viagem tranquila.” Sinto minha cabeça pesar e meu corpo desfalecer quando ele arranca o curativo epitelial de minha cabeça com a boca, lançando-me nova dor fina e insuportável antes de entrarmos completamente no portal.
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sexta-feira, 18 de abril de 2014
“SentiMente” [Semana 04]
Autora: Silvia Verlene
Vácuo...
Ainda somos atingidos pelo reflexo do lançamento da armadilha subsequente ao alcançarmos a esquina final do primeiro quarteirão em que chegamos. Sem hesitação, RS-3 posiciona-me lateralmente entre seus braços enquanto aproveita a velocidade constante alcançada para fazer das paredes do prédio vítreo ao nosso lado sua pista de atletismo, mantendo-me parcialmente ereto, como se eu estivesse de pé. Com meu parceiro em direção horizontal inicial, apenas busco conforto na nova posição, observando o surgimento de nossos algozes à esquina recém-dobrada. Focados, seguem-nos em crescente velocidade, disparando feixes contra nós. Manobrando de forma a impedir que sejamos atingidos, RS-3 começa a ascender o prédio, mudando completamente nossa rota de fuga do chão para o ar. Apenas sinto suas manobras em um turbilhão de aleatoriedades tão confusas quanto minha própria mente conturbada. Ao topo do prédio, já saltamos para outro menor, entre finas antenas de alumínio e fibra aglomerados, usando-as como rede de proteção para o disparo de mais uma armadilha cupular. Agora só vejo 3 Ciborgans, onde está o quarto?
Pulamos para outro prédio menor, corremos por seu parapeito, saltamos ao suporte ótico do outdoor com a propaganda de um restaurante-bar e suas atrações sedutoras, ao passo que dois dos três perseguidores nos alcançam. Em uma súbita mudança de percurso, RS-3 se deixa aproximar deles, aproveitando a gigante caixa de energia do quarteirão, disposta abaixo do outdoor, como arma, conectando à ela fios roubados das antenas pelas quais passamos, entrelaçando os inimigos em um choque intenso e findável. Estes já eram, só faltam mais dois...
Descemos usando parapeitos, muros e paredões dos prédios ao redor em contínua e desabalada movimentação. Não há tempo a perder a não ser por uma breve sensação incômoda de náusea, a qual mal consigo controlar devido à agitação veloz de RS-3 em sua corrida e acrobacias desvairadas, na tentativa de impedir que sejamos facilmente seguidos. É notória a minha percepção em relação ao desaparecimento de Ciborgans Materiais e Virtuais perambulantes enquanto atravessamos outros em nossa fuga. Se o fazem, é provável que devam algo ao Governo Implantário ou, no mínimo, sejam ativados por chips específicos para medo ou treinamento. Surpreendo-me como, em uma situação desta, nenhum pudor acerca de destruição seja considerado. Por outro lado, repreendo tal surpresa já que o mundo das sensações é um suposto “mito”, também um engodo, assim como toda a vida existente... Se é que eu deveria considerar vida o estado de existência atual em sua complexa simplicidade material, sem essência que não uma simulação do que deveria ser a realidade humana...
Mal desperto de meu devaneio e já nos vemos cercados pelos dois Ciborgans que havíamos perdido de vista. Imediatamente, um deles atira em nossa direção, no que RS-3 não consegue desviar a tempo e é atingido, caindo ao chão ainda me segurando. Vejo o Ciborgan que atirou em nossa direção, ao passo que seu companheiro jaz no chão atingido por seu disparo.
“Vamos!”, ele diz, aproximando-se de nós.
Ir para o próximo capítulo de "SentiMente"
Vácuo...
Ainda somos atingidos pelo reflexo do lançamento da armadilha subsequente ao alcançarmos a esquina final do primeiro quarteirão em que chegamos. Sem hesitação, RS-3 posiciona-me lateralmente entre seus braços enquanto aproveita a velocidade constante alcançada para fazer das paredes do prédio vítreo ao nosso lado sua pista de atletismo, mantendo-me parcialmente ereto, como se eu estivesse de pé. Com meu parceiro em direção horizontal inicial, apenas busco conforto na nova posição, observando o surgimento de nossos algozes à esquina recém-dobrada. Focados, seguem-nos em crescente velocidade, disparando feixes contra nós. Manobrando de forma a impedir que sejamos atingidos, RS-3 começa a ascender o prédio, mudando completamente nossa rota de fuga do chão para o ar. Apenas sinto suas manobras em um turbilhão de aleatoriedades tão confusas quanto minha própria mente conturbada. Ao topo do prédio, já saltamos para outro menor, entre finas antenas de alumínio e fibra aglomerados, usando-as como rede de proteção para o disparo de mais uma armadilha cupular. Agora só vejo 3 Ciborgans, onde está o quarto?
Pulamos para outro prédio menor, corremos por seu parapeito, saltamos ao suporte ótico do outdoor com a propaganda de um restaurante-bar e suas atrações sedutoras, ao passo que dois dos três perseguidores nos alcançam. Em uma súbita mudança de percurso, RS-3 se deixa aproximar deles, aproveitando a gigante caixa de energia do quarteirão, disposta abaixo do outdoor, como arma, conectando à ela fios roubados das antenas pelas quais passamos, entrelaçando os inimigos em um choque intenso e findável. Estes já eram, só faltam mais dois...
Descemos usando parapeitos, muros e paredões dos prédios ao redor em contínua e desabalada movimentação. Não há tempo a perder a não ser por uma breve sensação incômoda de náusea, a qual mal consigo controlar devido à agitação veloz de RS-3 em sua corrida e acrobacias desvairadas, na tentativa de impedir que sejamos facilmente seguidos. É notória a minha percepção em relação ao desaparecimento de Ciborgans Materiais e Virtuais perambulantes enquanto atravessamos outros em nossa fuga. Se o fazem, é provável que devam algo ao Governo Implantário ou, no mínimo, sejam ativados por chips específicos para medo ou treinamento. Surpreendo-me como, em uma situação desta, nenhum pudor acerca de destruição seja considerado. Por outro lado, repreendo tal surpresa já que o mundo das sensações é um suposto “mito”, também um engodo, assim como toda a vida existente... Se é que eu deveria considerar vida o estado de existência atual em sua complexa simplicidade material, sem essência que não uma simulação do que deveria ser a realidade humana...
Mal desperto de meu devaneio e já nos vemos cercados pelos dois Ciborgans que havíamos perdido de vista. Imediatamente, um deles atira em nossa direção, no que RS-3 não consegue desviar a tempo e é atingido, caindo ao chão ainda me segurando. Vejo o Ciborgan que atirou em nossa direção, ao passo que seu companheiro jaz no chão atingido por seu disparo.
“Vamos!”, ele diz, aproximando-se de nós.
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SentiMente,
Silvia Verlene
sexta-feira, 11 de abril de 2014
“SentiMente” [Semana 03]
Autora: Silvia Verlene
Estrondo...
Com a extinção da luminosidade, seguro pelos membros metálicos de RS-3, percebo-o levantando-se com veloz movimento, enquanto outra explosão luminosa nos abarca pela direita. A parede ótica, já não mais resistente, emite um som agudo de fibras óticas rompidas, enquanto a imagem se desfaz em foscas luzes coloridas falhas. Minha cabeça lateja em uma dor lancinante, à medida que meu corpo tremelica em um formigamento paralisante. Nesse meio tempo, RS-3 gira o corpo hábil, jogando-se por uma abertura oval na parede criada pela falha de dados, em meio ao céu iluminado de publicidade noturna, caindo entre textos e gravuras vívidas de propagandas sensitivas. Experimento os sabores doce, azedo, salgado e amargo; sinto os cheiros etéreo, aromático, balsâmico, ambrosíaco, aliáceo, empireumático, caprílico, repulsivo e nauseante; ouço ruídos, falas, músicas de todos os tipos e até mesmo momentos de silêncio; visualizo luzes de imagens aleatoriamente disformes com variantes de todos os padrões; minha pele recebe sensações de esmagamento pelo contato com o ar de temperatura oscilante pelo qual atravessa; o grande impacto se faz presente: chegamos ao chão. Agarrado ao meu parceiro, observo Ciborgans Civis entre prédios e transportes de luz; em poucos segundos de pouso e relaxamento corpóreo, os passos de RS-3 tocam firmes o piso imagético, alterando sua composição visual. Em nosso encalço, 7 Ciborgans Governamentais em alta velocidade descendente, atirando mais 3 bombas de energia. RS-3, sem hesitar, salta para um poste de titânio à frente, em seguida girando o tronco metálico em impulso contrário com direção ao chão, visando as crateras abertas pelas explosões, resguardando-se por suas paredes ainda aquentadas para diminuir a termopercepção de nosso material corpóreo. Três Ciborgans alcançam o chão já se direcionando a nós, enquanto os demais iniciam o modo de desaceleração flutuante, em círculo, no intuito de nos cercar para a prisão cupular, estratégia mais usada para eventos de captura Rebelde Ciborgan. Em sua atitude sempre lógica e planejada, RS-3 toma outro impulso, saltando de cratera em cratera, acelerando a cada metro percorrido, rotacionando de um lado para outro sempre que necessário para aproveitar ao máximo sua composição ciborgue ao fazer as manobras de fuga. Ouço o barulho característico de preparação do lançamento da Armadilha Cúpula quando já estamos saindo da terceira cratera, mas não me alarmo a não ser em olhar para os Ciborgans flutuando, já lançando energia por suas palmas esféricas dentro de nosso raio de alcance. Em um feixe simples de movimento, RS-3 cambalhota atingindo o primeiro inimigo terrestre à direta com um impacto corporal certeiro, cabeceando o segundo à frente e chutando longe o que chegava por trás, aproveitando o refluxo para um ganho de velocidade ainda maior, conseguindo nos tirar do raio de risco. A este momento, os quatro inimigos aéreos já preparam outro lançamento da armadilha, à medida que meu companheiro e eu fugimos rapidamente por entre as construções cibernéticas dos arredores...
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Estrondo...
Com a extinção da luminosidade, seguro pelos membros metálicos de RS-3, percebo-o levantando-se com veloz movimento, enquanto outra explosão luminosa nos abarca pela direita. A parede ótica, já não mais resistente, emite um som agudo de fibras óticas rompidas, enquanto a imagem se desfaz em foscas luzes coloridas falhas. Minha cabeça lateja em uma dor lancinante, à medida que meu corpo tremelica em um formigamento paralisante. Nesse meio tempo, RS-3 gira o corpo hábil, jogando-se por uma abertura oval na parede criada pela falha de dados, em meio ao céu iluminado de publicidade noturna, caindo entre textos e gravuras vívidas de propagandas sensitivas. Experimento os sabores doce, azedo, salgado e amargo; sinto os cheiros etéreo, aromático, balsâmico, ambrosíaco, aliáceo, empireumático, caprílico, repulsivo e nauseante; ouço ruídos, falas, músicas de todos os tipos e até mesmo momentos de silêncio; visualizo luzes de imagens aleatoriamente disformes com variantes de todos os padrões; minha pele recebe sensações de esmagamento pelo contato com o ar de temperatura oscilante pelo qual atravessa; o grande impacto se faz presente: chegamos ao chão. Agarrado ao meu parceiro, observo Ciborgans Civis entre prédios e transportes de luz; em poucos segundos de pouso e relaxamento corpóreo, os passos de RS-3 tocam firmes o piso imagético, alterando sua composição visual. Em nosso encalço, 7 Ciborgans Governamentais em alta velocidade descendente, atirando mais 3 bombas de energia. RS-3, sem hesitar, salta para um poste de titânio à frente, em seguida girando o tronco metálico em impulso contrário com direção ao chão, visando as crateras abertas pelas explosões, resguardando-se por suas paredes ainda aquentadas para diminuir a termopercepção de nosso material corpóreo. Três Ciborgans alcançam o chão já se direcionando a nós, enquanto os demais iniciam o modo de desaceleração flutuante, em círculo, no intuito de nos cercar para a prisão cupular, estratégia mais usada para eventos de captura Rebelde Ciborgan. Em sua atitude sempre lógica e planejada, RS-3 toma outro impulso, saltando de cratera em cratera, acelerando a cada metro percorrido, rotacionando de um lado para outro sempre que necessário para aproveitar ao máximo sua composição ciborgue ao fazer as manobras de fuga. Ouço o barulho característico de preparação do lançamento da Armadilha Cúpula quando já estamos saindo da terceira cratera, mas não me alarmo a não ser em olhar para os Ciborgans flutuando, já lançando energia por suas palmas esféricas dentro de nosso raio de alcance. Em um feixe simples de movimento, RS-3 cambalhota atingindo o primeiro inimigo terrestre à direta com um impacto corporal certeiro, cabeceando o segundo à frente e chutando longe o que chegava por trás, aproveitando o refluxo para um ganho de velocidade ainda maior, conseguindo nos tirar do raio de risco. A este momento, os quatro inimigos aéreos já preparam outro lançamento da armadilha, à medida que meu companheiro e eu fugimos rapidamente por entre as construções cibernéticas dos arredores...
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SentiMente,
Silvia Verlene
sexta-feira, 4 de abril de 2014
“SentiMente” [Semana 02]
Autora: Silvia Verlene
Acordo...
Meu corpo está inerte enquanto mil alterações divagam através das sinapses de meus neurônios. Meu crânio ainda lateja, enquanto minha visão embaçada distingue um pequeno cômodo, semi-escuro e pobre de mobília, além do brilho de RS-3 próximo a mim. O frio de seus dedos metálicos me saúdam a cada toque em minha cabeça enquanto a envolvem com uma camada sutil de Elastano Epitelial. Mesmo ainda zonzo, não é difícil entender o que houve: o chip falhou; outro Chip Mesclado se foi.
No Painel Holográfico à minha frente apresentando o Relatório de Inatividade consta que estive inativo por 2day:7hrs:13min:28sec:100cent Timeline, com uma média de 38 bpm. A exatidão desses números me assusta... Para quem começou com 9 dias inteiros e uma média de 27 bpm de suspensão, estou demorando cada vez menos para me recuperar dos implantes. Isso não é bom! A percepção de estar me adaptando a essas drogas de implantes e me aproximando do que mais fujo é inaceitável! Se isto continuar, em pouco tempo deixarei de existir e não desejo fazê-lo de nenhuma forma: se não for para existir mantendo minha natureza, antes nem ter nascido...
“Matriz Zero”, todos os seres em estado primordial, cuja Alteração Implantária é inexistente... Parece uma piada de mau gosto que, em uma sociedade tão perfeita como esta ainda existam pessoas incapazes de se adaptar aos implantes; alguém como eu.
As lembranças dos tempos de cobaia nos 16 domos pelos quais estive e vivi estes 13 parcos anos vêm à superfície memorial. Nasci um primordial; meu DNA rejeitou todas as tentativas de implantes químicos e nanotecnológicos. Em um grupo de 57 recém-nascidos, eu era o único “zerado”, não evoluído. Obviamente que não me lembro de tudo o que já fizeram comigo a não ser pelos dados experimentais arquivados em chips de memórias, aos quais nunca tive acesso, mas sei existirem por comporem a documentação de todo Ciborgan. Porém, o que eu lembro juntamente com a memória Ciborgan de RS-3, as cicatrizes em meu corpo maltratado e a fenda sempre mantida aberta em minha cabeça são suficientes para eu ter certeza de que não desejo essa evolução.
Por que sou assim, tão diferente de todos? E por que eu ainda existo? Conforme RS-3, estas são perguntas sem fundamento lógico, porque todos existem pela razão simples de uma necessidade. Então, se assim o é, qual é a minha? A objetividade pode até ser aceitável, mas não a sua frieza e tal lógica é simples demais para que eu a acate naturalmente...
Em meio a esse devaneio privado, uma explosão luminosa invade o ambiente, fazendo-me ser jogado contra RS-3 que me agarra firmemente enquanto embola no chão, direto à uma parede ótica. Sinto nova dor de cabeça, a mesma de quando me inseriam um novo chip. A única coisa de que tenho tempo de pensar antes de gemer é: “Eles nos acharam!”.
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Acordo...
Meu corpo está inerte enquanto mil alterações divagam através das sinapses de meus neurônios. Meu crânio ainda lateja, enquanto minha visão embaçada distingue um pequeno cômodo, semi-escuro e pobre de mobília, além do brilho de RS-3 próximo a mim. O frio de seus dedos metálicos me saúdam a cada toque em minha cabeça enquanto a envolvem com uma camada sutil de Elastano Epitelial. Mesmo ainda zonzo, não é difícil entender o que houve: o chip falhou; outro Chip Mesclado se foi.
No Painel Holográfico à minha frente apresentando o Relatório de Inatividade consta que estive inativo por 2day:7hrs:13min:28sec:100cent Timeline, com uma média de 38 bpm. A exatidão desses números me assusta... Para quem começou com 9 dias inteiros e uma média de 27 bpm de suspensão, estou demorando cada vez menos para me recuperar dos implantes. Isso não é bom! A percepção de estar me adaptando a essas drogas de implantes e me aproximando do que mais fujo é inaceitável! Se isto continuar, em pouco tempo deixarei de existir e não desejo fazê-lo de nenhuma forma: se não for para existir mantendo minha natureza, antes nem ter nascido...
“Matriz Zero”, todos os seres em estado primordial, cuja Alteração Implantária é inexistente... Parece uma piada de mau gosto que, em uma sociedade tão perfeita como esta ainda existam pessoas incapazes de se adaptar aos implantes; alguém como eu.
As lembranças dos tempos de cobaia nos 16 domos pelos quais estive e vivi estes 13 parcos anos vêm à superfície memorial. Nasci um primordial; meu DNA rejeitou todas as tentativas de implantes químicos e nanotecnológicos. Em um grupo de 57 recém-nascidos, eu era o único “zerado”, não evoluído. Obviamente que não me lembro de tudo o que já fizeram comigo a não ser pelos dados experimentais arquivados em chips de memórias, aos quais nunca tive acesso, mas sei existirem por comporem a documentação de todo Ciborgan. Porém, o que eu lembro juntamente com a memória Ciborgan de RS-3, as cicatrizes em meu corpo maltratado e a fenda sempre mantida aberta em minha cabeça são suficientes para eu ter certeza de que não desejo essa evolução.
Por que sou assim, tão diferente de todos? E por que eu ainda existo? Conforme RS-3, estas são perguntas sem fundamento lógico, porque todos existem pela razão simples de uma necessidade. Então, se assim o é, qual é a minha? A objetividade pode até ser aceitável, mas não a sua frieza e tal lógica é simples demais para que eu a acate naturalmente...
Em meio a esse devaneio privado, uma explosão luminosa invade o ambiente, fazendo-me ser jogado contra RS-3 que me agarra firmemente enquanto embola no chão, direto à uma parede ótica. Sinto nova dor de cabeça, a mesma de quando me inseriam um novo chip. A única coisa de que tenho tempo de pensar antes de gemer é: “Eles nos acharam!”.
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semana 02,
SentiMente,
Silvia Verlene
sexta-feira, 28 de março de 2014
“SentiMente” [Semana 01]
Autora: Silvia Verlene
Implantação
2.076...
No céu, imagens de diversas propagandas mesclando-se em um caleidoscópio de bits entrelaçados. Arranha-céus com linhas invisíveis conectando informações aleatórias em velocidade quase incontável; nas avenidas, hologramas edificados em proporções exuberantes de um trânsito caoticamente arrumado em linhas coloridamente luminosas; nas calçadas, projetos humanos perambulando, atravessando-se mutuamente, sem nenhuma preocupação aparente. A cidade em sua face seca e fugaz, de ciborgues com desconhecidas origens e destinos. De “carne”, pouco se vê e raramente se toca. O mundo é mais quadrado que redondo, em que chips de todos os tamanhos e funções produzem a existência atual. Aquilo que se pensava impossível para alguns, tornou-se realidade: a Emoção cedeu lugar à Razão em uma porcentagem inacreditavelmente desumana – 90% de Metais, Plásticos, Fibras Óticas, Carbono e tantos outros elementos e materiais.
Afora o calor gerado pela transmissão energética produzida pelas superfícies eletrônicas compositoras do ambiente artificial ao redor, tudo é muito frio. Frio este que se torna ainda pior devido aos inúmeros pontos de escapamento da massa de aquecimento para o exterior do “Domo Residencial”, tornando o lado externo do domo uma ilusão. Apenas os sentidos antes “naturais” acessam o que hoje é denominado de “mundo perfeito”. Não há mais contato carnal de nenhuma natureza... Como disse, algo impensável há poucos anos atrás... O que as tão conservadoras e mesmo inovadoras religiões e filosofias pregavam até o início do século, foi derrubado por um único evento ocorrido em 2.015, o ironicamente denominado “Movimento Implantário”, plagiando a própria História da Humanidade.
Seu objetivo foi extrapolar o que a evolução humana tanto almejava: sua perfeição! Não houve resistência duradoura para isto, afinal, a Tecnologia foi a criação mais efetiva e bem usada pelos antigos humanos, os quais, apesar de, e principalmente por temerem sua extinção, chegaram a este ponto. O conceito “ciborgue” tornou-se mais que uma simples realidade – alcançou a única existência. Daí o nome “Ciborgan”, amálgama elevado de um reles humano ao que hoje rege a existência. É fato compreensível que, em meio a toda essa mudança, o primordial da sociedade humana e uma quantidade significativa desta pereceu. Porém, uma coisa é inegável: a simplicidade da visão de mundo linear é tanta que a manutenção da ordem é um avanço incontestável conquistado pelos Implantários.
Em meio à lembrança desta realidade, vem aquilo que conheci no “Domo Inferior”, de onde fui retirado por Ciborgan RS-3, como “dor” e minha visão embaralha ainda mais as aleatoriedades ao meu redor. Balanço minha cabeça, porém a dor só piora... Apoio-me no metal frio do braço direito RS-3 enquanto meus pés se confundem e impedem meu equilíbrio. RS-3 me apoia, enquanto me sinto pesado e tudo escurece.
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Implantação
2.076...
No céu, imagens de diversas propagandas mesclando-se em um caleidoscópio de bits entrelaçados. Arranha-céus com linhas invisíveis conectando informações aleatórias em velocidade quase incontável; nas avenidas, hologramas edificados em proporções exuberantes de um trânsito caoticamente arrumado em linhas coloridamente luminosas; nas calçadas, projetos humanos perambulando, atravessando-se mutuamente, sem nenhuma preocupação aparente. A cidade em sua face seca e fugaz, de ciborgues com desconhecidas origens e destinos. De “carne”, pouco se vê e raramente se toca. O mundo é mais quadrado que redondo, em que chips de todos os tamanhos e funções produzem a existência atual. Aquilo que se pensava impossível para alguns, tornou-se realidade: a Emoção cedeu lugar à Razão em uma porcentagem inacreditavelmente desumana – 90% de Metais, Plásticos, Fibras Óticas, Carbono e tantos outros elementos e materiais.
Afora o calor gerado pela transmissão energética produzida pelas superfícies eletrônicas compositoras do ambiente artificial ao redor, tudo é muito frio. Frio este que se torna ainda pior devido aos inúmeros pontos de escapamento da massa de aquecimento para o exterior do “Domo Residencial”, tornando o lado externo do domo uma ilusão. Apenas os sentidos antes “naturais” acessam o que hoje é denominado de “mundo perfeito”. Não há mais contato carnal de nenhuma natureza... Como disse, algo impensável há poucos anos atrás... O que as tão conservadoras e mesmo inovadoras religiões e filosofias pregavam até o início do século, foi derrubado por um único evento ocorrido em 2.015, o ironicamente denominado “Movimento Implantário”, plagiando a própria História da Humanidade.
Seu objetivo foi extrapolar o que a evolução humana tanto almejava: sua perfeição! Não houve resistência duradoura para isto, afinal, a Tecnologia foi a criação mais efetiva e bem usada pelos antigos humanos, os quais, apesar de, e principalmente por temerem sua extinção, chegaram a este ponto. O conceito “ciborgue” tornou-se mais que uma simples realidade – alcançou a única existência. Daí o nome “Ciborgan”, amálgama elevado de um reles humano ao que hoje rege a existência. É fato compreensível que, em meio a toda essa mudança, o primordial da sociedade humana e uma quantidade significativa desta pereceu. Porém, uma coisa é inegável: a simplicidade da visão de mundo linear é tanta que a manutenção da ordem é um avanço incontestável conquistado pelos Implantários.
Em meio à lembrança desta realidade, vem aquilo que conheci no “Domo Inferior”, de onde fui retirado por Ciborgan RS-3, como “dor” e minha visão embaralha ainda mais as aleatoriedades ao meu redor. Balanço minha cabeça, porém a dor só piora... Apoio-me no metal frio do braço direito RS-3 enquanto meus pés se confundem e impedem meu equilíbrio. RS-3 me apoia, enquanto me sinto pesado e tudo escurece.
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