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sexta-feira, 25 de julho de 2014

sexta-feira, 18 de julho de 2014

Requiem [Semana 17]

Autora: Natalie Bear
Doutor, Doutor - Parte 2

- Oh! - Rebeca arregalou os olhos - Anotações de meu pai…! - olhou para a expressão inconformada de Lawrence por um momento e então voltou-se a Levine - Isso é ótimo. Talvez eu possa ajudar sim! - respondeu com entusiasmo, aproximando-se do senhor.

- Tem alguma familiaridade com as anotações? - Levine questionou de forma serena, como se a situação não fosse um tanto caótica.

- Rebeca… - Lawrence manifestou-se em um tom repreensivo de voz.
A jovem voltou o olhar para o companheiro:

- Sinto muito me intrometer entre vocês dois, mas acredito que este homem já esteja impondo-se demais em sua vida. - o senhor de meia idade continuou -  Se não fosse por ele nos interrompendo naquele dia, poderíamos ter resolvido o pequeno contratempo com as anotações codificadas.

Lawrence nada disse. Refreou-se a apenas observar o que a moça decidiria, não tinha mais nada para lhe dizer além de tudo o que já fora falado durante os dias de viagem.

Rebeca franziu o cenho e botou-se a pensar sobre o assunto. Não tinha mais opções e o senhor Levine era o único que lhe apresentava uma alternativa naquele momento. Não tinha como saber se era realmente uma pista para o paradeiro de seu pai se não fosse com aquele sujeito.

- Perdoe-me Lawrence, Xerife, mas não tenho outra opção senão aceitar a ajuda do Senhor Levine. - lamentava, dizendo as tristes palavras sentindo o peito apertado.

O companheiro da moça meneou a cabeça positivamente, mantendo o olhar sobre o cachorro preto e branco sentado ao seu lado, observando.

- Excelente escolha, senhorita. -Levine esboçou um sorriso para a moça - Me acompanhe. É melhor levar seus pertences, pois demorará algum tempo para decifrarmos as anotações. Irei alugar um quarto para a senhorita.

- Eu tenho antes um pedido para fazer. - Rebeca o encarou de forma séria e decidida.

- Pode pedir, minha cara.

- Diga para seus homens não ferirem o senhor Lawrence nem Xerife.

- Os senhores ouviram a moça. - Levine dirigiu-se a seus subordinados, que permaneciam quase imóveis às costas de Lawrence, esperando por um comando, exatamente como Xerife.

- Vamos buscar seus pertences. - o senhor de meia idade se adiantou, dando alguns passos para longe do grupo.

Antes de segui-lo, Rebeca voltou-se uma última vez para aquele que lhe ajudara até então:

- Adeus, senhor Lawrence. E obrigada por me acompanhar.

Mais uma vez ele não respondeu e nada fez ate que a dupla virasse a esquina na rua de paralelepipedos e casas rústicas. Lawrence então virou-se para os homens que continuavam com ele, lhe apontando pistolas:

- Atirarão agora? - ele perguntou de modo irônico.

- Bem que eu gostaria. - o homem, que Lawrence imediatamente reconheceu como aquele que lhe ameaçara naquele dia em que botaram os pés no Peru.

O dono do cão ia retrucar quando algo cortou o ar zunindo próximo de seu ouvido, passando por ele e atingindo o homem com quem conversava no peito.

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Requiem [Semana 16]

Autora: Natalie Bear
Doutor, Doutor - Parte 1

Mais um dia se foi. O segundo fazendo questões aqui e ali. Ninguém tinha o conhecimento que necessitavam.

A noite logo chegaria e a dupla sentou no fio da calçada já vazia aparentando estarem exaustos da caminhada que durara o dia todo, exceto Xerife que ainda andava para lá e para cá, com muita energia nas quatro patas.

- Dois dias e nenhuma informação. - a jovem loira suspirou, jogando os ombros para frente - Ninguém sabe de nada. Ele não está aqui…

O sujeito a observou sem dizer nada. Não sabia como ajuda-la naquele momento, não permitiria que Rebeca desistisse.

- Vamos arranjar algo para comermos. - Lawrence levantou-se preguiçosamente e ofereceu a mão para a jovem, mas viu os olhos cor de avelã dela arregalarem-se em sua direção e sentiu algo rígido tocar suas costas.

- Eu estive observando os senhores fazerem perguntas durante esses dois dias. - o sujeito dono da voz aproximou-se pela lateral da moça ainda sentada - Walter não está aqui.

- Senhor Levine? - Rebeca, já assustada pela abordagem repentina dos três homens às costas de seu companheiro de viagem, sobressaltou-se ao ouvir a voz conhecida.

- Senhorita Williams… Se houvesse aceitado minha proposta, em vez de fugir daquele modo rude, já estaria aqui há cinco dias. - explicou serenamente.
Lawrence virou o rosto o suficiente para perceber que desta vez os homens de Levine carregavam consigo pistolas. Xerife encarava os sujeitos apreensivo, entretanto não ousaria reagir se seu dono não lhe desse o comando.

- Por favor, Senhor Levine…! - a moça levantou-se em um pulo - O senhor tem alguma nova informação sobre meu pai?

- Eu já devo ter lhe dito… - o sujeito coçou a barba - A última vez que ouvi o nome dele tinha relação com o lago Titicaca. Estamos longe de lá.

- Por que meu pai estaria em Titicaca se ele veio para pesquisar Vilcabamba? - apontou à sua frente para as montanhas ao fundo.

- As pessoas que querem o artefato devem pertencer àquela região. - a sujeito tirou o óculos do bolso e colocou-o, em seguida buscou o pequeno caderno negro no outro bolso.

- Eu tenho uma pergunta. - Lawrence, visivelmente insatisfeito com o encontro, manifestou-se - Se sabe que estamos aqui há dois dias, por que demorou tanto para nos contatar?

- Estávamos analisando a situação e procurando mais pistas em Vilcabamba. Não há mais nada relevante lá. - respondeu sem tirar os olhos do caderno.

- Vamos para Titicaca! - a moça voltou-se ao companheiro, ignorando a situação e as armas.
Lawrence não disse nada. Baixou o rosto na direção de Xerife.

- Exatamente o que faremos. - Levine respondeu pelo sujeito - Agora deixe meus empregados se entenderem com seu amigo. Venha comigo. No hotel em que estou hospedado tenho algumas anotações que seu pai deixou para trás, mas existem partes em código, Talvez a senhorita saiba como decifrar.

A informação reascendia uma ponta de esperança na desolada jovem.


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sexta-feira, 4 de julho de 2014

Requiem [Semana 15]

Autora: Natalie Bear
Santuário

Foi uma longa viagem. Duas semanas na estrada trocando de carruagem para carro e trem, até que finalmente colocassem os pés em Cuzco, que ficava tão perto de parte das famosas cadeias de montanhas que formam a Cordilheira dos Andes. Rebeca finalmente tinha chegado na cidade que fora indicada na carta que, naquele frio e nublado dia de outono, atravessou a pequena portinhola de correio na porta de sua casa. Lá na tão distante Londres da qual a moça já sentia saudades, mas que não ousaria retornar sem antes encontrar seu pai e levá-lo junto. Com os pés naquela terra, tendo agora tempo para descansar da travessia que fizera em parte do país, Rebeca não sabia qual era o próximo passo que daria. O que deveria esperar, se é que deveria realmente esperar por algo. Encontrava-se em uma encruzilhada da qual desconhecia os caminhos disponíveis. À cada dia sua aflição aumentava e tornava-se difícil fechar os olhos e dormir à noite.

- Vai ficar aí fora? - Lawrence chamou a atenção da jovem, a tirando da profunda e hipnótica linha de pensamentos conturbados em sua mente.

- Eu… Só estou tomando um pouco de ar. - olhou para cima, para o céu estrelado. As estrelas que via nos últimos dias de viagem eram muito mais abundantes que aquelas que conseguia ver de sua terra. Era uma visão magnífica, encantadora.

- Estas pessoas podem não gostar de estarmos aqui fora quando eles estão nos dando um lugar para passar a noite. - apesar das palavras, o sujeito sentou-se no chão, ao lado do banco de madeira que Rebeca usava. Xerife veio logo atrás e colocou-se ao lado de seu dono lambendo-lhe o rosto e abanando a cauda, esperando por alguma ação.

- Então por que está sentando-se aí? - observava-o acariciar o volumoso pelo branco e preto do fiel companheiro.

- Gosto de ver as estrelas antes de dormir. Passava horas olhando para o céu logo antes de ir para a cama quando estava no rancho.

- O rancho… - baixou a cabeça, fitando suas botas pretas sobre o gramado do gentil casal de idosos que lhes oferecera abrigo e comida para aquela noite, após à eles contarem seus fantasmas - Você se recusou a me contar qualquer coisa depois daquele dia na carruagem. - avisou amargamente, voltando a indignar-se. Lawrence já sabia de todo o drama que Rebeca estava passando em sua vida, no entanto ela nada sabia daquele homem que, sem nenhum real bom motivo, continuava a lhe seguir e ajudar.

- Sinto muito. - respondeu… E foi apenas isso.

A moça suspirou, já sabendo que era inútil tentar.

- Agora me resta descobrir o que preciso fazer em Cuzco…

- Investigar.

- Por onde começar? É uma cidade inteira… Só poderei perguntar aleatoriamente as pessoas sobre as últimas expedições arqueológicas à Vilcabamba.

- Então faremos isso amanhã. - respondeu resoluto e deitou-se na grama.

Rebeca franziu o cenho, insegura. Tinha medo continuar e descobrir algo que não gostasse.


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sexta-feira, 27 de junho de 2014

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Requiem [Semana 13]

Autora: Natalie Bear
Fora das Sombras

Demorou horas para que a dupla de estrangeiros conseguisse um bom transporte para Cuzco. Novamente Rebeca e Lawrence não trocaram nenhuma palavra desde que deixaram o porão de fábrica onde tinham encontrado o senhor Levine. Agora estavam em uma carruagem e atravessando locais despovoados onde apenas a grama e ambiente gelado reinavam soberanos. Atravessavam uma estrada de terra acidentada que lhes levariam para uma cidade mais próxima, pois já estava perto de anoitecer e precisavam parar para descansar.

Durante a maior parte do trajeto, Xerife ficou debruçado na janela e observando o caminho que faziam, sua calda quase não parava de se agitar. Já Rebeca estava dividida entre a gratidão que sentia por Lawrence ter a ajudado outra vez, quando não tinham conexão para que ele decidisse se meter, e também estava irritada, pois tinha se intrometido e lhe afastado de Levine, que ofereceu ajuda, que ela precisava, já que pouco sabia sobre o paradeiro do pai. Queria voltar a discutir o assunto, que estava entalado na garganta, mas também sentia receio de inicia-lo. Por isso observava o sujeito com aquele olhar que não conseguia disfarçar, remoendo internamente a discórdia com ele.

- O cocheiro disse que falta pouco para a próxima cidade. - Lawrence iniciou uma conversa após se cansar de ser a vítima do olhar amargurado dela.

- Queria continuar viajando, quanto mais tempo... - parou a frase e suspirou.

- É complicado fazer uma viagem durante a noite. Não estamos em um navio. - mantinha um tom distante assim como seu olhar que vislumbrava a paisagem, enquanto acariciava a cabeça do fiel companheiro, o qual tinha a língua pendendo da boca, como de costume.

- O senhor Levine tinha pessoas trabalhando para ele. Pessoas que poderiam nos ajudar a chegar mais rápido em Cuzco. - elevou o tom da voz, claramente incomodada - Ele tem recursos também e conhece o Peru, ao contrário de nós dois!

- Levine não estava querendo lhe ajudar. - respondeu iresoluto.

- E por que ele iria oferecer ajuda se não pretendia ajudar?

- Pois há algo que você tem… Algo que ele quer, ou que pode ajuda-lo a obter. Eles são sempre assim… Essas pessoas. - respondeu com certo pesar na voz, sem lançar seu olhar de cor celeste na moça contrariada.

- E como você pode ter certeza disso?

- Eu já vi o que pessoas como eles fazem para ter o que querem… Riquezas… Poder… Purificação. - desta vez parecia suas palavras não se dirigiam mais à Rebeca.

- Purificação?

- Eles matam por coisas tão tolas como isso…

- Não. Você está falando besteira, senhor!

- Eu queria estar… Assim Emily, Josh, Lisa e Ben estariam vivos agora… - mesmo com aquele olhar vazio e distante, sua voz demonstrava um pouco de dor e sofrimento e acabaram sendo captados pela jovem, que mudou totalmente de expressão, apreesiva e sentindo-se terrível, apesar de não saber direito o que Lawrence dizia e nem quem eram as pessoas donas daqueles nomes.


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sexta-feira, 13 de junho de 2014

Requiem [Semana 12]

Autora: Natalie Bear
Procurando a Verdade

O local era amplo e muito claro. Várias colunas dispunham-se enfileiradamente e atravessavam toda a extensão do salão, como se formando um largo corredor. As paredes eram decoradas com motivos dourados e esculpidas com desenhos característicos.

Walter estava deslumbrado por todos os magníficos detalhes que encontrava no interior daquele templo tão antigo e misterioso. Seus olhos brilhavam a cada nova pequena descoberta que faziam ali.

- Este é templo de sol. - o homem baixinho que vestia um chapéu muito chamativo e feito de ouro explicou, abrindo os braços e apresentando o senhor WIlliams ao local.

- É muito bonito, senhor. - sua atenção estava mais a frente onde um altar iluminado por raios de sol que provinham de uma abertura circular no teto de pedra.

- Muito. - afirmou com um sorriso orgulhoso, que logo deu lugar a uma expressão séria - Mas ter assuntos importantes para falar com o senhor.

- Eu já sei do que se trata. - baixou a cabeça, como se intimidado pelas palavras daquele homem imponente, que vestia uma túnica longa e branca, contrastando com sua pele marrom.

- Primeiro preciso pedir desculpas de como eles trazem você aqui. Para a nossa cidade. Precisava manter o caminho um segredo. - o homem sentou-se em uma cadeira simples de madeira que estava ao seu lado.
- Eu… Entendo. - Walter esboçou um sorriso amarelo.

- Eu, Huamanpallpa, sou o Senhor desta terra. Eu requeri sua presença. - pousou a mão sobre o peito, logo abaixo do chamativo colar de ouro.

- O senhor desta terra? - Walter Williams alarmou-se e curvou brevemente o pessoço na direção do homem em um sinal de respeito.

 - Sim. - meneou positivamente a cabeça e pigarreou, voltando ao que dizia - O senhor tem nosso Intiq P’uku. Ele esteve perdido por muitos anos e então o senhor achou. O senhor muito competente. Mas Intiq P’uku é um objeto muito perigoso fora de cultura Inca. - fez uma careta severa, enquanto isso ajeitava a capa escura que vestia sobre os ombros.

- Estou ciente disso, senhor Huamanpallpa. - se não houvesse conhecido este homem antes de saber que ele era o dono daquelas terras, talvez o senhor Williams não fosse capaz de pronunciar seu nome tão bem.

- Onde ele está?

- Eu sinto muito, mas eu também temia o que poderia acontecer se descobrissem o que encontrei naquela escavação em Vilcabamba, por isso mandei Intiq P’ukur para minha terra, além dos mares, na Inglaterra. - lamentou-se, baixando a cabeça, arrependendo-se ainda mais de ter tomado aquela decisão precipitada.

- Primeiro, senhor Williams, aquela não é Vilcabamba. Aqui, nossa terra, é Vilcabamba. - respondeu com um travesso sorriso, mesmo com um tom sério.

- A-aqui? Vilcabamba? - sobressaltou-se, deixando sua voz tornar-se alta o suficiente para ecoar pelas paredes do templo - Mas… Então… Que cidade era aquela na qual estávamos escavando e retirando todas aquelas relíquias?

- O povo de Peru a chama de Machu Picchu. A Velha Montanha.


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sexta-feira, 6 de junho de 2014

Requiem [Semana 11]

Autora: Natalie Bear
O Descrente

Com a ruidosa baderna vinda da entrada do porão, o clima tornava-se mais carregado e agitado.

- Senhor Louie, deixe-o entrar antes que destrua tudo aqui. - Levine sugeriu ao sujeito de rosto gorducho.

- Ah… Sim senhor. - ele apressou-se, voltando de onde viera.

- Os dias andam agitados por aqui. - o homem de meia idade confessou para a jovem com um sorrisinho enfadonho.

-  Por favor, senhor Levine - Rebeca continuou, ignorando o barulho e gritaria - Passe-me todas as informações sobre o que aconteceu ao meu pai. Estou desesperada. Tenho que resgatá-lo à tempo! - seus suplicantes olhos de avelã enchiam-se de lágrimas - Ele precisa de mim… E eu preciso do artefato… - murmurou e baixou o olhar, ainda mais desanimada.

- A última vez que o vi ainda estávamos em Vilcabamba. - o sujeito alisou a barba lentamente, aparentando um pouco de nervosismo com o alarde que começava a se cessar - Acredito que nativos tenham o levado para algum lugar mais ao sul, para perto de Titicaca, como disse mais cedo.

Antes que a garota pudesse responder, os dois ouviram latidos reverberando pelas paredes do local.

- Xerife? - Rebeca balbuciou abismada, virando-se na direção do latido.

Poucos segundos depois a animal apareceu correndo na direção dela, sentou-se em sua frente e abanou a cauda com entusiasmo.

- Olá Xerife! - a moça esboçou um sorriso e agachou-se para acariciar sua cabeça, contente de ve-lo novamente.

O cão lambeu o rosto dela em resposta aos afagos.

- Você é o patrão destes desordeiros? - Lawrence, que estava de mãos vazias, aproximou-se deles e dirigiu-se à Levine, seguido de mais cinco homens que vinham em sua cola. Um deles era Louie e outro o homem que usava um chapéu e tinha o abordado na rua mais cedo.

- Sim. - Levine respondeu de forma imponente.

- Comande-os para nos deixar em paz em nossa viagem. - decretou resoluto.

- O senhor veio até aqui por mim? - a senhorita Williams arregalou os olhos em surpresa,  esperançosa e foi respondida por um movimento de cabeça dele.

- Sinto muito por te-los atrapalhado, mas irei recompensa-los pelo transtorno que causei. Me juntarei à vocês na viagem até Cuzco e providenciarei o que necessitarem.

- Oh! Muito obrigada, senhor Levine! - Rebeca agradeceu entusiasmada.

- Não. - Lawrence respondeu, logo depois dela, rispidamente.

- Por que não? - ela exclamou incrédula.

- Não precisamos. - segurou a moça pelo pulso e a arrastou para fora, enquanto Rebeca resmungava reclamando e Xerife os acompanhava.

Senhor Levine estranhou como seus subordinados observavam os dois se retirarem com olhares arregalados, até que o sujeito com chapéu aproximou-se e informou que Lawrence estava armado.

- Senhor Levine ia ajudar! - Rebeca bradou indignada, quando o trio estava fora da fábrica.

- Um homem que lhe sequestra não pode estar querendo ajudar.- resmungou irritado, puxando-a apressadamente para longe. Um minuto bastou para que Lawrence colocasse senhor Levine na lista de não-confiáveis.


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sexta-feira, 30 de maio de 2014

Requiem [Semana 10]

Autora: Natalie Bear
Aviso do Destino

- Meus pulsos ficaram marcados. - Rebeca resmungou enquanto massageava seus pulsos agora libertos e sentava-se a uma mesa no canto do porão junto do senhor Levine.

- Precisamos esclarecer nossos problemas de uma vez por todas, Senhorita Williams. - sentou-se vagarosamente em sua cadeira e pousou as mãos sobre o tampo da mesa - Estou ciente de que sua bagagem, que contem o objeto em questão, está em posse de um estrangeiro. Um americano. A relíquia é muito importante para ficar nas mãos de um desconhecido.

- Como o senhor sabe a nacionalidade dele se nem eu, que conversei com Lawrence, sei? - debruçou-se sobre a mesa, fitando aquele senhor com desconfiança.

- Eu tomei a liberdade de conferir os passageiros do navio em que a senhorita embarcou. - devolveu um olhar sério à moça.

- Como sabe o navio que peguei? - Rebeca aumentou o tom de voz, começando a irritar-se com a prepotência de Levine - Por acaso aqueles sujeitos que me atacaram eram…? - não completou a frase, esperando que ele o fizesse.

- Eu não mandaria foras da lei atrás de uma jovem como a senhorita. - respondeu deixando seu incômodo com a questão levantada transparecer na voz - Eu tinha uma pessoa observando seus movimentos desde após o recebimento daquela carta.

- Então foi o senhor que mandou a carta?

- Não fui eu. Desconheço o autor dela, apenas sei o que nela é pedido. - suspirou.

- Como pode saber de algo assim sem conhecer o autor da carta? - a moça fez uma careta, ansiosa para saber mais sobre aquela história e, principalmente, descobrir onde seu pai estava - O senhor a interceptou?

- Sim. - fitou a moça impaciente com seu olhar cansado - Eu sou encarregado de supervisionar o que é despachado dos sítios arqueológicos e embarca nos navios. - pronunciava aquilo com orgulho - Cometi um erro ao não averiguar o que seu pai mandou para a senhorita e seu tio. - meneou negativamente a cabeça - Quem escreveu a carta quis despacha-la pelo navio que usamos para esse fim, portanto passou por mim e eu não cometi o mesmo erro de antes.

- Então o senhor sabe que eu preciso entregar o artefato à pessoa que escreveu aquela carta. Eu preciso ir para Cuzco para troca-lo por meu pai! - Rebeca agitou-se ao perceber que provavelmente estava perdendo tempo conversando com aquele sujeito, pois precisava viajar o mais rápido possível àquela cidade que ficava distante de onde estavam.

- Sim, eu sei e me sinto culpado pelo ocorrido, por isso ir- - de repente um homem muito alterado e de olhos cor de mel arregalados aproximou-se com muita pressa dos dois, balbuciando palavras inconstantes de forma nervosa:

- Senhor Levine…! - o sujeito de rosto rechonchudo parou para respirar.

- O que está acontecendo? Por que está assim, Louie? - Levine alarmou-se e ergueu-se de seu assento.

- Um homem…! Um homem está causando problemas na entrada…!


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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Requiem [Semana 09]

Autora: Natalie Bear
Corra para as Montanhas

A construção era feita de frias pedras robustas lapidadas em forma de grandes tijolos cinzentos. Os tetos das casas cinzentas eram recobertos por espessas camadas de palha. As entradas em forma de trapézio davam para ambientes muito escuros para quem olhava de fora.

O sujeito em uma das grandes casas encolhia-se sob um cobertor, incomodado por estar exposto ao ar gelado que adentrava todas aquelas aberturas e pelo oxigênio rarefeito que lhe deixava cansado com facilidade. Impaciente, ele levantou-se de sua cama feita de rocha e rumou para o exterior, onde o céu cinza muito claro atrapalhou sua visão. Quando voltou a abrir os olhos percebeu que um grupo de pessoas, que usavam roupas vibrantes e curtas demais, não se importando com o ar frio e ventoso, estavam reunidos em volta de um sujeito muito idoso, repleto de rugas e manchas no rosto moreno, recitando algo em seu tom de voz abafado e muito calmo para os demais. O sujeito que acabara de sair da grande casa, estranho naquela terra fascinante, conhecia o complicado dialeto, mas raramente tivera a chance de ouvi-lo sendo usado. Não lhe era uma tarefa muito fácil compreender o que ali era dito.

Ele olhou para suas costas em busca da posição do sol e percebeu que o astro estava oculto pela parte mais alta do pico branco e gelado que fazia parte de uma cordilheira delas, como se não existisse mais solo plano naquelas terras. A própria aldeia era composta de subidas e descidas, com degraus esculpidos na pedra da montanha abaixo de seus pés. A construção disforme e e complexa do lugar era cativante.

- Você… Melhor? - Uma moça de longos cabelos negros aproximou-se do estranho e fitou-o com seus grandes olhos escuros e curiosos.

- Um pouco melhor. As vezes minha cabeça parece girar. Talvez por estarmos tão acima do solo. - deu uma risada sem graça com a própria constatação tola.

- Estamos no solo. - ela franziu o cenho, não entendendo tudo o que aquele peculiar homem de pele cinzenta dissera.

- Suponho que esteja certa. - depois de mais uma risadinha embaraçosa, o homem de cabelos castanhos virou o rosto, observando melhor cada mínimo detalhe que seus olhos atentos descobriam.

- Homem tolo. - deu uma risada, mas logo mudou de expressão - Li… Líder querer ver você. - apontou para uma enorme construção na região mais alta da cidadezinha, com um formato piramidal.

- Outra vez? - perguntou pensativo, mas deu de ombros - Obrigado pelo aviso, Killimsa. - após despedir-se da moça, ele subiu os pequenos degraus que davam para o templo.

Na porta, parou para observar a estátua do homem de estatura baixa, como se achatado pela gravidade. Eram pequenos e distintos detalhes que lhe chamavam atenção na arte dos antigos povos.

Distraído, o estranho não viu o homem se aproximar, saindo da entrada do templo.

- Ah! Venha comigo, Walter Williams. - o atarracado homem com um estranho capacete dourado chamou-o para a construção animadamente.


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sexta-feira, 16 de maio de 2014

Requiem [Semana 08]

Autora: Natalie Bear
Mandachuva

O Peru era um lugar de temperatura amena, bem diferente da terra árida da qual Lawrence provinha. Era a primeira vez que ele estava em um local assim, de ar tão úmido e agradável, mas isso não impedia de precisar usar o revolver colt que sempre trazia consigo preso na parte traseira de seu cinto, sob o casaco surrado e cinzento.

- Você é louco sacando um revolver no meio da cidade? - o homem de chapéu, logo a frente, reclamou, fazendo uma careta descontente e irritada ao ver o cano metálico da arma apontada para si.

- Só quando me ameaçam. - largou a maleta da moça que carregava consigo.

O sujeito ao fundo guardou a faca, nada contente com aquela ameaça, desferindo um olhar devastador sobre o homem que empunhava a pistola.

- Júlio, não vamos continuar com isso… Não sabendo que esse homem porta uma arma. Podiam ter nos avisado. - o homem loiro com o chapéu grunhiu, dando passos na direção do companheiro sem desviar os olhos de Lawrence e sua arma.

- Tsc. Da próxima viremos preparados para enfrentar um homem armado. - pronunciou-se venenosamente  aquele chamado Júlio, de cabelos escuros e pele morena, além de um sotaque incomum, estampando um sorriso psicótico nos lábios enquanto os dois afastavam-se o suficiente para desaparecer na esquina.

Ao perceber que não corria mais risco de ataque dos malfeitores, Lawrence respirou fundo e guardou a arma, incomodado por não passarem de mais homens contratados para seguirem aquela moça problemática. Acreditava que algum desses meliantes fora responsável pelo sumiço de Rebeca, mas era óbvio que o que escondia naquela bolsa, o tal “espelho” que lhe interessavam.

Ele recuperou a maleta que tinha deixado de lado e assoviou, chamando a atenção do cão e lhe deixando em alerta.

- Encontre. - ordenou com um gesto e Xerife voltou ao trabalho que estava fazendo antes.

***

- O senhor não pode me manter presa aqui! - Rebeca reclamou. ainda tentando soltar os pulsos unidos e amarrados nas costas da cadeira de madeira em que estava - É bem desconfortável. - resmungou - Afinal, o que o senhor está fazendo aqui? O que EU estou fazendo aqui, senhor Levine?

- Nós sabemos o que você está portando, senhorita Rebeca, é perigoso para uma moça  indefesa como você andar sozinha pelo Peru para  resgatar o pai. - pigarreou o homem de idade, sentando-se sobre um barril para conversar com ela, coçando a barba ao observa-la mais de perto - Quero lhe ajudar.

- Me sequestrar, prender em uma cadeira, em um porão, me fazendo perder a bagagem onde o item estava, não é exatamente uma forma de ajudar. - ela o fitou de forma séria, desafiadora e, ao mesmo tempo, desconfiada.

- Tem toda a razão, senhorita. Mesmo assim é o modo mais seguro. Seu pai deveria ter pensado melhor nisso antes de se isolar e acabar deste modo, colocando a vida de sua filha em perigo. Vergonhoso. - meneou a cabeça negativamente.


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sexta-feira, 9 de maio de 2014

Requiem [Semana 07]

Autora: Natalie Bear
Só o Bom Morre Jovem

- E...Espere! Como o senhor sabe meu nome? - Rebeca observou o sujeito à sua frente de uns cinquenta anos, com tufos de cabelo grisalhos nas laterais da cabeça, barba meio longa e de mesma cor, com um nariz chamativo em forma de gancho e olhos cor de chá - Senhor Levine? - a moça espantou-se ao reconhece-lo, ficando perplexa com a figura que não via há uma década - Senhor Levine! - tentou usar os braços para se levantar, acabando por lembrar-se de que estava presa quando não conseguiu move-los.

- Boa tarde, senhorita Williams. A última vez que nos vimos você batia na minha cintura. - gesticulava com as mãos de forma jovial.

- Acho que eu tinha dez anos! - exclamou, sem ainda deixar a surpresa de lado - Meu pai está aqui? Onde ele está? - esticou o pescoço e procurou cheia de expectativas por todo aquele porão que cheirava a mofo, podendo ver pelo menos mais umas cinco pessoas ao fundo, mas nenhuma delas se parecendo com quem procurava.

- Ele não está aqui, acho que levaram-no em algum lugar perto do lago Titicaca. - meneou a cabeça negativamente, ajeitando o terno marrom sobre os ombros franzinos.

- Oh não… - suspirou, perdendo o brilho de esperança nos olhos, mas também retornando à realidade - Afinal, por que estou presa? - novamente tentou separar os braços, sentindo as amarras roçarem na pele de seus pulsos.

- Foi uma medida um tanto exagerada de meus subordinados lhe prender as mãos e cobrir seu rosto.

- Também perdi minha bagagem no caminho por causa desta abordagem violenta de seus subordinados! - reclamou, retesando as sobrancelhas em um olhar recriminador.

- É verdade… Sinto muito por isso.

***

Lawrence continuava seguindo a trilha pela qual Xerife lhe conduzia, enquanto procurava  por mais indícios de que a moça que procurava tinha passado por aquela ruela estreita e vazia, quase um beco entre dois grandes prédios de pedra.

- Espero que você não esteja rastreando comida. - arquejou enquanto seguia o amigo peludo, que não descolava o focinho do chão.

Enquanto atravessavam a rua avistaram dois homens que vinham em sentido contrário e pararam à frente do cachorro, obstruindo seu caminho.

- Passe-me as bagagens e sairá ileso. - manifestou-se o sujeito de chapéu, que segurava um cano metálico. Para a surpresa de Lawrence ele não era peruano, tampouco suas palavras.

- Por quê? - voltou os olhos para o cãozinho, que ao perceber o dono parado retornara ao seu lado e se sentara, esperando a próxima ordem e ignorando os estranhos.

- Solte-as e se afaste. - a sujeito de chapéu deu alguns passos na direção deles, enquanto dava leves batidas na mão com o cano. O estranho que não se manifestara e tinha um lenço azul cobrindo o pescoço, tirou do bolso da calça amarelada um canivete.

Lawrence suspirou, sacando velozmente uma pistola debaixo do casaco cinzento antes que os indivíduos pudessem reagir.

- Dêem-me um bom motivo.


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sexta-feira, 2 de maio de 2014

Requiem [Semana 06]

Autora: Natalie Bear
O Dia Mais Longo

Lawrence recuperou as duas bagagens da mocinha que o acompanhava, a menor resgatou do menino que lhe roubara sem muita dificuldade. O garoto ficara intimidado pelo olhar devorador de almas e aquele cachorro barulhento, que repentinamente aparentava ser um animal muito irritado e perigoso. A maleta maior estava jogada no meio do caminho, sobre a grama que ladeava a rua de paralelepípedos,  mas nenhum sinal dela. O sujeito poderia não conhecer nem saber nada sobre a moça, mas tinha certeza que sumir sem levar a bagagem não era um fato corriqueiro na vida de Rebeca.

- Temos que resolver isso, Xerife. - dono e cão sentaram-se lado a lado, Xerife no gramado e Lawrence sobre a mala reforçada da jovem desaparecida. As pessoas que passavam por eles os olhavam com curiosidade e confusão.

Após suspirar, abriu a bolsa que acabara de salvar, encontrando à primeira vista, papéis, um livro, uma bolsinha e dois tecidos, um escuro e maior e outro branco e pequeno. Ao pegar o que era azul escuro, percebeu que algo circular estava escondido em seu interior. Tirou aquilo ainda enrolado no tecido do interior da bolsa e lembrou-se sobre o objeto que a moça lhe avisara estar ali, um espelho que aparentemente pertencia ao pai dela. Por alguns instantes ficou encarando o tecido escuro, ponderando se deveria dar uma espiada naquilo sem o consentimento de Rebeca, porém logo desistiu e o recolocou na bolsa, puxando de dentro o lenço branco.

- Vamos encontrar a garota. - colocou a alça da bolsa sobre o ombro e aproximou o lenço ao nariz do cão - Encontre. - levantou-se, dando a ordem com firmeza e pousando a mão na cabeça do animal.

Xerife, que ficou ainda mais animado ao cheirar o item e receber o comando, ergueu-se prontamente e começou a farejar o chão, procurando pelo rastro da moça que desaparecera. Não demorou muito até reerguer a cabeça, assumindo posição de alerta e abanando o rabo freneticamente. Tinha encontrado o caminho que deveria seguir.

***

Estava tudo escuro. Algo cobria a cabeça de Rebeca e lhe impedia de enxergar. Ela fora conduzida até um lugar com o ar meio úmido e frio por pessoas desconhecidas que tinham lhe prendido os pulsos com cordas firmes que lhe machucavam. Estava sentada em uma cadeira de madeira muito simples em um lugar estranho e fechado.

- Será que podem tirar isso do meu rosto pelo menos? Eu não gosto de ficar no escuro… - pedia com um tom assustado, sem saber se alguém realmente estava lhe ouvindo.

Logo após seu requerimento a mocinha pôde ouvir passos ecoando pelo ambiente e se aproximando dela. Sentiu aquele tecido sufocante finalmente lhe ser removido do rosto. Demorou um pouco para que a jovem se situasse e percebesse que estava provavelmente um porão de alguma fábrica, pelas peças de maquinários que enxergava à sua volta e as pequenas janelas horizontais próximas ao teto.

O homem ao seu lado pronunciou-se:

- Bem vinda ao Peru, senhorita Rebeca Williams.


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sexta-feira, 25 de abril de 2014

Requiem [Semana 05]

Autora: Natalie Bear
O Fugitivo

- Por que estão parados? - a mocinha esbravejou, incrédula, confusa, arrasada, como se o céu ruísse sobre sua cabeça - Minha bolsa…! - apontava desesperadamente na direção que o menino que tinha lhe roubado tomara.

- Lhe ajudei no navio, mas não sou seu empregado. - Lawrence a encarou com aqueles olhos sempre cansados e distantes, como se vislumbrassem algo além dos olhares comuns.

- M-ma-mas…! Sem a bolsa estou…! - Rebeca desesperou-se, apoiando as mãos sobre a cabeça, desolada.

O sujeito bufou e fitou seu cão, que sentava-se ao lado dele e abanava a cauda peluda freneticamente.

- O que tem na bolsa? - inquiriu seca e diretamente.

- N-na bol…. - a moça respirou fundo, sentindo seus membros se estremecerem - Um… Objeto importante….

- Boa sorte recuperando. - lhe deu as costas, virando-se à movimentada rua do porto.

- Espere…! - Rebeca o segurou pelo casaco cinzento - É um… … Pertence ao meu pai. Ele me entregou… Preciso… N-nunca mais verei papai se…. Se eu não estiver mais com o objeto… - explicava relutante enquanto seus olhos enchiam-se de lágrimas.

O sujeito voltou-se a moça, que encolhera os ombros e baixara a cabeça, cobrindo o rosto com as mãos e soluçando.

- Que objeto?

- Um… Espelho…

- Tenha mais cuidado com a bagagem. - apontou para a mala da jovem e dirigiu-se pelo caminho que o moleque fizera, embora não parecesse ter muita pressa - Xerife, junto. - comandou ao animal que foi alegremente atrás do dono.

Os três começaram a perambular pelas ruelas confusas da região, enquanto Lawrence fazia perguntas em espanhol para os locais, que para Rebeca eram meio parecidos, sul-americanos de pele parda que raramente eram avistados em sua terra natal. Ela os analisava intrigada e até mesmo fascinada. Pouco a pouco deslumbrava-se com a cultura que percebia em cada canto da cidade, o que começava a aquietar seu coração, mesmo que ainda sofresse muito com a possibilidade de falhar em seu derradeiro objetivo. Á medida que avançavam, a mocinha ficava mais cansada de carregar sua mala aqui e acolá, atrás de pistas que Lawrence conseguia com as pessoas com quem conversava. Seus joelhos e ombros estavam desgastados e tornavam mais complexa a tarefa de arrastar a pesada bagagem.

- Precisamos subir por aqui. - apontou para a subida à sua frente, ajeitou a sacola, que era sua bagagem, nas costas e seguiu caminho, acompanhado animadamente por Xerife.

- Já vou! - esbaforia-se, arrastando sua mala ladeira acima, ficando para trás.

Lawrence demorou dez minutos até chegar ao topo da subida, um local abarrotado de pequenos casebres disformes de madeira. Lá avistou um grupo de crianças que gritavam e brincavam. Dentre elas conseguiu ver o menino que procurava, ainda segurando a bolsa daquela senhorita.

- Lá está o moleque. - o sujeito voltou-se para a descida, para reportar à moça, no entanto Rebeca não estava lá e nem em lugar nenhum nas proximidades. A bolsa fora encontrada, entretanto sua dona sumira.


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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Requiem [Semana 04]

Autora: Natalie Bear
Estranho em uma Terra Estranha

O porto era simples, pequeno e antiquado, mas abarrotado de pessoas e navios cargueiros para todos os lados que se olhasse.

Rebeca estava aliviada por sair daquele pedaço flutuante de aço e pisar em terra firme outra vez. Tinha passado as últimas semanas descendo em portos, embarcando nos mais diversos tipos de navio, mas finalmente chegara ao destino final.

Estava seguindo, nos últimos três dias, o misterioso Lawrence, o qual não trocava quase nenhuma palavra com ela. Na verdade falava muito mais com Xerife do que com Rebeca, o que era um tanto irritante e decepcionante para a moça.

Duas noites atrás, sem aparente razão, aquele homem lhe salvara dos sujeitos que lhe seguiam desde que descera nos Estados Unidos, antes de pegar a última embarcação. Depois de uma hora escondida com o cachorrinho monocromático como companhia, Lawrence voltou com alguns hematomas e cortes no rosto, dizendo que os malfeitores não atrapalhariam mais sua viagem. A moça ficou receosa de perguntar o motivo, imaginando coisas horríveis que poderiam ter acontecido, mas deixou a curiosidade de lado, pois estava à salvo graças ao estranho.

Após esgueirar-se por entre várias pessoas, caixotes, redes de pescas e outras coisas, o sujeito chegou ao fim do trapiche e parou, voltando-se para trás.

- Tem fome?

- Sim. - Rebeca respondeu prontamente e só então percebeu que a pergunta fora para o cachorro, que respondera em um latido. Ela cruzou os braços e bufou, irritada.

- Vamos achar onde comer, Xerife.

- Vai continuar falando com o cachorro e me ignorando?- a moça perdeu a paciência e deixou a revolta escapar, mas logo arrependeu-se de te-lo feito -  Sinto muito por isso, foi muito indelicado de minha parte.

Lawrence observou Rebeca e esboçou um sorriso na lateral da boca.

- Do que está rindo? -retesou as sobrancelhas em aborrecimento.

- Seu sotaque.

- Oras. O que tem meu sotaque? - questionou com indignação - O seu americano-mexicano, sei-lá-de-onde é muito estranho também!

O sujeito deu a costas para ela e voltou a caminhada, sendo seguido pelo cãozinho.

- Ei. - correu atrás dele, carregando sua pesada mala em uma mão e a bolsa de couro na outra - Por acaso o senhor sabe onde fica uma cidade chamada Cuzco?

- Não.

- Mas conhece o Peru, certo?

- Não.

- Uhhhh! - coçou a cabeça, surpresa - Pelo menos sabe para onde está indo?

- Não.

Após praguejar ao receber aquela resposta, a mocinha parou, largando mala e bolsa para procurar o mapa na bagagem. Enquanto a abria e vasculhava os bolsos, um menino passou muito rapidamente por ela fazendo-a cair sentada no chão e continuando o caminho pela rua de paralelepípedos.

- Mas que falta de educação! - reclamou levantando-se e ajeitando a saia negra - Espere… - olhou em volta e percebeu que apenas sua mala maior estava ali, a bolsa sumira - Oh não! Minha bolsa! - gritou desesperadamente.

A coisa mais importante que possuía estava naquela bolsa e fora roubada.


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sexta-feira, 11 de abril de 2014

Requiem [Semana 03]

Autora: Natalie Bear
Não Olhe nos Olhos de um Estranho

Aqueles dois outra vez…
O homem pálido, alto, que escondia a o topo quase calvo da cabeça com uma boina de lã e seu companheiro de delitos, mais baixo e de fortes ombros largos, com uma grande e assustadora barba loura espetada em seu rosto marcado por uma feia cicatriz na testa. Eles estavam metros atrás do sujeito que dizia chamar-se Lawrence, porém não ficaram ali por mais do que um minuto. Logo estavam avançando com certa pressa no passo, embora não parecessem interessados em correr até a moça. Talvez por causa do homem e seu cão parados bem no meio, de costas para eles.

Rebeca dava curtos passos para trás, esquecendo-se totalmente que Xerife e seu dono estavam entre ela e os malfeitores. Concentrava-se em procurar no ambiente à sua volta uma forma de escapar deles. Mesmo que corresse o resto do corredor até a parte mais ampla do convés, os homens provavelmente lhe alcançariam, já que não era uma boa corredora. A moça tentou, desesperadamente, abrir a “porta estanque” que estava logo atrás dela, na parede ao seu lado, forçando o giro do volante que a trancava sem sucesso. O objeto de aço não se moveria nem um milímetro.

- P-p-por favor.. Me.. Deixem…Ir... - a mocinha balbuciava em meio ao olhar catatônico, sem mais nenhum resquício de esperança de sair daquela horrível situação.

- Com licença. - o sujeito de boina pousou a mão sobre o ombro de Lawrence que continuava parado no meio do caminho, observando a garota em pânico.

- Não. - com um veloz e inesperado movimento do braço, o estranho de longos cabelos castanhos acertou o cotovelo no pescoço do sujeito que o tocara, conseguindo empurra-lo para longe de seu ombro. O calvo caiu sentado e atordoado, sentindo falta de ar.

O cachorro pareceu reagir ao ato violento do dono, correndo em disparada entre as pernas do meliante que ainda estava em pé, provocando sua queda.

- Xerife! - Lawrence chamou sua atenção, apontou na direção da mocinha às suas costas e assoviou. O cão deu uma meia volta, quase derrapando, e passou correndo velozmente ao lado do malfeitor que derrubara. O barbudo até tentou agarra-lo, para vingar-se do tombo dolorido que teve, mas o dono impediu, chutando o sujeito para trás e liberando a passagem de seu companheiro canino.

- Siga-o. - Lawrence comandou à moça e voltou-se aos sujeitos, que levantavam-se do chão e não demonstravam estar nada contentes com o que acabara de lhes acontecer.

Rebeca sentiu seu corpo petrificar novamente diante dos atos inusitados que presenciava. Suas pernas fraquejavam e relutavam em lhe obedecer e seus olhos não queriam abandonar os três homens que demonstravam estarem prestes a se confrontarem violentamente. Foi com um alto latido de Xerife que a  moça conseguiu retornar a si e reagir, virando o rosto no mesmo momento em que Lawrence sofria um violento golpe no maxilar. Ela seguiu o cãozinho correndo, sem olhar para trás, temendo o que poderia encontrar se o fizesse.


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sexta-feira, 4 de abril de 2014

Requiem [Semana 02]

Autora: Natalie Bear
Quando o Vento Selvagem Sopra

Passos lentos, preguiçosos, reverberavam na couraça do grande navio “paquete” e se aproximavam perigosamente. Os latidos tinham cessado. O cão novamente fitava a moça com seus olhos azuis, investigando-a.

- Saia, clandestino. - a voz rouca e grave comandou com imponência. O sujeito dono dela colocou-se de frente ao canto escuro no qual seu cachorro implicara ter encontrado algo.

A desesperada mocinha tentava ver o rosto daquele à sua frente, uma tarefa muito difícil uma vez que a noite dificultava a visão e o vento constante no convés fazia os cabelos escuros do sujeito dançarem em frente ao seu rosto.

Nenhum dos dois homens que lhe seguiram tinha cabelos longos e castanhos. Talvez aquele que lhe intimava, mesmo com o tom quase agressivo, não representasse realmente perigo para a indefesa donzela.

- Eu… Não sou clandestina. - a tímida e medrosa voz era quase engolida pelos sons distorcidos do metal e da água que com ele se chocava. A mocinha, trêmula e vacilante, ergueu-se de seu sombrio esconderijo, rezando para os deuses de todos os povoados que um dia se estabeleceram nas terras daquele vasto mundo por uma chance de que  o homem não quisesse lhe entregar aos malfeitores.

- O que faz ai, então? - o sujeito inquiriu de forma nada amistosa. Se não estivesse de costas para a luz que a lua gentilmente jogava sobre o navio de aço, talvez seu rosto estivesse exposto agora, como o da moça estava.

- Tem… Dois homens… Estão atrás de mim. - explicava, abraçando firmemente sua bolsa companheira e estreitando os olhos da cor de avelãs para observar melhor as feições ocultas dele.

O estranho nada disse, apenas virou o rosto em direção ao cachorro, que permanecia sentado, contemplando-a atentamente enquanto deixava a língua pender da boca quase sempre aberta.

- Qual seu nome, moça? - pronunciou-se.

- Rebeca... - a garota respondeu um pouco mais amenizada pela mudança de rumo da conversa repentina, mas ainda apreensiva de ser vista ali.

- Xerife. - a figura sombria apontou para o animado cachorro - Lawrence. - levou o braço coberto pela manga cinzenta do casaco ao peito.

- M-muito prazer em conhece-lo, senhor Lawrence. - baixou sutilmente a cabeça, em um retraído cumprimento - E Xerife. - levou a pequena e trêmula mão hesitante à cabeça do cão, afagando-lhe a orelha por breves segundos e foi retribuída com uma molhada lambida nos dedos.

- Vamos. - Lawrence seguiu pelo convés no corredor de onde viera, mas parou e voltou-se para a moça que parecia ter petrificado. Examinava-a em silêncio com seus olhos de um azul pálido quase espectral.

- Hein? - Rebeca arregalou os olhos em confusão, no entanto logo estavam daquele jeito por outro motivo. Atrás do estranho sujeito dono do simpático cãozinho estavam “eles” parados. As silhuetas escuras dos dois homens que assombravam sua viagem. Ambos fitando-a com um sorriso de satisfação, pois tinham encontrado o pequeno ratinho que gostava de se esconder nos buracos escuros daquela embarcação à vapor.


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sexta-feira, 28 de março de 2014

Requiem [Semana 01]

Autora: Natalie Bear
Navegantes

Na noite iluminada pela luz da lua, uma jovem escondia-se em um canto escuro. Com espanto no rosto redondo, a garota puxou debaixo da gola branca um relicário e o abriu, revelando a foto de um senhor com óculos de aro redondo e bigode escuro imponente.

- Não sei o que fazer. - cochichava para a foto - Acho que me seguiram. - abraçou a bolsa de couro que carregava consigo.
- Woof!
- Um cachorro? No navio? - ela tirou a cabeça para fora do esconderijo e procurou pelo animal.

No corredor entre o parapeito e uma parede de aço visualizou a silhueta do animal se aproximando. A moça, amedrontada pela possibilidade do animal estar perseguindo-a, encolheu-se naquele canto escuro e enterrou o rosto na bolsa, desejando o fim daquele pesadelo. Começava a se arrepender profundamente de nunca ter avisado seu tio que iria embarcar nesta viagem tão arriscada e sem garantias.
Os pensamentos foram interrompidos por um bafo quente que tocou seu pescoço e a fez saltar, quase jogando a bolsa para longe.
O cachorro sentava-se ao lado dela, observando-a em silêncio.

- Ca-ca-cachorro! Por favor, não me morda. - suplicava apavorada, com olhos lacrimosos. Voltou a se espremer contra a parede do navio e cobriu-se com a bolsa, que era grande o suficiente para faze-la sumir ali atrás.

Nada aconteceu. A garota levantou a cabeça, confusa, percebendo que o animal preto e branco continuava ali, a encarando e abanando o rabo.

- V-Você está perdido? - com muita cautela esticou o braço trêmulo em direção ao cachorro, tocando os dedos no focinho branco do animal e recolhendo a mão instintivamente quando ele moveu-se para lambe-la.

Segundos depois a amedrontada mocinha reuniu novamente coragem para afundar seus dedos no espesso e macio pêlo do pescoço do animal e o acariciou - Cachorro bonzinho... - esboçou um sorriso em seu semblante assustado.

- Xerife! - repentinamente uma voz rouca se espalhou pelo ambiente e fez o coração da moça bater tão forte que lhe paralisou naquele momento.

Ela podia ouvir os latidos se distanciando.
Tão logo o animal saiu de perto da estranha, passos pesados atravessavam o mesmo corredor em que o cachorro passara. Dois homens andavam ao lado da moça apavorada sem nota-la.
Eram eles! Os homens que tanto temia!
Com os olhos arregalados a jovem cobriu a boca e voltou a se encolher no canto.

- Ei! Você! - um deles exclamou quando já estava do outro lado do corredor - Viu uma moça de cabelos loiros e curtos passar?
- Só tem meu cachorro aqui, senhor. - respondeu a mesma voz rouca de antes.

O homem que fez a pergunta bufou.
 Ouviu-se o tranquilo som das ondas contra o casco por minutos.
Quando a moça julgou seguro levantar-se dali ouviu novamente as apressadas passadas do cachorro se aproximar junto com seus latidos. Ele tinha voltado e agora latia como se quisesse revelar a localização da estranha à todos.
Ela aterrorizou-se. Se fosse descoberta seria seu fim.


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