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sexta-feira, 18 de abril de 2014

Semana 4 + Resultado da semana 3 + Atividade Extra

Semana 4 do MONOBA

A quarta rodada de "novels" está no ar. Esta é a última rodada do mês! Será que eles superarão suas expectativas? Confira nos links a seguir, navegando pelo blog ou nos links que se encontram na aba de cada história.


Neocene II - nanoships: Capítulo 04 : Proxima-mente

Pepper & Donuts: Capítulo 04: Donuts 04: Aquela que eu não desejava mais ver

Nave Fantasma: Sistemas on-line

Filho das Profundezas: Parte 4 - Mergulho

Requiem: Estranho em uma Terra Estranha

Wild Hunt: Capitulo 4: Pesadelo.

"SentiMente" [Semana 04]

Contos do Amante da Morte: Capítulo 03: Aroma floral.


Esta é a última rodada do "mês". Semana que vem teremos, além do vencedor semanal, os melhores escritores do mês de abril. Então não deixe de ler e participar. Cada voto pode mudar o destino dessa batalha. Lembrando que a votação vai até às 23:59 do dia 23 de abril (quarta-feira). Já a quinta rodada de "novels" estará no ar no dia 25 de abril (sexta-feira). Não percam!

Gostaria, também, de agradecer pelas mais de 3 mil visualizações! Seu apoio é muito importante para os escritores e para o MONOBA. Muito obrigada!

Desejo uma boa leitura para todos! Divirtam-se!


Resultado da votação da semana 3

Com um total de 26 votos, orgulhosamente apresentamos os vencedores da semana 3 do MONOBA:

Em primeiro lugar, com 8 votos, a história "Filho das Profundezas", de Marco Fischer.
Em segundo lugar, com 5 votos, a história "Contos do Amante da Morte", de Mari-Youko-Sama (que disputou a colocação com "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm, em votação interna de desempate).
Em terceiro lugar, com 5 votos, a história "Nave Fantasma", de Lucas.

Em seguida temos Pepper & Donuts, de Adriana Yumi (4 votos); "Requiem", de Natalie Bear (4 votos); Wild Hunt, de Marlon Kalango (sem voto); "SentiMente", de Silvia Verlene (sem voto) e Neocene II - nanoships, de Moonlance (sem voto).

Parabéns aos vencedores da semana!
Confiram o ranking geral na aba "Ranking".


Atividade Extra: Homenagem para os escritores

Agora vocês podem ajudar o seu escritor favorito a conquistar ainda mais pontos. A leitora Lil, de 24 anos, já fez sua homenagem à história "Contos do Amante da Morte", garantindo assim 1 ponto extra para a escritora Mari-Youko-Sama. Confira a bela homenagem de Lil clicando aqui.

Também quer fazer uma homenagem para o seu escritor favorito? Visite a aba de "Atividade Extra" e dê uma olhada nas regras. Esperamos pela sua participação!

Neocene II – nanoships [Semana 04]

Autor: Moonlance
Capítulo 04 : Proxima-mente

Alguns meses haviam se passado, e do sistema estelar de Platkus a nano-nave Miho tinha recém saído. A nova almirante, a manager Polly Kennathon, e suas colegas, estavam finalmente no espaço inter-estelar. Miho, em função de seu tamanho particular, podia viajar próximo à velocidade da luz; é claro que para os Pxychomotakkae cziplakton, viajar rapidamente pelo espaço não era algo ainda absolutamente imperioso, afinal de contas, se você nunca envelhece e se sua nutrição é garantida pela absorção de ondas eletromagnéticas dos próprios astros, qualquer pressa em se chegar do outro lado da galáxia precisaria ser melhor justificada. No entanto, os Trobotz tinham de fato aperfeiçoado as viagens espaciais para a Federação Galáctica, embora isso significasse uma desconfortável redução de tamanho – na realidade, uma transposição estrutural.

A nave Miho, agora chamada Neocene II, não tinha muitos aposentos, mas seus ambientes eram amplos ou aconchegantes, dispondo das necessidades essenciais para missões interestelares – inclusive o Planetarium, com a consciência exposta de Miho sendo emitida a partir da complexa esfera magnética. Mas 'Miho' não era somente a nave viva e mecânico-mutante Trobotz com propriedades auto-reparadoras: era também a avatar humanoide baixinha de mesmo nome (Miho), servindo de companhia à pequena tripulação (6 indivíduos) liderada por Polly Kennathon.

De repente, a Neocene II recebia um sinal de média frequência bastante aguardado: há poucas milhares de unidades astronômicas adiante, localizava-se uma gigantesca estrutura; a base-asteroide Nova, que era a fundação regente daquele setor, no limite da navegação segura. Haveria ali um Conselho, e a jovem Polly Kennathon era a representante oficial dos viajantes na velocidade da luz. Imediatamente, entusiasmou-se alegre a Capitã Tess-Stella Kacey – que tinha ficado muito orgulhosa com a sua gradação formal! Estava doida para conhecer presencialmente aquela estação cosmopolita da Federação Galáctica – e estava cansada das 'repetitivas' simulações cibernéticas desenvolvidas na nave com a programação de sua irmã. Mas, para frustração de Tess-Stella, Polly argumentou que aquilo não era 'turismo', e a equipe de contato já havia sido planejada havia semanas! – o que era verdade. Então, restou a Vicki Kirsken, a biologista, que também não compunha tal equipe, reconfortar sua amiga impulsiva.

De antemão, sabiam que a missão trataria de uma estranha ocorrência no Setor DX-587 adjacente: uma grande espaço-nave de tecnologia desconhecida, aparentemente abandonada, estaria a deriva naquele relativamente inóspita região, via de fluxo de poderosos raios cósmicos. A avatar Miho chegou na sala de estar da nave, ladeada por vidraças de polivitrilinta que davam para as estrelas e galáxias, e informou às 6 passageiras num tom monótono:

– Prezados; Orbitaremos a ionosfera da cidade-asteroidade Nova, em 5 horas, 13 minutos.

– Ahahah! MUITO OBRIGADA, Senhorita robô! – brincou Tess-Stella, entretendo-se com o curioso behavior Trobotz; a Capitã mal podia conter o quanto se divertia, como se a cena fosse naturalmente hilariante.

Seu humor contagiante só não afetou Polly, a qual se irritou com sua própria amiga, se levantou e disse brava, já indo embora para seu quarto:

– Ela não é um robô!! Assim, você vai magoá-la...!

– […] Tudo bem. – ainda disse Miho, impassível.


Ir para o próximo capítulo de "Neocene II - nanoships"

Pepper & Donuts [Semana 04]

Autora: Adriana Yumi
Capítulo 04 - Donuts 4: Aquela que eu não desejava mais ver

- E-espere aí!! - grita Misaki, sem entender mais nada e tentando se desgrudar do abraço apertado - Quem é você?! É amiga do meu irmão?
- Vo...você não me reconhece mais, prima?!

A menina dos cabelos vermelhos encara Misaki com uma expressão desapontada, mas sem soltar a garota. Ela era mais baixa que Misaki e seus cabelos enrolados batiam até a altura do ombro, além de possuir uma aparência mestiça. E usava muita maquiagem, combinado com um conjunto de colares e brincos extravagantes, que junto com seu vestido de rendas estampadas, deu a impressão - pelo menos à primeira vista - para Misaki de que acabara de ver aquilo que as revistas de moda pareciam não dizer para fazer.

- Desculpe, mas...eu nunca vi uma menina tão...- Misaki tenta desviar o olhar das roupas  estranhas e finalmente se desgruda do abraço - er....tão....diferente...
- Hehehe! Aahh, sim! Claaaro! Eu estou um pouquinho diferente desde a última vez que nos vimos, não é? Mas sou euzinha! Sua única prima, Aiko!!

Nesse momento, um flashback de memórias inunda a mente de Misaki, como se um filme estivesse passando pela sua cabeça.

- Então, se lembra agora? Nós vivíamos brincando juntas!
- Não...não sei quem é você.
- M-mas...! Prima, nós...
- Eu não tenho prima nenhuma!!

Misaki, de cabeça baixa e sem demonstrar sua verdadeira expressão para Aiko, segue em direção ao seu quarto, andando a passos largos. Aiko tenta seguir Misaki até o quarto, até que ouve uma voz atrás dela a impedindo.

- Aiko, desista. Dê um tempo a ela.

Um rapaz alto, de cabelos azul-escuros e aparência oriental, vestindo um avental de pinguim, entra na sala carregando uma bandeja de chá.

- Mas Masaki...
- Deixe essa cabeça-dura sozinha por um tempo.
- Mas...eu não entendo. O que aconteceu...?
- Lembra quando você foi embora com seus pais pro Japão? Quando ela recebeu a notícia, ficou muito chateada e mentalmente bloqueou toda e qualquer coisa que pudesse ligar à você...mas não imaginava que ela estava escondendo isso até hoje.
- Não pode ser...e-eu sei que ela nunca respondia minhas cartas ou meus telefonemas porque o que fiz pra ela a chateou muito na época mas...mas eu não achava que ela ainda estava guardando esse rancor de mim.
- Minha mãe inventou um monte de desculpas pra não preocupar seus pais e você, mas no fundo ela sabia que não estava nada bem com a Miki. Afinal, não sei se você se lembra mas naquela época, ela era bem diferente.

Aiko abaixa a cabeça, com uma expressão que misturava culpa e tristeza, ao se lembrar da prima na época em que brincavam juntas. Masaki observa em silêncio, enquanto coloca chá em um copo de vidro, ao mesmo tempo em que um tom, quase que de sussurro, sai dos lábios da garota.

- Sim, eu me lembro...eu...fui a primeira amiga que ela teve.


Ir para o próximo capítulo de "Pepper & Donuts"

Nave Fantasma [Semana 04]

Autor: Lucas Suwgamm
Sistemas on-line

Um feixe azul emanava das mãos pequenas e femininas de uma figura miúda, que mantinha seus olhos fechados, concentrando nas informações brotantes em seus pensamentos, no qual, vinham diretamente do seu implante cerebral. Atrás desta imagem imóvel, havia uma maior, quase gigante, e não menos feminina, matinha seus braços cruzados, tiquetaqueando seus dedos.

— Quanto tempo mais vai levar? — Milene estava inquieta, em relação ao tempo de espera. Que já era muito, em sua visão.

— Não é fácil “hackear” um sistema desses, que só está operante com sua energia reserva e com você perguntando toda hora... só atrapalha mais ainda. — Samara milagrosamente mantinha sua concentração diante as insistentes perguntas da sua companheira.

Adiante das duas, era possível avistar Edgar em seu traje espacial preto, encostado em uma parede, também mantinha os seus braços cruzados, no entanto o seu rosto estava virado para cima, olhando para o teto. Do lado dele havia uma porta grande e parcialmente aberta, que continha sinais de arrombamento causados pelo grupo.No corredor adjacente a mesma, havia dois homens conversando.

— Calma Foster, ela está bem. — falava o homem mais baixo e largo, batendo com as mãos no ombro do mais alto.

— Não é Só com a Yukina que estou preocupado, primeiro,  nossos sensores de movimento ficam acusando presenças de algo que nunca aparece. Segundo, nossa comunicação foi cortada e você sabe oque isso quer dizer.... — olhava para Michael,  que mesmo usando capacete ainda era possível ver suas bochechas rosadas.

— Sei, Foster. – respirava fundo, pois era um sujeito de pouca calma – mas nem tudo poder ser o que estamos imaginado, as vezes a fuselagem dessa nave esteja atrapalhando nossa comunicação com a Alvorada e nossos sensores devem estar com problemas. — parou de falar e virou na direção das duas mulheres – Culpa sua Samara … você não faz a manutenção dos nossos equipamentos direito. — Falou com um tom mais alto através do comunicador do seu traje.

– Fique quieto seu boçal!!! Não vê que ela está tentando se concentrar no que está fazendo! — gritou Milene, como uma forma de extravasar toda sua frustração pela falta de ação ate o momento.

— Como que é? Eu sou o tenente aqui e você me deve respeito! — as bochechas de Michael passavam de rosas para vermelhas com o nervosismo.

— Desculpe senhor! — a moça batia continência – tenente das rosquinhas!

— Agora eu vou ai e você vai ver só. — Michael estava pronto para se mexer, quando foi interrompido pela mão de Foster que segurou o seu braço e o olhava com uma expressão  séria de reprovação.

— Dá para ficar quieto vocês dois, assim não vou conseguir terminar de... — Samara interrompeu sua frase e abriu os olhos – pronto terminei! — O fio de luz azulada sai da máquina, no qual estava trabalhando, e retornava lentamente para o buraco na mão do seu traje.

— Bom serviço Samara. Agora religue a força da nave, consequentemente o suporte a vida e a gravidade artificial. — Foster ditava as ordens para a garota  — Se preparem todos! Está na hora de tirarmos estes capacetes.


Ir para o próximo capítulo de "Nave Fantasma"

Filho das Profundezas [Semana 04]

Autor: Marco Fischer
Parte 4 - Mergulho

Antes que o Capitão Faulkner terminasse de se apresentar, o garoto-peixe submergiu em um piscar de olhos, deixando no lugar onde estava apenas algumas bolhas que estouraram apressadamente nas ondulações de seu mergulho. Violka colocou as mãos sobre a cintura e deu um olhar enviesado ao Arauto do Vapor recém-chegado.

-Se saiu muito bem, Sir Faulkner, se assustar o garoto era o que você queria.

-Ah! Francamente, lady Violka! – respondeu o homem com um sorriso esnobe – Você fala como se fôssemos ineptos a ponto de deixar uma descoberta valiosa escapar assim! Antes de pisar nessa ilha nós a sondamos e verificamos a única saída submersa que nela existe. Não preciso dizer que nosso navio está ancorado justamente lá, com um grupo de meus homens a postos para capturar o espécime!

Violka arregalou os olhos, alarmada, e inclinou o corpo para mergulhar, mas foi interrompida pelo som dos marinheiros que seguiam Faulkner engatilhando seus mosquetes de cano duplo, adornados por engrenagens de cobre. Os nativos continuavam assistindo em silêncio, e deram um passo para trás ao verem as armas sendo apontadas.

-Fique onde está! – alertou o capitão em um tom alto, mas polido – Você pode acabar se machucando!

-Está mesmo me ameaçando, Sir Faulkner? – ela indagou encarando o homem com seus olhos negros e brilhantes, de cílios bem delineados. – Os Navegantes da Bruma também são aliados da Coroa, e você sabe o que costuma acontecer com traidores do Império.

-Ohohohoho! Não se exponha a esse ridículo, ‘capitã’! – respondeu risonho e sarcástico o Arauto do Vapor, seu olho de luneta refletindo o olhar irritado de Violka. – Sua esquadra não é mais do que uma feira modorrenta de vadios itinerantes. Vocês não possuem nenhuma autoridade nesse arquipélago, assim como não possuem em lugar algum!

O capitão se virou para dar uma ordem, mas ela foi interrompida pelo passo firme e pesado de Chefe Oke, brandindo sua larga espada koa, uma arma de madeira robusta que no lugar da lâmina tinha fileiras de grandes dentes de tubarão recolhidos respeitosamente nas praias das ilhas.

-Você também não possui autoridade nesse lugar, forasteiro! – disse o chefe tribal com sua voz poderosa – Essa ilha é nosso santuário aos espíritos do mar! Você perturba nossa Ohana com sua invasão!

Os marinheiros mudaram a pontaria de seus rifles para o chefe, que permaneceu impassível embora sua expressão fosse de hesitação. Ainda mais amedrontados, os guerreiros logo atrás tentavam acompanhá-lo, as mãos trêmulas segurando suas lanças rústicas.

Faulkner não teve tempo de ver Violka escapar, aproveitando a distração. Ele disparou com sua própria arma, mas já era tarde demais para conseguir atingi-la com a capitã for de vista na parte profunda do lago salgado. Com um suspiro de frustração, ele voltou seu olho bom para trás, enquanto a luneta que servia de monóculo continuava vasculhando.

-Mervyn! Estamos precisando de sua ajuda homem!

Com um andar vigoroso, um marinheiro enorme e musculoso trajando uma apertada regata e um escafandro surgiu dos arbustos, prestando uma continência e mergulhando com um salto exagerado.


Ir para o próximo capítulo de "Filho das Profundezas"

Requiem [Semana 04]

Autora: Natalie Bear
Estranho em uma Terra Estranha

O porto era simples, pequeno e antiquado, mas abarrotado de pessoas e navios cargueiros para todos os lados que se olhasse.

Rebeca estava aliviada por sair daquele pedaço flutuante de aço e pisar em terra firme outra vez. Tinha passado as últimas semanas descendo em portos, embarcando nos mais diversos tipos de navio, mas finalmente chegara ao destino final.

Estava seguindo, nos últimos três dias, o misterioso Lawrence, o qual não trocava quase nenhuma palavra com ela. Na verdade falava muito mais com Xerife do que com Rebeca, o que era um tanto irritante e decepcionante para a moça.

Duas noites atrás, sem aparente razão, aquele homem lhe salvara dos sujeitos que lhe seguiam desde que descera nos Estados Unidos, antes de pegar a última embarcação. Depois de uma hora escondida com o cachorrinho monocromático como companhia, Lawrence voltou com alguns hematomas e cortes no rosto, dizendo que os malfeitores não atrapalhariam mais sua viagem. A moça ficou receosa de perguntar o motivo, imaginando coisas horríveis que poderiam ter acontecido, mas deixou a curiosidade de lado, pois estava à salvo graças ao estranho.

Após esgueirar-se por entre várias pessoas, caixotes, redes de pescas e outras coisas, o sujeito chegou ao fim do trapiche e parou, voltando-se para trás.

- Tem fome?

- Sim. - Rebeca respondeu prontamente e só então percebeu que a pergunta fora para o cachorro, que respondera em um latido. Ela cruzou os braços e bufou, irritada.

- Vamos achar onde comer, Xerife.

- Vai continuar falando com o cachorro e me ignorando?- a moça perdeu a paciência e deixou a revolta escapar, mas logo arrependeu-se de te-lo feito -  Sinto muito por isso, foi muito indelicado de minha parte.

Lawrence observou Rebeca e esboçou um sorriso na lateral da boca.

- Do que está rindo? -retesou as sobrancelhas em aborrecimento.

- Seu sotaque.

- Oras. O que tem meu sotaque? - questionou com indignação - O seu americano-mexicano, sei-lá-de-onde é muito estranho também!

O sujeito deu a costas para ela e voltou a caminhada, sendo seguido pelo cãozinho.

- Ei. - correu atrás dele, carregando sua pesada mala em uma mão e a bolsa de couro na outra - Por acaso o senhor sabe onde fica uma cidade chamada Cuzco?

- Não.

- Mas conhece o Peru, certo?

- Não.

- Uhhhh! - coçou a cabeça, surpresa - Pelo menos sabe para onde está indo?

- Não.

Após praguejar ao receber aquela resposta, a mocinha parou, largando mala e bolsa para procurar o mapa na bagagem. Enquanto a abria e vasculhava os bolsos, um menino passou muito rapidamente por ela fazendo-a cair sentada no chão e continuando o caminho pela rua de paralelepípedos.

- Mas que falta de educação! - reclamou levantando-se e ajeitando a saia negra - Espere… - olhou em volta e percebeu que apenas sua mala maior estava ali, a bolsa sumira - Oh não! Minha bolsa! - gritou desesperadamente.

A coisa mais importante que possuía estava naquela bolsa e fora roubada.


Ir para o próximo capítulo de "Requiem"

Wild Hunt [Semana 04]

Autor: Marlon Kalango
Capitulo 4: Pesadelo.

Descansei até o meio da tarde na vila dos silenciosos. Minhas feridas já pareciam melhores, e decidi seguir minha jornada. Eu precisava achar o Cervo Branco a qualquer custo, e salvá-lo dos servos do Dragão. Antes de sair da vila, a sylvari a qual havia me ajudado veio até mim para despedir-se e me dar um ultimo aviso.

-Bravo Etherdry, lhe desejo sorte em sua jornada. E, cuidado. Mais à frente você entrará nos domínios do pântano. Risen podem parecer seu maior desafio, mas não são. Há cortesãos do pesadelo lá!

-...! - Não contive minha surpresa. A Corte do Pesadelo são sylvari corrompidos. Eles escolheram renegar o sonho, e abraçar seu lado mais obscuro e maligno, indo para o pesadelo. Eles crêem que os ensinamentos de Ventari desviam os Sylvari de seu real proposito, e querem corromper o Sonho atravéz de seus atos de maldade. Se o Cervo cair nas mãos dos Cortesãos, seria terrível.- Eu devo ir agora, com mais pressa que nunca, então. Obrigado.

-Que a Fonte Abençoada guie seus passos, bravo guerreiro.

Segui floresta adentro. A tarde chegava ao seu fim, e eu sabia que me aventurar pelo pântano à noite seria arriscado. Em meu caminho, ainda lutei contra alguns Risen que espalhavam sua corrupção pela floresta. Então, percebi inquietação em meu cão de caça. Ele sentiu o cheiro de algo diferente. Fui mais além, por cima de um pequeno barranco, e procurei alguma pista. No chão, quase impercptível, pegadas de um animal. Cascos. Poderia finalmente ser o Cervo. Segui a trilha, adentrando enfim no pântano. O odor forte e a água de aparência poluida ao meu redor. Ficava cada vez mais difícil seguir o rastro com tão pouca terra seca.

A noite caiu, e a visibilidade ficou quase nula. Acender tochas aqui seria chamar muita atenção, então tive que contar apenas com a luz do luar. Não havia como buscar rastros assim. Decidi buscar por abrigo para passar a noite, e achei uma caverna. Parei na entrada... Havia luz lá dentro. Ordenei à meu cão que aguardasse do lado de fora, e me encaminhei em passos leves, caverna adentro. A luz ia ficando mais forte, e eu pude ouvir vozes. Espereitei com cuidado, e pude observar duas figuras mais a frente.

-Foi uma sorte e tanto essa captura. A Condessa vai ficar feliz em saber o que estamos levando para ela. - era um Sylvari, sua casca e folhagens em tons escuros.

-Ha! Eu vou levar credito nisso também. Tenho certeza que com isso, o Pesadelo vai se espalhar ainda mais no Sonho. Em breve vamos cumprir nosso real proposito, e libertar a mãe dos ensinamentos tolos do Centauro. - Outro Sylvari, na mesma coloração morbida. Ele deu um tapa em uma grande jaula de galhos.

Eu não fui rápido o suficiente, afinal. Dentro da jaula, estava uma criatura magnífica. sua própria luminescência era o que iluminava a caverna, sua aura de pureza. A Corte do Pesadelo o havia pego. Era o Cervo Branco.


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“SentiMente” [Semana 04]

Autora: Silvia Verlene

Vácuo...
Ainda somos atingidos pelo reflexo do lançamento da armadilha subsequente ao alcançarmos a esquina final do primeiro quarteirão em que chegamos. Sem hesitação, RS-3 posiciona-me lateralmente entre seus braços enquanto aproveita a velocidade constante alcançada para fazer das paredes do prédio vítreo ao nosso lado sua pista de atletismo, mantendo-me parcialmente ereto, como se eu estivesse de pé. Com meu parceiro em direção horizontal inicial, apenas busco conforto na nova posição, observando o surgimento de nossos algozes à esquina recém-dobrada. Focados, seguem-nos em crescente velocidade, disparando feixes contra nós. Manobrando de forma a impedir que sejamos atingidos, RS-3 começa a ascender o prédio, mudando completamente nossa rota de fuga do chão para o ar. Apenas sinto suas manobras em um turbilhão de aleatoriedades tão confusas quanto minha própria mente conturbada. Ao topo do prédio, já saltamos para outro menor, entre finas antenas de alumínio e fibra aglomerados, usando-as como rede de proteção para o disparo de mais uma armadilha cupular. Agora só vejo 3 Ciborgans, onde está o quarto?

Pulamos para outro prédio menor, corremos por seu parapeito, saltamos ao suporte ótico do outdoor com a propaganda de um restaurante-bar e suas atrações sedutoras, ao passo que dois dos três perseguidores nos alcançam. Em uma súbita mudança de percurso, RS-3 se deixa aproximar deles, aproveitando a gigante caixa de energia do quarteirão, disposta abaixo do outdoor, como arma, conectando à ela fios roubados das antenas pelas quais passamos, entrelaçando os inimigos em um choque intenso e findável. Estes já eram, só faltam mais dois...

Descemos usando parapeitos, muros e paredões dos prédios ao redor em contínua e desabalada movimentação. Não há tempo a perder a não ser por uma breve sensação incômoda de náusea, a qual mal consigo controlar devido à agitação veloz de RS-3 em sua corrida e acrobacias desvairadas, na tentativa de impedir que sejamos facilmente seguidos. É notória a minha percepção em relação ao desaparecimento de Ciborgans Materiais e Virtuais perambulantes enquanto atravessamos outros em nossa fuga. Se o fazem, é provável que devam algo ao Governo Implantário ou, no mínimo, sejam ativados por chips específicos para medo ou treinamento. Surpreendo-me como, em uma situação desta, nenhum pudor acerca de destruição seja considerado. Por outro lado, repreendo tal surpresa já que o mundo das sensações é um suposto “mito”, também um engodo, assim como toda a vida existente... Se é que eu deveria considerar vida o estado de existência atual em sua complexa simplicidade material, sem essência que não uma simulação do que deveria ser a realidade humana...

Mal desperto de meu devaneio e já nos vemos cercados pelos dois Ciborgans que havíamos perdido de vista. Imediatamente, um deles atira em nossa direção, no que RS-3 não consegue desviar a tempo e é atingido, caindo ao chão ainda me segurando. Vejo o Ciborgan que atirou em nossa direção, ao passo que seu companheiro jaz no chão atingido por seu disparo.

“Vamos!”, ele diz, aproximando-se de nós.


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Contos do Amante da Morte [Semana 04]

Autora: Mari-Youko-Sama
Capítulo 03 – Aroma floral.

O outono já mostrava sinais de sua partida. Ao lado do casebre onde Marcos vivia. Um amontoado de madeira já cobria uma das paredes do chão ao teto e ele se ocupava partindo outro tronco. Seus dois irmãos menores brincavam junto ao lince das montanhas.

– Vocês três bem que podiam me ajudar! – enxugava o suor enquanto repousava o machado.

– Da outra vez eu fiquei cheio de farpas! – Miguel levantou as pequenas mãos na direção do maior – Ainda tem marcas, ó!

– Se você tomar cuidado, não se machuca, seu bobo! – Marcela ria do irmão enquanto se aproximava das lascas de madeira recolhendo-as com cuidado.

O pequeno se aborreceu e agitava as folhas secas com um graveto, o lince seguia os movimentos com o olhar atento.

– Sem desculpas Miguel, venha ajudar – com tom mais severo na fala.

O menor inflou as bochechas e juntou as sobrancelhas em uma careta infantil, jogou o graveto longe, bateu a poeira e se juntou a irmã no serviço.

O pequeno lince acompanhou o movimento do graveto e correu para entre as árvores.

– Lirou, não! Volta aqui! – Marcela largou os troncos e seguiu atrás do animal até ser parada por seu irmão mais velho

– Fique aqui e continue o serviço, eu vou atrás dele.

A menor acenou positivamente enquanto Marcos se encaminhava por entre a vegetação tentando ver o pequeno animal, o acumulo de folhas em nada ajudava. Quando pensava tê-lo avistado, o ruído de suas passadas logo se afastava.

Caminhou até perder de vista o casebre atrás dele, ao seu redor as árvores e arbustos tomavam conta da paisagem. Ouviu novamente o som das folhas remexidas e se aproximou agilmente:

–Te achei… – teve a fala interrompida ao se deparar com uma mulher de manto escuro, embora usasse um capuz, longos fios dourados de seu cabelo eram visíveis.

“Naquele momento pensei ter visto olhos dourados também, eu me lembro…”

Aos pés daquela figura estranha, Lirou ronronava amistoso, ela respondeu com um sorriso e abaixou-se para acariciar o pequeno. Logo o tomou nos braços, o animal não oferecendo resistência. A estranha se aproximou de Marcos e lhe entregou em mãos o lince:

– Acredito que era este que procurava. – a voz era melodiosa e Marcos teve a certeza de que aquela mulher não era daquele lugar.

– Obrigado – encarou-a, tentando decifrá-la. – Você não é daqui, está perdida por acaso?

– Talvez. – a mulher lhe devolveu um sorriso sorrateiro, mas não o encarou de volta. – Mas se algum dia me encontrar de novo, não serei mais uma estranha. – ela fez uma breve reverência e virou-se, tomando seu próprio caminho.

Marcos já ia lhe perguntar novamente, quando escutou passos vindos em sua direção. Virou-se por um instante e foi tempo suficiente para aquela mulher desaparecer deixando apenas um aroma floral no ar.

– Irmão! – Marcela o chamou, arfando da corrida – o Miguel… – seu rosto estava vermelho e choroso – ele caiu e não quer mais levantar!

“Nascemos sozinhos, mas só vivemos quando podemos estar junto de outros. No entanto, quando morremos, estamos sozinhos novamente.”


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