Semana 7 do MONOBA
A nova rodada de "novels" acabou de ler lançada! Esta semana, infelizmente, não teremos "Neocene II - nanoships" e "SentiMente". Acompanhe essa incrível batalha clicando nos links a seguir, nas abas de cada história ou navegando pelo blog.
Pepper & Donuts: Capítulo 07 - Donuts 7: Segunda chance
Nave Fantasma: Carlos.
Filho das Profundezas: Parte VII - Fumaça.
Requiem: Só o Bom Morre Jovem
Wild Hunt: Capítulo 7: Necromante.
Contos do Amante da Morte: Capítulo 06 – Labaredas de Inverno.
Boa leitura e divirta-se! Lembrando que as votações já estão abertas e irão até às 23:59 do dia 14 de maio (quarta-feira). Participe! Seu voto pode decidir o destino dessa batalha. E não perca a próxima rodada de "novels" no dia 16 de maio (sexta-feira).
Resultado da votação da semana 6
Com 15 votos e um empate triplo, o MONOBA apresenta os ganhadores dessa semana:
Em primeiro lugar, com 4 votos, a história "Filho das Profundezas", de Marco Fischer.
Em segundo lugar, com 4 votos, a história "Requiem", de Natalie Bear.
Em terceiro lugar, com 4 votos, a história "Contos do Amante da Morte", de Mari-Youko-Sama.
OBS: A ordem dos vencedores foi decidida através de votação interna.
Seguidos de "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm (2 votos); "Neocene II - nanoships", de Moonlance (1 voto); "Pepper &Donuts", de Adriana Yumi (sem voto); "Wild Hunt", de Marlon Kalango (sem voto) e "SentiMente", de Silvia Verlene (sem voto).
Parabéns aos vencedores da semana!
Para maiores detalhes da pontuação, visite a aba "Ranking".
Atividade Extra do mês de maio
Que tal dar uma mãozinha extra para o seu escritor favorito? Basta fazer uma ilustração ou uma fanfic para da sua obra favorita. Visite a aba "Atividade Extra" e veja como participar! Lembrando que o tema deste mês é "lembrança". A "Atividade Extra" de maio vai até às 23:59 do dia 21 de maio (quarta-feira).
Você pode conferir todas as homenagens na nossa página do Facebook: www.facebook.com/mobilenovelbattle. Não esqueça de nos curtir para acompanhar todas as novidades!
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sexta-feira, 9 de maio de 2014
Neocene II – nanoships [Semana 07]
Autor: Moonlance
- Sem capítulo nesta semana -
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Pepper & Donuts [Semana 07]
Autora: Adriana Yumi
Capítulo 07 - Donuts 7: Segunda chance
Capítulo 07 - Donuts 7: Segunda chance
Misaki encontrou-se com Akihito, na sala dos professores, depois que as aulas no primeiro período da manhã terminaram. O professor ofereceu um misto quente para Misaki antes de iniciar a conversa com a garota.
- Miki, pegue isso. Fiquei sabendo do aluno novo, o Nathan, que você estava com fome essa manhã.
- Ah, não precisava, tio...
Os pensamentos interiores de Misaki queriam a todo custo esganar Nathan e sua língua afiada. Antes que pudesse pensar em mais maneiras de se vingar do garoto, o tio sentou-se numa das poltronas e iniciou a conversa, com um ar bastante sério.
- Fiquei sabendo que a Aiko vai morar na sua casa.
- Sim...minha mãe contou pra mim ontem à noite.
- Também fiquei sabendo da sua mãe que você não recebeu muito bem a notícia. Misaki, você ainda está com rancor da sua prima?
- N-não é bem rancor, eu só não posso mais confiar numa pessoa que quebrou uma promessa comigo.
- Sabe, as pessoas estão sempre errando. Por mais que a gente tente, nunca vamos ser perfeitos, e aprender a perdoar o erro de uma pessoa é o primeiro passo. Claro que tem coisas que não tem como dar uma segunda chance, mas você não concorda comigo que não foi culpa da Aiko?
Misaki permaneceu quieta e com a cabeça baixa, sem ao menos tocar no misto quente.
- Os pais dela precisavam ir pro Japão, estavam sem condições financeiras de criar a filha aqui. Talvez na época fosse complicado de entender porque crianças costumam levar muito a sério qualquer tipo de promessa que fazem a elas, mas agora que se passou todo esse tempo...não acha que é tempo demais pra ficar segurando tanto rancor?
- N-não sei, tio...
- A partir da semana que vem, sua prima vai começar a frequentar essa escola também.
- Sim...o Masaki comentou algo hoje de manhã.
- E...
Akihiko pausou a conversa nesse momento, ao se lembrar de algo desagradável para perguntar à Misaki. Nesse momento, o rapaz baixou os olhos e fitou o chão, pressentindo a resposta que a garota iria dar.
- ...e seu pai...ele já falou com você sobre isso?
- Ainda não...é regra lá de casa, se eu faço algo de errado meu pai espera um dia pra me dar sermão. Então hoje à noite terei que ouvir poucas e boas dele, mas tudo bem...já estou acostumada com isso.
- Misaki...
A conversa foi interrompida por um aluno que estava em frente à porta dos professores, e que pareceu ter ouvido boa parte da conversa.
- Olá, Abel! Algum problema?
- Professor Akihiko, precisava falar com a diretora. Ela está?
Ir para o próximo capítulo de "Pepper & Donuts"
- Miki, pegue isso. Fiquei sabendo do aluno novo, o Nathan, que você estava com fome essa manhã.
- Ah, não precisava, tio...
Os pensamentos interiores de Misaki queriam a todo custo esganar Nathan e sua língua afiada. Antes que pudesse pensar em mais maneiras de se vingar do garoto, o tio sentou-se numa das poltronas e iniciou a conversa, com um ar bastante sério.
- Fiquei sabendo que a Aiko vai morar na sua casa.
- Sim...minha mãe contou pra mim ontem à noite.
- Também fiquei sabendo da sua mãe que você não recebeu muito bem a notícia. Misaki, você ainda está com rancor da sua prima?
- N-não é bem rancor, eu só não posso mais confiar numa pessoa que quebrou uma promessa comigo.
- Sabe, as pessoas estão sempre errando. Por mais que a gente tente, nunca vamos ser perfeitos, e aprender a perdoar o erro de uma pessoa é o primeiro passo. Claro que tem coisas que não tem como dar uma segunda chance, mas você não concorda comigo que não foi culpa da Aiko?
Misaki permaneceu quieta e com a cabeça baixa, sem ao menos tocar no misto quente.
- Os pais dela precisavam ir pro Japão, estavam sem condições financeiras de criar a filha aqui. Talvez na época fosse complicado de entender porque crianças costumam levar muito a sério qualquer tipo de promessa que fazem a elas, mas agora que se passou todo esse tempo...não acha que é tempo demais pra ficar segurando tanto rancor?
- N-não sei, tio...
- A partir da semana que vem, sua prima vai começar a frequentar essa escola também.
- Sim...o Masaki comentou algo hoje de manhã.
- E...
Akihiko pausou a conversa nesse momento, ao se lembrar de algo desagradável para perguntar à Misaki. Nesse momento, o rapaz baixou os olhos e fitou o chão, pressentindo a resposta que a garota iria dar.
- ...e seu pai...ele já falou com você sobre isso?
- Ainda não...é regra lá de casa, se eu faço algo de errado meu pai espera um dia pra me dar sermão. Então hoje à noite terei que ouvir poucas e boas dele, mas tudo bem...já estou acostumada com isso.
- Misaki...
A conversa foi interrompida por um aluno que estava em frente à porta dos professores, e que pareceu ter ouvido boa parte da conversa.
- Olá, Abel! Algum problema?
- Professor Akihiko, precisava falar com a diretora. Ela está?
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semana 07
Nave Fantasma [Semana 07]
Autor: Lucas Suwgamm
Carlos.
Uma gota fria escorria pelo rosto juvenil de Foster, seus olhos castanhos demostravam pavor, enquanto os mantinha fixado naquela figura de meia idade parado na sua frente o encarando, não conseguia pensar em uma saída, muito menos em algum plano mirabolante, sentia como um rato acoado por seu predador. Só conseguiu olhar calado para os seus companheiros. Não era preciso dizer nada só sua expressão já tinha o significado da derrota.
— Quem é você? — indagou o capitão de cabelos curtos e dourados, quando voltou o seu olhar para o sujeito que o derrotou.
— Quem eu sou? Hummm...— Olhou para o teto enquanto coçava o seu rosto levemente envelhecido – Eu sou uma sombra somente – deu uma piscadela para Foster.
O capitão da União fez uma expressão desgostosa pela resposta recebida – não foi isso que perguntei, mas sim um nome. — conhecia a há pouco tempo esse novo ser, mas já estava começando a odiar ele.
— Qual a importância em saber o meu nome? — se posicionou de frente para Foster — O que é um nome? — jogou as mãos para trás do corpo, agarrando a palma da mão direita com a esquerda, deixando os braços sobre as costas enquanto andava - E só mais um dos inúmeros rótulos sem importância que você recebe durante a sua vida.
O jovem conquistado tentava manter a calma e uma postura firme, realmente odiava pessoas com esse tipo de personalidade e não queria deixar aquele homem barbudo na sua frente tirar proveito disso – E qual seira o seu “rotulo”? Só por curiosidade - olhou friamente para o homem a sua frente.
O mesmo só deu um leve sorriso perante aquele olhar penetrante – Sou conhecido por diversos nomes e apelidos, tais quais “o ceifador da revolução”, “o Homem sem alma” e entre outros que a União e o seu povo iludido me deram.
– Carlos...– Foster ficou branco por um momento. – o Homem sem rosto...
– Sou conhecido por esse nome também – posou a mão no ombro do soldado da União – Não precisa ficar tão assutado assim capitão Jhon Foster – piscou novamente para o capitão.
– Como você sabe quem sou eu? – rapidamente afastou a mão de Carlos do seu ombro.
— Eu sei tudo sobre você e eles – apontou com a cabeça para o restante do grupo – seus perfis psicológicos, suas qualidades físicas, seus vícios... e sua busca – notou as feições serias do homem a sua frente – Você veio por algo de grande valor, assim como eu. — deus as costas para o capitão e andou na direção de Milene.
— Por que as informações dessa nave são importante para os renegados? — Perguntou o sujeito de cabelos de cor de ouro.
— Pelo simples fato delas conter a verdade.- disse o homem de cabelos grisalhos, sem parar o seu caminhar.
Neste mesmo memento o sensor de Foster e seu grupo começou a acusar novas presenças se aproximando, e alguns instantes depois o sensor de Carlos e seus homens começaram a se comportar da mesma maneira. Algo se aproximava e ninguém sabia o que era.
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Carlos.
Uma gota fria escorria pelo rosto juvenil de Foster, seus olhos castanhos demostravam pavor, enquanto os mantinha fixado naquela figura de meia idade parado na sua frente o encarando, não conseguia pensar em uma saída, muito menos em algum plano mirabolante, sentia como um rato acoado por seu predador. Só conseguiu olhar calado para os seus companheiros. Não era preciso dizer nada só sua expressão já tinha o significado da derrota.
— Quem é você? — indagou o capitão de cabelos curtos e dourados, quando voltou o seu olhar para o sujeito que o derrotou.
— Quem eu sou? Hummm...— Olhou para o teto enquanto coçava o seu rosto levemente envelhecido – Eu sou uma sombra somente – deu uma piscadela para Foster.
O capitão da União fez uma expressão desgostosa pela resposta recebida – não foi isso que perguntei, mas sim um nome. — conhecia a há pouco tempo esse novo ser, mas já estava começando a odiar ele.
— Qual a importância em saber o meu nome? — se posicionou de frente para Foster — O que é um nome? — jogou as mãos para trás do corpo, agarrando a palma da mão direita com a esquerda, deixando os braços sobre as costas enquanto andava - E só mais um dos inúmeros rótulos sem importância que você recebe durante a sua vida.
O jovem conquistado tentava manter a calma e uma postura firme, realmente odiava pessoas com esse tipo de personalidade e não queria deixar aquele homem barbudo na sua frente tirar proveito disso – E qual seira o seu “rotulo”? Só por curiosidade - olhou friamente para o homem a sua frente.
O mesmo só deu um leve sorriso perante aquele olhar penetrante – Sou conhecido por diversos nomes e apelidos, tais quais “o ceifador da revolução”, “o Homem sem alma” e entre outros que a União e o seu povo iludido me deram.
– Carlos...– Foster ficou branco por um momento. – o Homem sem rosto...
– Sou conhecido por esse nome também – posou a mão no ombro do soldado da União – Não precisa ficar tão assutado assim capitão Jhon Foster – piscou novamente para o capitão.
– Como você sabe quem sou eu? – rapidamente afastou a mão de Carlos do seu ombro.
— Eu sei tudo sobre você e eles – apontou com a cabeça para o restante do grupo – seus perfis psicológicos, suas qualidades físicas, seus vícios... e sua busca – notou as feições serias do homem a sua frente – Você veio por algo de grande valor, assim como eu. — deus as costas para o capitão e andou na direção de Milene.
— Por que as informações dessa nave são importante para os renegados? — Perguntou o sujeito de cabelos de cor de ouro.
— Pelo simples fato delas conter a verdade.- disse o homem de cabelos grisalhos, sem parar o seu caminhar.
Neste mesmo memento o sensor de Foster e seu grupo começou a acusar novas presenças se aproximando, e alguns instantes depois o sensor de Carlos e seus homens começaram a se comportar da mesma maneira. Algo se aproximava e ninguém sabia o que era.
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semana 07
Filho das Profundezas [Semana 07]
Autor: Marco Fischer
Parte VII - Fumaça.
Na pequena mata tropical, o Capitão Faulkner seguia até seu navio, protegido pelos marinheiros que recuavam cautelosamente com os rifles mecânicos engatilhados. Com o Maleko fora da ilha não havia mais o que fazer ali, e uma luta com os nativos seria além de uma perda de tempo desnecessária um motivo para retaliação por outras tribos. Era preciso assegurar que o espécime havia sido capturado pelo seu aparato de exploração submersa em baixa profundidade, como gostava de chamá-lo.
Perto dali, no lago salgado, o mergulhador Mervyn emergia desajeitado e apressadamente removia seu escafandro cheio de água. Olhando em volta, ele não via mais sinal da tripulação, apenas chefe Oke e seus guerreiros o cercando com uma expressão nem um pouco amistosa.
Ainda apoiado nas costas do tubarão-baleia, o Kahuna deslizava na direção da máquina grotesca, que se afastava indiferente ao sábio das ondas em seu animal sagrado. Aquele invasor de metal estava assustando os animais marinhos que iriam alimentar seu povo na estação de pesca. Em uma súbita arremetida, o tubarão se chocou contra o monstro mecânico, que sequer se moveu. Recuando com agilidade, o grande peixe desviou da garra que tentou golpeá-lo e tomou distância outra vez, mas não se preparou para investir novamente.
Se agarrando nos flancos do animal com as pernas, o Kahuna fechou os olhos e balançou seu bastão fazendo círculos na água. Os padrões tribais sobre o dorso do tubarão brilharam com uma luz tremulante que lembrava a do sol sobre o solo marinho. Desenhos similares entalhados no cajado do velho emitiam o mesmo brilho, e quando ele fez um último movimento dando uma estocada na direção do imenso aparato, uma força poderosa como um pequeno tsunami explodiu em um círculo ao seu redor.
O monstro de metal tentou em vão se manter no lugar, cravando uma de suas garras na areia, mas acabou sendo arrastado até o grande abismo azul próximo, despencando nas profundezas com o Maleko enquanto seu motor feito para ficar acima da água pifava e deixava um rastro de fumaça e bolhas.
Ali perto, a brisa marinha balançava calmamente as velas púrpuras do Hummingbird, fazendo com que elas roçassem as folhas das longas palmeiras inclinadas sobre o mar onde a embarcação estava ancorada. Chuva de Outono, a navegadora, se sentou sobre a amurada do castelo de proa deixando que o vento sacudisse seus cabelos alaranjados cortados na altura do ombro. Ela era uma remanescente do escasso povo élfico de uma região agora tomada pelo Império Windlês, algo denunciado pelas suas orelhas pontudas e pelo corpo esguio de fada, recoberto de tatuagens marítimas.
Repentinamente, algo quebrou a tranquilidade da navegadora ruiva, que sacou da cintura uma delicada luneta de madeira e cristal e a apontou na direção do que havia visto. Ela agora podia discernir claramente a coluna de fumaça que subia de algum ponto no litoral. Correndo até o timão, Chuva de Outono gritou uma ordem para a tripulação e se preparou para levantar âncora.
Sua capitã estava precisando de ajuda.
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Parte VII - Fumaça.
Na pequena mata tropical, o Capitão Faulkner seguia até seu navio, protegido pelos marinheiros que recuavam cautelosamente com os rifles mecânicos engatilhados. Com o Maleko fora da ilha não havia mais o que fazer ali, e uma luta com os nativos seria além de uma perda de tempo desnecessária um motivo para retaliação por outras tribos. Era preciso assegurar que o espécime havia sido capturado pelo seu aparato de exploração submersa em baixa profundidade, como gostava de chamá-lo.
Perto dali, no lago salgado, o mergulhador Mervyn emergia desajeitado e apressadamente removia seu escafandro cheio de água. Olhando em volta, ele não via mais sinal da tripulação, apenas chefe Oke e seus guerreiros o cercando com uma expressão nem um pouco amistosa.
Ainda apoiado nas costas do tubarão-baleia, o Kahuna deslizava na direção da máquina grotesca, que se afastava indiferente ao sábio das ondas em seu animal sagrado. Aquele invasor de metal estava assustando os animais marinhos que iriam alimentar seu povo na estação de pesca. Em uma súbita arremetida, o tubarão se chocou contra o monstro mecânico, que sequer se moveu. Recuando com agilidade, o grande peixe desviou da garra que tentou golpeá-lo e tomou distância outra vez, mas não se preparou para investir novamente.
Se agarrando nos flancos do animal com as pernas, o Kahuna fechou os olhos e balançou seu bastão fazendo círculos na água. Os padrões tribais sobre o dorso do tubarão brilharam com uma luz tremulante que lembrava a do sol sobre o solo marinho. Desenhos similares entalhados no cajado do velho emitiam o mesmo brilho, e quando ele fez um último movimento dando uma estocada na direção do imenso aparato, uma força poderosa como um pequeno tsunami explodiu em um círculo ao seu redor.
O monstro de metal tentou em vão se manter no lugar, cravando uma de suas garras na areia, mas acabou sendo arrastado até o grande abismo azul próximo, despencando nas profundezas com o Maleko enquanto seu motor feito para ficar acima da água pifava e deixava um rastro de fumaça e bolhas.
Ali perto, a brisa marinha balançava calmamente as velas púrpuras do Hummingbird, fazendo com que elas roçassem as folhas das longas palmeiras inclinadas sobre o mar onde a embarcação estava ancorada. Chuva de Outono, a navegadora, se sentou sobre a amurada do castelo de proa deixando que o vento sacudisse seus cabelos alaranjados cortados na altura do ombro. Ela era uma remanescente do escasso povo élfico de uma região agora tomada pelo Império Windlês, algo denunciado pelas suas orelhas pontudas e pelo corpo esguio de fada, recoberto de tatuagens marítimas.
Repentinamente, algo quebrou a tranquilidade da navegadora ruiva, que sacou da cintura uma delicada luneta de madeira e cristal e a apontou na direção do que havia visto. Ela agora podia discernir claramente a coluna de fumaça que subia de algum ponto no litoral. Correndo até o timão, Chuva de Outono gritou uma ordem para a tripulação e se preparou para levantar âncora.
Sua capitã estava precisando de ajuda.
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semana 07
Requiem [Semana 07]
Autora: Natalie Bear
Só o Bom Morre Jovem
- E...Espere! Como o senhor sabe meu nome? - Rebeca observou o sujeito à sua frente de uns cinquenta anos, com tufos de cabelo grisalhos nas laterais da cabeça, barba meio longa e de mesma cor, com um nariz chamativo em forma de gancho e olhos cor de chá - Senhor Levine? - a moça espantou-se ao reconhece-lo, ficando perplexa com a figura que não via há uma década - Senhor Levine! - tentou usar os braços para se levantar, acabando por lembrar-se de que estava presa quando não conseguiu move-los.
- Boa tarde, senhorita Williams. A última vez que nos vimos você batia na minha cintura. - gesticulava com as mãos de forma jovial.
- Acho que eu tinha dez anos! - exclamou, sem ainda deixar a surpresa de lado - Meu pai está aqui? Onde ele está? - esticou o pescoço e procurou cheia de expectativas por todo aquele porão que cheirava a mofo, podendo ver pelo menos mais umas cinco pessoas ao fundo, mas nenhuma delas se parecendo com quem procurava.
- Ele não está aqui, acho que levaram-no em algum lugar perto do lago Titicaca. - meneou a cabeça negativamente, ajeitando o terno marrom sobre os ombros franzinos.
- Oh não… - suspirou, perdendo o brilho de esperança nos olhos, mas também retornando à realidade - Afinal, por que estou presa? - novamente tentou separar os braços, sentindo as amarras roçarem na pele de seus pulsos.
- Foi uma medida um tanto exagerada de meus subordinados lhe prender as mãos e cobrir seu rosto.
- Também perdi minha bagagem no caminho por causa desta abordagem violenta de seus subordinados! - reclamou, retesando as sobrancelhas em um olhar recriminador.
- É verdade… Sinto muito por isso.
Lawrence continuava seguindo a trilha pela qual Xerife lhe conduzia, enquanto procurava por mais indícios de que a moça que procurava tinha passado por aquela ruela estreita e vazia, quase um beco entre dois grandes prédios de pedra.
- Espero que você não esteja rastreando comida. - arquejou enquanto seguia o amigo peludo, que não descolava o focinho do chão.
Enquanto atravessavam a rua avistaram dois homens que vinham em sentido contrário e pararam à frente do cachorro, obstruindo seu caminho.
- Passe-me as bagagens e sairá ileso. - manifestou-se o sujeito de chapéu, que segurava um cano metálico. Para a surpresa de Lawrence ele não era peruano, tampouco suas palavras.
- Por quê? - voltou os olhos para o cãozinho, que ao perceber o dono parado retornara ao seu lado e se sentara, esperando a próxima ordem e ignorando os estranhos.
- Solte-as e se afaste. - a sujeito de chapéu deu alguns passos na direção deles, enquanto dava leves batidas na mão com o cano. O estranho que não se manifestara e tinha um lenço azul cobrindo o pescoço, tirou do bolso da calça amarelada um canivete.
Lawrence suspirou, sacando velozmente uma pistola debaixo do casaco cinzento antes que os indivíduos pudessem reagir.
- Dêem-me um bom motivo.
Ir para o próximo capítulo de "Requiem"
Só o Bom Morre Jovem
- E...Espere! Como o senhor sabe meu nome? - Rebeca observou o sujeito à sua frente de uns cinquenta anos, com tufos de cabelo grisalhos nas laterais da cabeça, barba meio longa e de mesma cor, com um nariz chamativo em forma de gancho e olhos cor de chá - Senhor Levine? - a moça espantou-se ao reconhece-lo, ficando perplexa com a figura que não via há uma década - Senhor Levine! - tentou usar os braços para se levantar, acabando por lembrar-se de que estava presa quando não conseguiu move-los.
- Boa tarde, senhorita Williams. A última vez que nos vimos você batia na minha cintura. - gesticulava com as mãos de forma jovial.
- Acho que eu tinha dez anos! - exclamou, sem ainda deixar a surpresa de lado - Meu pai está aqui? Onde ele está? - esticou o pescoço e procurou cheia de expectativas por todo aquele porão que cheirava a mofo, podendo ver pelo menos mais umas cinco pessoas ao fundo, mas nenhuma delas se parecendo com quem procurava.
- Ele não está aqui, acho que levaram-no em algum lugar perto do lago Titicaca. - meneou a cabeça negativamente, ajeitando o terno marrom sobre os ombros franzinos.
- Oh não… - suspirou, perdendo o brilho de esperança nos olhos, mas também retornando à realidade - Afinal, por que estou presa? - novamente tentou separar os braços, sentindo as amarras roçarem na pele de seus pulsos.
- Foi uma medida um tanto exagerada de meus subordinados lhe prender as mãos e cobrir seu rosto.
- Também perdi minha bagagem no caminho por causa desta abordagem violenta de seus subordinados! - reclamou, retesando as sobrancelhas em um olhar recriminador.
- É verdade… Sinto muito por isso.
***
Lawrence continuava seguindo a trilha pela qual Xerife lhe conduzia, enquanto procurava por mais indícios de que a moça que procurava tinha passado por aquela ruela estreita e vazia, quase um beco entre dois grandes prédios de pedra.
- Espero que você não esteja rastreando comida. - arquejou enquanto seguia o amigo peludo, que não descolava o focinho do chão.
Enquanto atravessavam a rua avistaram dois homens que vinham em sentido contrário e pararam à frente do cachorro, obstruindo seu caminho.
- Passe-me as bagagens e sairá ileso. - manifestou-se o sujeito de chapéu, que segurava um cano metálico. Para a surpresa de Lawrence ele não era peruano, tampouco suas palavras.
- Por quê? - voltou os olhos para o cãozinho, que ao perceber o dono parado retornara ao seu lado e se sentara, esperando a próxima ordem e ignorando os estranhos.
- Solte-as e se afaste. - a sujeito de chapéu deu alguns passos na direção deles, enquanto dava leves batidas na mão com o cano. O estranho que não se manifestara e tinha um lenço azul cobrindo o pescoço, tirou do bolso da calça amarelada um canivete.
Lawrence suspirou, sacando velozmente uma pistola debaixo do casaco cinzento antes que os indivíduos pudessem reagir.
- Dêem-me um bom motivo.
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Wild Hunt [Semana 07]
Autor: Marlon Kalango
Capítulo 7: Necromante.
Capítulo 7: Necromante.
Eu estava no meio de uma nevasca. Ventos fortes do ar gelado me empurravam pelo caminho, e eu tropeçava constantemente. Ao longe, alguém gritava meu nome. Eu apenas podia ver sua silhueta, ao longe, mas não conseguia ver seu rosto, obscurecido pela densa neve que caia. Tentava gritar de volta, mas nada saía. Sentia frio, e tudo começava a escurecer...
-Oh, ele está acordando! -ouvi uma voz falar. Abri lentamente os olhos, e a luminosidade machucou meus olhos. Pisquei algumas vezes até consegui focar a visão – Olá, Etherdry. Como se sente?
-Eu me sinto...-Tentei sentar e parei imediatamente, com dores fortes, tocando as costelas. Lembrei de tudo que havia acontecido. - O Cervo?
-Ele está bem, está a salvo aqui no Bosque. Bem, você acordou, o que é ótimo após uma semana desacordado.
-Uma semana!? - Era bastante tempo.O que teria acontecido em todo este tempo, e como eu estava vivo?- Como eu cheguei de volta ao Bosque?
-Oh, isso. Bem... - O sylvari que cuidava de mim apontou para o canto do quarto. Vi uma criatura pequena, sua cabeça era um cranio e o corpo parecia algo como um grande rato, mas em carne viva...- Ele deixou esse servo ai pra saber quando você acordasse.
O ser levantou a cabeça e me encarou, e eu acenei. Ela deu um pequeno grito e explodiu numa massa de sangue e viceras. Uma das coisas mais estranhas que eu vi em toda minha curta vida.
-Ugh...e agora eu vou ter que limpar isso. Nercomantes e seus truques com a morte, tão nojento. -O sylvari disse, se retirando do quarto. - Eu volto já.
Minutos depois, um homem alto entrou no quarto. Muito alto. Ele teve que se abaixar um pouco para poder entrar. Encarou o batente da porta com uma careta, e então, sentou-se numa cadeira próxima, sorrindo para mim. Havia uma listra azul passando pela area dos seus olhos, e outras marcas escuras menores. Seus olhos eram estranhamente brancos, mas ele parecia me ver perfeitamente.
-Então você acordou. Bom saber que está bem. Eu não estaria em paz com meu espírito até saber qual teria sido o destino que os espíritos selvagens haviam lhe reservado.
-Você é um Norn. Está bem longe de casa. - Respondi. Ele tinha facilmente mais de dois metros e meio de altura, e era gigantesco. E era isso que o diferenciava de um humano. Norn é a raça dos guerreiros das terras geladas das montanhas Shiverpeaks. - E...acho que lhe devo minha vida. Sou eternamente grato. Sou Etherdry.
-Prazer em conhecê-lo, Etherdry. Me chamo Arawn. Arawn Phelan.
E naquele momento, algo dentro de mim despertou. Aquele nome, eu conhecia, mesmo nunca o tendo visto. Aquilo me atingiu como um soco. Ele era o dono da voz em meu sonho. Ele era a parte oculta da minha Wild Hunt.
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-Oh, ele está acordando! -ouvi uma voz falar. Abri lentamente os olhos, e a luminosidade machucou meus olhos. Pisquei algumas vezes até consegui focar a visão – Olá, Etherdry. Como se sente?
-Eu me sinto...-Tentei sentar e parei imediatamente, com dores fortes, tocando as costelas. Lembrei de tudo que havia acontecido. - O Cervo?
-Ele está bem, está a salvo aqui no Bosque. Bem, você acordou, o que é ótimo após uma semana desacordado.
-Uma semana!? - Era bastante tempo.O que teria acontecido em todo este tempo, e como eu estava vivo?- Como eu cheguei de volta ao Bosque?
-Oh, isso. Bem... - O sylvari que cuidava de mim apontou para o canto do quarto. Vi uma criatura pequena, sua cabeça era um cranio e o corpo parecia algo como um grande rato, mas em carne viva...- Ele deixou esse servo ai pra saber quando você acordasse.
O ser levantou a cabeça e me encarou, e eu acenei. Ela deu um pequeno grito e explodiu numa massa de sangue e viceras. Uma das coisas mais estranhas que eu vi em toda minha curta vida.
-Ugh...e agora eu vou ter que limpar isso. Nercomantes e seus truques com a morte, tão nojento. -O sylvari disse, se retirando do quarto. - Eu volto já.
Minutos depois, um homem alto entrou no quarto. Muito alto. Ele teve que se abaixar um pouco para poder entrar. Encarou o batente da porta com uma careta, e então, sentou-se numa cadeira próxima, sorrindo para mim. Havia uma listra azul passando pela area dos seus olhos, e outras marcas escuras menores. Seus olhos eram estranhamente brancos, mas ele parecia me ver perfeitamente.
-Então você acordou. Bom saber que está bem. Eu não estaria em paz com meu espírito até saber qual teria sido o destino que os espíritos selvagens haviam lhe reservado.
-Você é um Norn. Está bem longe de casa. - Respondi. Ele tinha facilmente mais de dois metros e meio de altura, e era gigantesco. E era isso que o diferenciava de um humano. Norn é a raça dos guerreiros das terras geladas das montanhas Shiverpeaks. - E...acho que lhe devo minha vida. Sou eternamente grato. Sou Etherdry.
-Prazer em conhecê-lo, Etherdry. Me chamo Arawn. Arawn Phelan.
E naquele momento, algo dentro de mim despertou. Aquele nome, eu conhecia, mesmo nunca o tendo visto. Aquilo me atingiu como um soco. Ele era o dono da voz em meu sonho. Ele era a parte oculta da minha Wild Hunt.
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Wild Hunt
“SentiMente” [Semana 07]
Autora: Silvia Verlene
- Sem capítulo nesta semana -
- Sem capítulo nesta semana -
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SentiMente,
Silvia Verlene
Contos do Amante da Morte [Semana 07]
Autora: Mari-Youko-Sama
Capítulo 06 – Labaredas de Inverno.
Naquela época, os dias eram curtos: nasciam tarde e se encerravam logo. A parca luz que atravessava a grossa manta de nuvens tornava a imensidão opaca num lugar cheio de vultos criados por um punhado de neve que dançava ao vento.
Marcos caminhava por entre a vegetação desnuda e vigorosos pinheiros, seu olhar estava distante e escuro, parecia perdido em pensamentos. Em contrapartida, Lirou, o filhote de Lince que já tinha ganhado certo tamanho, seguia atento. Quando uma voz conhecida cortou o ambiente silencioso, Lirou adiantou-se em direção ao som:
– Parece cansado desta vez…
– É difícil manter o ânimo nesse frio – comentou, sem entusiasmo na voz, observando Lirou que rodeava um pinheiro delatando o esconderijo.
– O frio não durará para sempre – enquanto a figura feminina se revelava em um manto branco, seus fios dourados escapavam do capuz, mas seu rosto não era totalmente visível – nos encontramos de novo, então… como devo chamá-lo? – a voz era melodiosa e cheia de mistérios.
– Blackwood, Marcos Blackwood. E o lince é Lirou – o olhar continuava distante.
– Marcos e Lirou, interessante – a mulher formou um sorriso em seus lábios finos – sou Apony – fez uma reverência, abaixando sutilmente a cabeça.
– Apony de borboleta? Deveria parar de usar esses perfumes, no inverno não há flores, é apenas gélido e mórbido. – o peso na voz era evidente.
– As borboletas são sinais do início da primavera – a estranha se aproximou e estendeu a mão até o queixo de Marcos, tocando-lhe a barba sutilmente – Nós levamos os maus augúrios do inverno, para deixar o fardo dos que sobreviveram ao frio mais leves para o próximo ciclo.
Marcos a encarou por entre os fios loiros e pôde comprovar que os olhos daquela mulher eram realmente dourados, como peças de ouro polidas e reluzentes que pareciam varrer-lhe a alma em busca dos sentimentos mais sombrios. Ele caminhou um passo à frente e repousou a cabeça na curva do ombro daquela estranha, as lágrimas irromperam e molharam o manto branco. Apony enlaçou o pescoço do outro com seus braços e lhe sussurrou ao ouvido: “Queime a casa, liberte-os e seja livre também”.
Mais tarde naquele mesmo dia, Marcos e Matheus estavam em frente ao casebre onde viveram com o pai, a mãe e os irmãos, que naquele momento era como um grilhão feito de sentimentos e memórias. O mais velho segurava a tocha em punho, quando encarou o mais novo, este lhe respondeu com um aceno positivo. Logo mais, o casebre era envolto em chamas altas e logo alguns aldeões foram atraídos pela cremação, pois onde havia uma fogueira, havia notícias de mortos pela peste. Marcos trocou palavras com os mesmos, mas seu rosto empalideceu ao ouvir “as boas novas”:
– Qual o problema meu irmão? – Matheus adiantou-se.
– Morreram.
– Quem?
– Nosso irmão e… “ele”.
– “Ele” – escondeu a boca com a mão – … morto!?
“Eu posso afirmar que todos temem a escuridão. Se permitem fazer o errado e começam a amar o pecado… ao ponto da dor alheia satisfazer a sua dor”
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Capítulo 06 – Labaredas de Inverno.
Naquela época, os dias eram curtos: nasciam tarde e se encerravam logo. A parca luz que atravessava a grossa manta de nuvens tornava a imensidão opaca num lugar cheio de vultos criados por um punhado de neve que dançava ao vento.
Marcos caminhava por entre a vegetação desnuda e vigorosos pinheiros, seu olhar estava distante e escuro, parecia perdido em pensamentos. Em contrapartida, Lirou, o filhote de Lince que já tinha ganhado certo tamanho, seguia atento. Quando uma voz conhecida cortou o ambiente silencioso, Lirou adiantou-se em direção ao som:
– Parece cansado desta vez…
– É difícil manter o ânimo nesse frio – comentou, sem entusiasmo na voz, observando Lirou que rodeava um pinheiro delatando o esconderijo.
– O frio não durará para sempre – enquanto a figura feminina se revelava em um manto branco, seus fios dourados escapavam do capuz, mas seu rosto não era totalmente visível – nos encontramos de novo, então… como devo chamá-lo? – a voz era melodiosa e cheia de mistérios.
– Blackwood, Marcos Blackwood. E o lince é Lirou – o olhar continuava distante.
– Marcos e Lirou, interessante – a mulher formou um sorriso em seus lábios finos – sou Apony – fez uma reverência, abaixando sutilmente a cabeça.
– Apony de borboleta? Deveria parar de usar esses perfumes, no inverno não há flores, é apenas gélido e mórbido. – o peso na voz era evidente.
– As borboletas são sinais do início da primavera – a estranha se aproximou e estendeu a mão até o queixo de Marcos, tocando-lhe a barba sutilmente – Nós levamos os maus augúrios do inverno, para deixar o fardo dos que sobreviveram ao frio mais leves para o próximo ciclo.
Marcos a encarou por entre os fios loiros e pôde comprovar que os olhos daquela mulher eram realmente dourados, como peças de ouro polidas e reluzentes que pareciam varrer-lhe a alma em busca dos sentimentos mais sombrios. Ele caminhou um passo à frente e repousou a cabeça na curva do ombro daquela estranha, as lágrimas irromperam e molharam o manto branco. Apony enlaçou o pescoço do outro com seus braços e lhe sussurrou ao ouvido: “Queime a casa, liberte-os e seja livre também”.
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Mais tarde naquele mesmo dia, Marcos e Matheus estavam em frente ao casebre onde viveram com o pai, a mãe e os irmãos, que naquele momento era como um grilhão feito de sentimentos e memórias. O mais velho segurava a tocha em punho, quando encarou o mais novo, este lhe respondeu com um aceno positivo. Logo mais, o casebre era envolto em chamas altas e logo alguns aldeões foram atraídos pela cremação, pois onde havia uma fogueira, havia notícias de mortos pela peste. Marcos trocou palavras com os mesmos, mas seu rosto empalideceu ao ouvir “as boas novas”:
– Qual o problema meu irmão? – Matheus adiantou-se.
– Morreram.
– Quem?
– Nosso irmão e… “ele”.
– “Ele” – escondeu a boca com a mão – … morto!?
“Eu posso afirmar que todos temem a escuridão. Se permitem fazer o errado e começam a amar o pecado… ao ponto da dor alheia satisfazer a sua dor”
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