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sexta-feira, 23 de maio de 2014

Semana 9 + Resultado da semana 8 e mês de maio + Atividade Extra de junho

Semana 9 do MONOBA

A nona rodada de "novels" já está no ar! Começa um novo mês no MONOBA cheio de reviravoltas e aventuras. Infelizmente não teremos "Neocene II - nanoships" nesta semana. Confira as histórias clicando nos links abaixo, na aba de cada obra ou navegando pelo blog.


Pepper & Donuts: Capítulo 09 - Donuts 9: Encontro inesperado

Nave Fantasma: Buracos.

Filho das Profundezas: Parte IX - Vozes

Requiem: Corra para as Montanhas

Wild Hunt: Capítulo 9: Hoelbrak.

"SentiMente" [Semana 09]

Contos do Amante da Morte: Capítulo 08 – Ressentimentos passados.


Boa leitura e divirta-se. Lembrando que você já pode votar na melhor história da semana! As votações irão até às 23:59 do dia 28 de maio (quarta-feira). Você pode votar na enquete que se encontra na barra lateral do blog ou na aba "Votação". Não deixe de participar! A nova rodada de "novels" estará no ar no dia 30 de maio (sexta-feira).


Resultado da votação da semana 8 e do mês de maio

Com 13 votos e novamente um triplo empate, a oitava semana do MONOBA trouxe as seguintes classificações:

Em primeiro lugar, com 3 votos, a história "Filho das Profundezas", de Marco Fischer.
Em segundo lugar, com 3 votos, a história "Requiem", de Natalie Bear.
Em terceiro lugar, com 3 votos, a história "Contos do Amante da Morte", de Mari-Youko-Sama.

OBS: A ordem dos vencedores foi decidida através de votação interna.

Em seguida temos "Wild Hunt", de Marlon Kalango (2 votos); "Pepper & Donuts", de Adriana Yumi (1 voto); "SentiMente", de Silvia Verlene (1 voto) e "Neocene II - nanoships", de Moonlance (sem voto). "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm não participou dessa semana, então não receberá ponto.

Depois de 4 semanas, totalizando 82 votos, o MONOBA tem orgulho de apresentar os vencedores do mês de maio!

Em primeiro lugar, com 32 pontos, a história "Filho das Profundezas", de Marco Fischer.
Em segundo lugar, com 27 pontos, a história "Contos do Amante da Morte", de Mari-Youko-Sama.
Em terceiro lugar, com 24 pontos, a história "Requiem", de Natalie Bear.

Seguidos de "Pepper & Donuts", de Adriana Yumi (6 pontos); "Wild Hunt", de Marlon Kalango (4 pontos); "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm (3 pontos); "SentiMente", de Silvia Verlene (3 pontos) e "Neocene II - nanoships", de Moonlance (2 pontos).

Parabéns aos vencedores da semana e do mês de maio!
Confira mais detalhes da pontuação em "Ranking".


Atividade Extra do mês de junho

Nada melhor do que ter uma bela melodia de inspiração para escrever. Não é diferente com os escritores do MONOBA. Por isso, o tema do mês de junho da "Atividade Extra" é "música"!

Mais uma vez você tem a chance de homenagear e garantir pontos extras para o seu escritor favorito! A partir de hoje e até às 23:59 do dia 11 de junho (quarta-feira), o leitor poderá enviar a sua homenagem para o MONOBA. Pode ser em forma de ilustração ou fanfic (texto criado por fã, baseado em alguma história existente). Descubra como participar em "Atividade Extra".

Todas as homenagens serão postadas na nossa página do Facebook: https://www.facebook.com/mobilenovelbattle. As melhores homenagens entram em votação valendo ainda mais pontos para o seu escritor favorito. Faça a diferença nessa batalha!

Neocene II – nanoships [Semana 09]

Autor: Moonlance

- Sem capítulo nesta semana -

Pepper & Donuts [Semana 09]

Autora: Adriana Yumi
Capítulo 09 - Donuts 9: Encontro inesperado

A garota queria acreditar nas palavras do tio, mas uma ponta de dúvida brotava em seu coração ao se lembrar do passado. Assim que olhou pro fim do corredor, notou uma silhueta familiar parada, encostada em uma das paredes, como se estivesse esperando-a. Era Nathan.

- E aí. Comeu muito?

Misaki não respondeu à pergunta de Nathan. Ao invés disso, andou silenciosamente até o rapaz e de repente, deu-lhe um chute nas pernas, fazendo Nathan cair no chão.

- AI, MINHAS PERNAS! SUA MALUCA!
- Isso é pelo papelão de hoje de manhã! Seu idiota retardado!!! O que você tem na cabeça?! Um cérebro de minhoca?
- Mas qual é?! Você tava quase caindo no meio da rua hoje de manhã! Tá fazendo dieta pra emagrecer, por acaso?
- Claro que não! Eu só estava com alguns problemas em casa, okay?
- Mesmo estando com problemas, não é bom ficar de barriga vazia. Não presta atenção nas aulas de biologia, não?
- Não gosto de biologia. E não sei por que estou perdendo meu tempo discutindo com você, a Kelly deve estar me esperando.

Misaki virou as costas e estava se preparando para ir embora antes que perdesse ainda mais a calma, mas ao dar o primeiro passo, ouviu a voz de Nathan.

- Se não puder resolver os problemas de imediato então tente não pensar neles. Ou senão essa sua preocupação vai te consumir e você não vai conseguir fazer nada enquanto não lidar com isso.
- ...isso era pra ser um conselho?
- Isso é um conselho. Você é lerda mesmo...enfim, fui. E obrigado pelo chute nas minhas pernas.

Misaki observou Nathan levantar-se e caminhar em direção ao pátio. A garota tentou pedir desculpas pelo chute e agradecer pela preocupação, mas seu orgulho falou mais alto e apenas observou a silhueta do rapaz desaparecer à medida que ele se afastava dela. Realmente Nathan tinha razão nesse ponto, ela precisava enfrentar os problemas antes que isso a afetasse demais. Porém, Misaki não sabia como enfrentar tudo isso.

Ao invés de encontrar-se com sua amiga Kelly, a garota preferiu sentar num dos bancos que havia ali no corredor. Fechou os olhos e começou a relembrar certas coisas do seu passado.

Como tudo realmente começou.

Era verão e estava bem quente. A maioria das crianças aproveitava que as férias escolares começaram para brincar na rua, ou num parquinho que havia perto da casa onde Misaki morava na época. As crianças que brincavam no parque tinham um certo receio de Misaki, pois ela sempre mantinha uma expressão séria no rosto, e por isso não conseguia fazer amigos. Mas ela não ligava. “Tenho meu irmão pra brincar comigo todos os dias!”, pensava a garota.

Masaki tinha 13 anos na época. Como os pais trabalhavam, o garoto cuidava de Misaki após a  escola. Além disso, também cozinhava, brincava e ajudava a irmã nos estudos.
E essa rotina se seguiu nos próximos dias. Até que algo aconteceu.


Ir para o próximo capítulo de "Pepper & Donuts"

Nave Fantasma [Semana 09]

Autor: Lucas Suwgamm
Buracos.

Informações dançavam nas retinas de cada ser presente no corredor penumbrado, mostrando “objetos” aproximando de todos os lados, os solados de Carlos olhavam para o teto, para o chão e para as paredes, sem entender nada, afinal estavam em um corredor, não era possível que estes objetos viessem pela parede, pelo menos era isso que pensavam.

Já os companheiros de Foster ficavam mais apreensivos, sem dizer nada e tão pouco conseguiam entender oque estava para acontecer. Diferente do experiente pirata espacial, que estava pensativo, trocando olhares com o Foster.

– Está na hora de você pegar essa velha arma que você carrega em sua cintura – disse o capitão da união para Carlos.

– Isso é...- passou a mão por cima da arma – Só um objeto com certo valor sentimental para mim. – seu traje começou a mudar na região do punho. – A modernidade é muito mais efetiva. – um singelo sorriso aparecia em seu rosto.

Foster também sorriu e acompanhou o seu inimigo de outrora, preparando o seu traje espacial para o possível combate que estava por vir, no entanto uma pergunta não saia da sua cabeça, o que realmente “estava por vir”?

– Edgar e Michael venha ao meu lado! Milene proteja a Samara! – Foster comandava seus companheiros.

– Muito bem, vamos precisar da ajuda momentânea destes bastardos da União! – Carlos ordenou aos seus soldados, após ver a ação do capitão. – rápido, executem a formação Gama! – Depois terminamos o nosso assunto. – murmurou para Foster.

Entretanto, ninguém conseguiu cumprir suas ordem, uma enorme explosão ocorreu em uma parede próxima, e de um buraco resultante da mesma, surgiu uma sombra humanoide, que imediatamente, matou o soldado de Carlos que estava mais perto, com um único golpe.

Pouco a pouco a poeira ficava cada vez menos densa e com isso a imagem de uma criatura branca, com músculos vermelhos bem salientados, começava a ficar cada vez mais visível, assim como cabos pretos que percorriam por todo o seu corpo nu e terminavam no seu capacete que cobria somente metade do seu rosto, deixando somente a boca visível, ou algo que podia chamar de boca, afinal estava toda costurada, ou pelo menos era isso que aparentava.

Quando a fumaça finalmente sumiu, era possível ver o braço da criatura atravessando o peito do soldado abatido, ao instante que outras começavam a surgir do buraco feito na parede.

Contudo, essa cena da criatura imponente foi passageira, pois um feixe azul, provindo do braço de Edgar, atravessou o crânio do ser misterioso, matando-o instantaneamente.

- Corram!! essa nave está infestada por Nêcroneos! – Carlos gritou enquanto começava a atirar na direção da abertura na parede.

Seus disparos lampejantes foram seguidos por outros, junto com ruídos de passos apressados e gritos agonizantes. Outras fissuras eclodiam por todo o corredor, tanto pelas paredes laterais quanto pelo teto. Os corpos das criaturas caim a cada disparo, assim como alguns homens de Carlos, que estavam mais perto das mesmas. Os sobreviventes estavam ficando sem escapatória e a morte parecia cada vez mais certa.


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Filho das Profundezas [Semana 09]

Autor: Marco Fischer
Parte IX - Vozes

O Arauto de Kanaloa ergueu sei imenso corpo cefalópode das sombras e fitou o Maleko com olhos cinzentos e membranosos, enquanto as nadadeiras nos lados de sua cabeça ondulavam agitadas e um padrão psicodélico de luzes azuis, roxas e verdes serpenteava freneticamente abaixo de sua pele. Ele era a criatura conhecida pelos nativos como He’e Mo’i, o ‘Rei Polvo’, e sua voz estremeceu a água quando falou.

“Filho das Profundezas. Ofereci-lhe refúgio em meu santuário e agora cobro o preço devido. Um segredo por sua proteção. Me entregue a chave de Y'ha-nthlei e teremos cumprido o nosso acordo.”

O rosto do garoto-peixe se contorcia em uma careta, os pequenos pontos luminosos em seus olhos diminuindo de intensidade. Sua cabeça doía ainda mais agora, e os sussurros continuavam a atormentá-lo, vindos de algum lugar ainda mais profundo e distante do que os domínios do Rei Polvo.

“A Ordem já te localizou. Você também deve estar sentindo a aproximação deles. Os híbridos abissais estarão aqui em breve, e não serão tão piedosos. Apenas cumpra nosso trato entregando o segredo, e comigo ele estará seguro.”

-Você disse que eu teria a proteção da ilha por quanto tempo eu quisesse! Que o tempo necessário pra mim não era nada pra você! Eu quero voltar para lá!

“Você está certo sobre o que eu lhe disse. Mas a imprudência em deixar a ilha foi sua. Agora é tarde demais. O santuário não poderá mais escondê-lo, e meu trabalho está feito. Terei o que quero antes que você seja morto.”

Os enormes tentáculos da entidade se aproximavam do Maleko agora, ao mesmo tempo em que outras formas marinhas deslizavam entre eles. Eram os súditos do Rei Polvo, uma raça de moluscos inteligentes que brandia lanças e escudos feitos com esqueletos de arraias e outras criaturas do oceano. Eles se comunicavam em clarões azulados e expeliam tinta enquanto cercavam o rapaz, formando uma barreira escura e pegajosa para evitar sua fuga.

Os olhos do garoto escureciam cada vez mais agora, os pontos luminosos em sua superfície enfraquecendo até se apagarem completamente. O céu de estrelas noturnas em seus orbes se transformou em um completo breu, e os guerreiros polvo se assustaram ao ouvir vozes nas profundezas que não eram as suas.

Os tentáculos de He’e Mo’i vacilaram enquanto ele paralisava na água, seus olhos assumindo a mesma tonalidade escura que os do Maleko. O corpo do Rei Polvo começou a emitir sinais luminosos que seus súditos entendiam como um alerta de perigo, mas havia algo mais, algo que eles reconheciam, mas não se lembravam de ter visto uma única vez tendo vindo daquela assombrosa criatura.

O Arauto de Kanaloa estava com medo. Sua mente ancestral havia sido tomada de assalto por uma poderosa presença psíquica, um pesadelo adormecido do oceano que respirava entre ruínas cobertas de lodo tão negro quanto os olhos daquele rapaz. Um pesadelo de Y'ha-nthlei, cujas vozes rodopiavam naquela fenda submarina em um redemoinho quase palpável de medo.

O Filho das Profundezas estava despertando.


Ir para o próximo capítulo de "Filho das Profundezas"

Requiem [Semana 09]

Autora: Natalie Bear
Corra para as Montanhas

A construção era feita de frias pedras robustas lapidadas em forma de grandes tijolos cinzentos. Os tetos das casas cinzentas eram recobertos por espessas camadas de palha. As entradas em forma de trapézio davam para ambientes muito escuros para quem olhava de fora.

O sujeito em uma das grandes casas encolhia-se sob um cobertor, incomodado por estar exposto ao ar gelado que adentrava todas aquelas aberturas e pelo oxigênio rarefeito que lhe deixava cansado com facilidade. Impaciente, ele levantou-se de sua cama feita de rocha e rumou para o exterior, onde o céu cinza muito claro atrapalhou sua visão. Quando voltou a abrir os olhos percebeu que um grupo de pessoas, que usavam roupas vibrantes e curtas demais, não se importando com o ar frio e ventoso, estavam reunidos em volta de um sujeito muito idoso, repleto de rugas e manchas no rosto moreno, recitando algo em seu tom de voz abafado e muito calmo para os demais. O sujeito que acabara de sair da grande casa, estranho naquela terra fascinante, conhecia o complicado dialeto, mas raramente tivera a chance de ouvi-lo sendo usado. Não lhe era uma tarefa muito fácil compreender o que ali era dito.

Ele olhou para suas costas em busca da posição do sol e percebeu que o astro estava oculto pela parte mais alta do pico branco e gelado que fazia parte de uma cordilheira delas, como se não existisse mais solo plano naquelas terras. A própria aldeia era composta de subidas e descidas, com degraus esculpidos na pedra da montanha abaixo de seus pés. A construção disforme e e complexa do lugar era cativante.

- Você… Melhor? - Uma moça de longos cabelos negros aproximou-se do estranho e fitou-o com seus grandes olhos escuros e curiosos.

- Um pouco melhor. As vezes minha cabeça parece girar. Talvez por estarmos tão acima do solo. - deu uma risada sem graça com a própria constatação tola.

- Estamos no solo. - ela franziu o cenho, não entendendo tudo o que aquele peculiar homem de pele cinzenta dissera.

- Suponho que esteja certa. - depois de mais uma risadinha embaraçosa, o homem de cabelos castanhos virou o rosto, observando melhor cada mínimo detalhe que seus olhos atentos descobriam.

- Homem tolo. - deu uma risada, mas logo mudou de expressão - Li… Líder querer ver você. - apontou para uma enorme construção na região mais alta da cidadezinha, com um formato piramidal.

- Outra vez? - perguntou pensativo, mas deu de ombros - Obrigado pelo aviso, Killimsa. - após despedir-se da moça, ele subiu os pequenos degraus que davam para o templo.

Na porta, parou para observar a estátua do homem de estatura baixa, como se achatado pela gravidade. Eram pequenos e distintos detalhes que lhe chamavam atenção na arte dos antigos povos.

Distraído, o estranho não viu o homem se aproximar, saindo da entrada do templo.

- Ah! Venha comigo, Walter Williams. - o atarracado homem com um estranho capacete dourado chamou-o para a construção animadamente.


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Wild Hunt [Semana 09]

Autor: Marlon Kalango
Capítulo 9: Hoelbrak.

Duas semanas haviam se passado desde que partimos da Floresta de Caledon. O conhecido cenário verdejante havia ficado para trás, e agora entravamos em paisagens mais diversificadas. Poderiamos ter chego na cidade de Arawn naquele mesmo dia, atravéz dos portais Asura que nos teleportan de cidade em cidade. Mas ele, assim como eu, compartilha uma paixão natural em explorar o selvagem, e ver lugares de beleza natural (algo que pensei ser pouco comum á necromantes, tão ligados aos assuntos da morte e coisas morbidas). Já haviamos passado pelas belíssimas Colinas Kassex, com seu conhecido lago Viatan e suas vilas de gentis pescadores, navios de temerários piratas e lar dos terríveis krait e dos amáveis Quaggan. Mais adiante, paramos para comprar mantimentos na cidade marco de Lion's Arch. Fiquei fascinado pelas diferentes culturas que se achavam ali, centenas de mercadores, atrações, pessoas vestidas com as roupas mais diferentes, e todas as principais raças de Tyria. Passamos apenas um dia, mas foi maravilhoso a cada momento.

Saímos da cidade e seguimos viajem pela Passagem de Lornar. O clima agora mudava drasticamente, e o verde ao qual estava tão habituado dava lugar ao manto branco da neve, caracteristico das regiões próximas ás Montanhas Shiverpeaks. O vento frio tocava meu rosto me causando estranheza à primeira vez, mas Arawn abriu um largo sorriso. Estavamos na noite do nosso segundo dia ali, ao redor fogueira, e eu pensava, tentando achar sentido na minha Wyld Hunt.

-Você parece preocupado, meu amigo. - Ele disse. Não percebi que talvez tivesse passado mais tempo em silencio do que havia pensado.

-Não se preocupe, Arawn. Estou apenas pensando em assuntos do meu povo, e em nossa viajem. -lhe disse, contenplando as estrelas acima. - Eu não pensei que deixaria a floresta tão cedo. Mas minha jornada ja tomou esse rumo, e estou grato.

-Heh - ele sorriu. - Eu sabia que os espíritos o tinham colocado em meu caminho por um motivo. Imagino que tudo tem um motivo maior para ser, Etherdry. Eu não tenho uma Wyld Hunt como você, mas meu caminho e meu objetivo é fazer minha própria lenda. E lendas não se fazem sem aqueles que a presenciem. Eu creio que, sendo um wolfborn, o Espírito do Lobo me agraciou com o instinto de matilha. Fico feliz que você seja o primeiro companheiro em minha busca.

-Entendo. -Eu sabia que ele buscava por uma pessoa. Mas ainda não sabia se era hora de perguntar mais sobre isso. Fomos dormir.

Nos levantamos cedo no dia seguinte, e seguimos nosso rumo. Antes do meio dia, eu podia avistar: portões colossais, gravuras magníficas entalhadas na madeira e aço, e figuras quase tão grandes quanto ele acenavam. Senti algo em meu peito se agitar, um sentimento estranho, algo que não sabia dizer o que. Mas estava feliz. Chegamos ao nosso destino.

-Bem vindo, meu amigo. - Arawn disse, abrindo os braços para sua cidade. - Bem vindo ao lar de todos os Norn. Bem vindo à Hoelbrak.


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“SentiMente” [Semana 09]

Autora: Silvia Verlene

Curioso...
Assim fico ao ouvir aquela voz opulenta, nada infantil, mas proveniente de um ser de tal natureza, ao menos aparente. Em sua forma, é uma criança saudável, de pele escurecida como de uma madeira antiga, porém sem nervuras. O rosto um tanto oval, com linhas suaves, porém destacadas pelas luzes variantes que o percorrem em nítido ritmo frequente. Os olhos são inacreditavelmente esbranquiçados, cujo brilho chega a refletir meu reflexo; parece mais um espelho, no que chego até a lembrar de um antigo ditado humano: “Os olhos são o espelho da alma.” No caso deste garoto, isto se aplica de forma espantosamente literal, apesar de inversa, já que não é ele quem se mostra, mas quem ele enxerga.

Permaneço imóvel ao passo que meu jovem anfitrião aproxima-se, avaliando-me com seu olhar vítreo e suas luzes inseparáveis. Tento me mexer, ainda em vão, o que me traz uma sensação de desconforto e, ao mesmo tempo, de intensa curiosidade. Engraçado eu não sentir medo deste menino e até me sentir incitado em deixar-me avaliar para saber como ele reagirá sobre mim. Paro de tentar me mover, procurando manter um conforto dentro de tal paralisia, enquanto a criança acerca-se de meu corpo inerte.

Sem gestos ou mesmo pressa, o garoto iluminado percorre os arredores de meu corpo, sem tocá-lo, apenas olhando-o de forma aparentemente indiferente, sem nem mesmo emanar qualquer som ou ruído em sua observação. A coisa estranha que sinto é apenas um calor mais intenso nas partes por onde ele passa, entretanto não consigo definir se isto vem exatamente dele ou das luzes que o acompanham, agora em um ritmo mais frenético e mutável, transfigurando-se em cores oscilantes cada vez mais rapidamente.

Ao término de sua primeira volta completa, novamente ele me encara como se me desafiando – eu sinto isto muito certo, só não entendo o porquê, mas sei que vem dele -, no que tento me movimentar novamente, mas ainda sem resultado. O garoto sorri de lado, um sorriso satisfeito, começando uma nova volta:

“Percebo que não consegue reagir à leitura realizada pelas Luzes Âmagas, o que é uma pena, pois imaginei que o Matriz Zero demonstraria mais desafios para mim...”

“Quem ele pensa ser falando assim comigo? Outro Escolar achando-se no direito de me tratar como cobaia...” – meu pensamento não consegue se transformar em verbalização, porém o menino gargalha inusitadamente, agora com uma tonalidade verdadeiramente infantil, em seguida falando sem a voz pomposa de antes:

“Escolar? Você me compara a meros curiosos cheios de orgulho e seguidores cegos de uma crença surreal? Agora eu achei graça!”

“Ele leu meu pensamento? Como assim?...”

“Pare de questionar o desconhecido de forma tão crua, Zero, você sim está se parecendo com um Escolar fazendo isto. Quer respostas? Pois bem, você as terá agora...” – E ele se aproxima ainda me encarando, tocando minha cabeça e inserindo as próprias luzes em minha Entrada Implantar...


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Contos do Amante da Morte [Semana 09]

Autora: Mari-Youko-Sama
Capítulo 08 – Ressentimentos passados.

Depois do inverno gélido que parecia durar uma eternidade, a primavera finalmente irrompeu a neblina pálida, as amendoeiras se enchiam de folhas verdes e flores campestres brotavam em qualquer canto em que o sol tocasse; abelhas zuniam por todos os lados e rouxinóis cantarolavam embalando as manhãs. Se não fossem as más notícias vindas do norte, a vida naquela região poderia ter se recuperado.

Marcos seguia com seu lince, ambos com passos ligeiros e leves, o animal sempre atento e curioso. Não demorou muito pelas estradas até que avistou o templo onde Matheus se instalou, uma das poucas construções feitas em pedra e argila da região, parte com uma coberta feita de madeira e palha e outra parte a céu aberto. Um investimento de um dos grandes senhores da região, que diziam ter sido o único a não ter sua casa invadida pela peste no inverno. O que Marcos bem sabia que era simples fofoca, não havia uma casa naquelas terras que não tivesse sido marcada pela doença.

Várias pessoas se amontoavam na entrada do local, algumas ajoelhadas, outras completamente jogadas ao chão entoando mantras e fazendo oferendas. Marcos avistou seu irmão que aconselhava uma senhora provavelmente camponesa. Logo fizeram contato visual, Matheus lançou um olhar questionador e Marcos lhe respondeu com um meneio de cabeça, o mais novo suspirou e sorriu para senhora magra que se levantou e caminhou triste para fora do templo. Matheus fez um aceno com a mão e o maior se aproximou:

– Veio pedir conselhos e bênçãos, meu irmão? – Matheus estendeu a mão para o lince que logo se aproximou e ronronou em resposta ao afago em suas orelhas.

– Sim e não. – o tom era vago, o mais alto tinha um semblante preocupado. – O boato do outro dia sobre Ele…

– Não era um boato. – Interrompeu – ele está morto e sua prole também, ou seja, tudo que restou dele somos “nós”, mas… bastardos não têm voz. – o mais jovem cerrou o punho e seu olhar verde era opaco de ressentimento.

– Matheus, escute. – o mais velho repousou a mão sobre o ombro do irmão. – Independente de sermos bastardos ou não, como você mesmo disse, só restou nós dois e temos de cuidar um do outro.

– Meu irmão, caso não tenha percebido, importa sim! – o moreno comentou categoricamente, e retirou a mão do outro de seu ombro. – Se ele tivesse nos reconhecido, agora não estaríamos com uma guerra nas costas! – encarava Marcos diretamente.

– Eu fui chamado. – completou secamente.

– Eu imaginei… – desviou o olhar para o chão. – Não queria que as coisas fossem assim.

– Ninguém quer, mas eu vou voltar, não vou lhe abandonar, Matheus. – o tom de voz foi decidido. – Por isso, me espere e cuide de Lirou enquanto estou fora.

Matheus fez um aceno positivo e logo Marcos seguiu seu caminho de volta a estrada e ao que tinha de enfrentar.

“Os sentimentos humanos são difíceis de medir… o amor, o ódio, mas a cobiça, essa sim é incomensurável”.


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