Semana 8 do MONOBA
A oitava rodada de "novels" já está no ar! Infelizmente, não teremos "Nave Fantasma" nesta semana. Para ler as histórias basta clicar nos links abaixo, nas abas de cada obra ou navegando pelo blog.
Neocene II - nanoships: Capítulo 06: Artifícios
Pepper & Donuts: Capítulo 08 - Donuts 8: Mudança
Filho das Profundezas: Parte VIII - Kanaloa
Requiem: Mandachuva
Wild Hunt: Capítulo 8: O próximo passo.
"SentiMente" [Semana 08]
Contos do Amante da Morte: Capítulo 07 – Trilha sem volta.
As votações já estão abertas e irão até às 23:59 do dia 21 de maio (quarta-feira). Não deixe de participar! Na semana que vem, além do vencedor da semana também teremos o vencedor do mês de maio. E fique de olho, pois a nova rodada de "novels" estará disponível no dia 23 de maio (sexta-feira). Boa leitura e divirta-se!
Resultado da votação da semana 7
Totalizando 22 votos, apresentamos os vencedores da semana:
Em primeiro lugar, com 7 votos, a história "Filho das Profundezas", de Marco Fischer.
Em segundo lugar, com 6 votos, a história "Contos do Amante da Morte", de Mari-Youko-Sama.
Em terceiro lugar, com 5 votos, a história "Requiem", de Natalie Bear.
Seguidos de "Pepper &Donuts", de Adriana Yumi (2 votos); "Nave Fantasma", de Lucas Suwgamm (1 voto) e "Wild Hunt", de Marlon Kalango (1 voto). "Neocene II - nanoships", de Moonlance e "SentiMente", de Silvia Verlene não participaram essa semana, então não receberão pontos.
Parabéns aos vencedores da semana!
Confira mais detalhes da pontuação na aba "Ranking".
Última semana para participar da "Atividade Extra" de maio
Gostaria de ajudar seu escritor favorito a ganhar uns pontos extras? Você ainda tem tempo! Basta fazer uma "homenagem", que pode ser uma ilustração ou uma fanfic, da sua obra favorita com o tema "lembrança". Visite a aba "Atividade Extra" e saiba como participar. Envie sua "homenagem" até às 23:59 do dia 21 de maio (quarta-feira).
Todas as homenagens estão disponíveis na nossa página no facebook: www.facebook.com/mobilenovelbattle. Faça como a leitora Lil, que enviou várias homenagens, sendo a última uma linda fanfic chamada "Como Chegar ao Céu". Confira aqui a "homenagem" que ela fez para a história "Contos do Amante da Morte".
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sexta-feira, 16 de maio de 2014
Semana 8 + Resultado da semana 7 + Última semana da "Atividade Extra" de maio
Neocene II – nanoships [Semana 08]
Autor: Moonlance
Capítulo 06: Artifícios
Vicki Kirsken, a biologista, se dirigiu sozinha até o Planetário. Estava escuro e apenas a luz distante das estrelas através das grandes vidraças permitia observar uma forma humanoide que se debruçava sobre uma grande silhueta estática...
– Tess...? É você? – perguntou ela, naquele vasto salão.
– Hein...? Hein.....? – surpreendeu-se a figura (era Tess-Stella!), e depois disse: – Ahhh! É “só” você, Ahah! – disse ela com um longo sorriso estampado no rosto, mas também um certo alívio. – Sabe, eu não sei se eu mostro minha criação pra todo mundo!... Olha! Olha!! – insistia empolgada, fazendo um gesto que acendia uma foco de luz quente sobre a misteriosa construção.
Kirsken primeiro sobressaltou num leve arrepio, mas em seguida ficou bastante admirada! – Uau! Que enorme! e que bonito também! – lançou ela, e levou um pouco de tempo para ela começar a rodear contemplativamente o 'monstro' robótico de aspecto bio-mecânico que sua amiga tinha produzido com tanto ardor, do rascunho à obra final.
– Gostooou...??? – perguntou-lhe Tess-Stella um pouco inqueta, perdendo um pouco seu sorriso por um breve instante.
Mas, antes mesmo que Kirsken pudesse responder, alguém surge na sala dizendo, com uma voz baixinha porém relativamente clara, e delicada, mesmo com um timbre quase de contra-alto:
– Fascinante. – Era a voz da Comandante, a quantificista Rebecca Cosmos. Ela vinha a passos lentos, com as mãos atrás das costas, seu longuíssimo cabelo vermelho e liso se esparramando pelo chão atrás de si; seu olhar era profundo como as estrelas, mas era como o de alguém que vivia dentro de um universo paralelo, as pálpebras sempre lhe caindo naturalmente a mais da metade do caminho (óculos lhe cairíam bem, em termos de harmonia).
– Cosmos! – manifestou Kirsken ao tomar conhecimento da mais nova presença.
– Eu gostei. Muito. – ainda declarou calmamente Rebecca Cosmos, sobre a obra de Tess-Stella, a qual obviamente ficou orgulhosa e encabulada, rodopiando por aí sem saber o que dizer e rindo-se sozinha.
Kirsken ficou contente, mas achou curiosa a reação positiva da Comandante, pois cogitara primeiramente que, por ser biologista, ela teria a priori muito maior afinidade do que as demais colegas para fruir a obra integralmente, isto é, incluindo o fenótipo alienígena desconsertante dos designs biológicos exteriorizados pelo gênio da artista-engenheira. Mas Kirsken entendeu que tinha se enganado: além dela mesma, e da própria Tess-Stella é claro, havia aparentemente mais alguém ali com gosto especial para as formas mais bizarras inspiradas na natureza! Não era tão raro, mas Kirsken ficou se perguntando se Cosmos não iria dizer, antes de algum novo elogio, algo como: “Apesar de um pouco assustadora, a criatura bio-mecânica é...”. Mas na verdade, isso é o que ela mesma (Kirsken) desejava dizer, mas evidentemente que seria desprezível lançar tal observação psicológica para a autora, sua tão estimada amiga, já frustrada pela restrição de ir a Nova, a cidade-asteroide. “Por que a Polly teve que ser tão chata com ela...?” interrogou-se finalmente.
A nano-nave Neocene II derivava, relativamente silenciosa e ainda menos povoada, em torno de seu objetivo crescente.
Ir para o próximo capítulo de "Neocene II - nanoships"
Capítulo 06: Artifícios
Vicki Kirsken, a biologista, se dirigiu sozinha até o Planetário. Estava escuro e apenas a luz distante das estrelas através das grandes vidraças permitia observar uma forma humanoide que se debruçava sobre uma grande silhueta estática...
– Tess...? É você? – perguntou ela, naquele vasto salão.
– Hein...? Hein.....? – surpreendeu-se a figura (era Tess-Stella!), e depois disse: – Ahhh! É “só” você, Ahah! – disse ela com um longo sorriso estampado no rosto, mas também um certo alívio. – Sabe, eu não sei se eu mostro minha criação pra todo mundo!... Olha! Olha!! – insistia empolgada, fazendo um gesto que acendia uma foco de luz quente sobre a misteriosa construção.
Kirsken primeiro sobressaltou num leve arrepio, mas em seguida ficou bastante admirada! – Uau! Que enorme! e que bonito também! – lançou ela, e levou um pouco de tempo para ela começar a rodear contemplativamente o 'monstro' robótico de aspecto bio-mecânico que sua amiga tinha produzido com tanto ardor, do rascunho à obra final.
– Gostooou...??? – perguntou-lhe Tess-Stella um pouco inqueta, perdendo um pouco seu sorriso por um breve instante.
Mas, antes mesmo que Kirsken pudesse responder, alguém surge na sala dizendo, com uma voz baixinha porém relativamente clara, e delicada, mesmo com um timbre quase de contra-alto:
– Fascinante. – Era a voz da Comandante, a quantificista Rebecca Cosmos. Ela vinha a passos lentos, com as mãos atrás das costas, seu longuíssimo cabelo vermelho e liso se esparramando pelo chão atrás de si; seu olhar era profundo como as estrelas, mas era como o de alguém que vivia dentro de um universo paralelo, as pálpebras sempre lhe caindo naturalmente a mais da metade do caminho (óculos lhe cairíam bem, em termos de harmonia).
– Cosmos! – manifestou Kirsken ao tomar conhecimento da mais nova presença.
– Eu gostei. Muito. – ainda declarou calmamente Rebecca Cosmos, sobre a obra de Tess-Stella, a qual obviamente ficou orgulhosa e encabulada, rodopiando por aí sem saber o que dizer e rindo-se sozinha.
Kirsken ficou contente, mas achou curiosa a reação positiva da Comandante, pois cogitara primeiramente que, por ser biologista, ela teria a priori muito maior afinidade do que as demais colegas para fruir a obra integralmente, isto é, incluindo o fenótipo alienígena desconsertante dos designs biológicos exteriorizados pelo gênio da artista-engenheira. Mas Kirsken entendeu que tinha se enganado: além dela mesma, e da própria Tess-Stella é claro, havia aparentemente mais alguém ali com gosto especial para as formas mais bizarras inspiradas na natureza! Não era tão raro, mas Kirsken ficou se perguntando se Cosmos não iria dizer, antes de algum novo elogio, algo como: “Apesar de um pouco assustadora, a criatura bio-mecânica é...”. Mas na verdade, isso é o que ela mesma (Kirsken) desejava dizer, mas evidentemente que seria desprezível lançar tal observação psicológica para a autora, sua tão estimada amiga, já frustrada pela restrição de ir a Nova, a cidade-asteroide. “Por que a Polly teve que ser tão chata com ela...?” interrogou-se finalmente.
A nano-nave Neocene II derivava, relativamente silenciosa e ainda menos povoada, em torno de seu objetivo crescente.
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semana 08
Pepper & Donuts [Semana 08]
Autora: Adriana Yumi
Capítulo 08 - Donuts 8: Mudança
Capítulo 08 - Donuts 8: Mudança
O garoto que estava na porta na sala dos professores impressionou Misaki. Era alto, tinha cabelos cinza-prateados e olhos claros. Parecia um príncipe. A garota ficou encantada com a beleza e elegância do rapaz, até que se lembrou que era o garoto mais popular da outra sala, o qual sua amiga Kelly havia comentado uma vez. Akihiko levantou-se e foi em direção ao rapaz.
- Então, Abel. Ela está ocupada resolvendo umas burocracias do colégio. Se for muito urgente, eu a aviso pra vir te atender.
- Ah, era só pra tratar sobre a mudança de sala. Cheguei a conversar com ela ontem, mas eu queria saber se seria mesmo possível já que estamos no meio do semestre...
- Mudança de sala? Por quê? Aconteceu algo pra você querer sair da sala B?
- Ahn....bom, eu não gostaria de ter que comentar com o professor, mas...me sinto um pouco incomodado na sala.
- Ahh, entendi. Por causa das garotas?
- Er...sim.
- Bom, você sabe que mudando de sala não vai ajudar muito a resolver seu problema de popularidade, não é? Mas enfim, quem vai decidir isso é a diretora, não eu.
- Hehe, sei bem disso, professor. Enfim, outra hora eu converso com a diretora. E desculpe interromper a conversa.
Antes de sair da sala, Abel fitou Misaki e lhe deu um sorriso, que deixou a garota constrangida. Era a primeira vez que alguém dava um sorriso são formoso e gentil que Misaki não soube como responder. Akihiko notou a garota corar levemente, enquanto observava o príncipe ir em direção aos corredores, cercado novamente por suas admiradoras.
- Não vá se apaixonar por ele você também, hein? O Abel já tem uma fila imensa de garotas atrás dele.
- Ah! Claro que não, tio! Você acha que eu ligo pra essas coisas?!
- Garotas da sua idade gostam desse tipo de coisa...
- Hunf, mas eu não sou como elas e tô muito bem sem namorado nenhum, já vi o Masaki ter dor de cabeça com a ex-namorada dele ano passado e foi um saco.
Akihiko ri, como se tivesse previsto que a garota iria dizer aquilo. O rapaz volta a sentar-se na cadeira e substitui o ar descontraído pelo semblante sério que demonstrava antes de Abel interromper a conversa.
- Mas voltando ao assunto que ainda não acabei...Misaki, você sabe que me preocupo com você tanto quanto seus pais e seu irmão, não é? Afinal, você morou comigo um bom tempo, então é como se você fosse minha irmã na prática, apesar de sermos tio e sobrinha. Sei que meu irmão...digo, seu pai, é muito rígido com você, então qualquer problema, venha me procurar. Okay?
- Certo, tio...
- E por favor, reconsidere fazer as pazes com a Aiko.
- Vou pensar no caso...
Misaki deixou a sala dos professores com um misto de tristeza e indecisão.
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- Então, Abel. Ela está ocupada resolvendo umas burocracias do colégio. Se for muito urgente, eu a aviso pra vir te atender.
- Ah, era só pra tratar sobre a mudança de sala. Cheguei a conversar com ela ontem, mas eu queria saber se seria mesmo possível já que estamos no meio do semestre...
- Mudança de sala? Por quê? Aconteceu algo pra você querer sair da sala B?
- Ahn....bom, eu não gostaria de ter que comentar com o professor, mas...me sinto um pouco incomodado na sala.
- Ahh, entendi. Por causa das garotas?
- Er...sim.
- Bom, você sabe que mudando de sala não vai ajudar muito a resolver seu problema de popularidade, não é? Mas enfim, quem vai decidir isso é a diretora, não eu.
- Hehe, sei bem disso, professor. Enfim, outra hora eu converso com a diretora. E desculpe interromper a conversa.
Antes de sair da sala, Abel fitou Misaki e lhe deu um sorriso, que deixou a garota constrangida. Era a primeira vez que alguém dava um sorriso são formoso e gentil que Misaki não soube como responder. Akihiko notou a garota corar levemente, enquanto observava o príncipe ir em direção aos corredores, cercado novamente por suas admiradoras.
- Não vá se apaixonar por ele você também, hein? O Abel já tem uma fila imensa de garotas atrás dele.
- Ah! Claro que não, tio! Você acha que eu ligo pra essas coisas?!
- Garotas da sua idade gostam desse tipo de coisa...
- Hunf, mas eu não sou como elas e tô muito bem sem namorado nenhum, já vi o Masaki ter dor de cabeça com a ex-namorada dele ano passado e foi um saco.
Akihiko ri, como se tivesse previsto que a garota iria dizer aquilo. O rapaz volta a sentar-se na cadeira e substitui o ar descontraído pelo semblante sério que demonstrava antes de Abel interromper a conversa.
- Mas voltando ao assunto que ainda não acabei...Misaki, você sabe que me preocupo com você tanto quanto seus pais e seu irmão, não é? Afinal, você morou comigo um bom tempo, então é como se você fosse minha irmã na prática, apesar de sermos tio e sobrinha. Sei que meu irmão...digo, seu pai, é muito rígido com você, então qualquer problema, venha me procurar. Okay?
- Certo, tio...
- E por favor, reconsidere fazer as pazes com a Aiko.
- Vou pensar no caso...
Misaki deixou a sala dos professores com um misto de tristeza e indecisão.
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semana 08
Nave Fantasma [Semana 08]
Autor: Lucas Suwgamm
- Sem capítulo nesta semana -
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semana 08
Filho das Profundezas [Semana 08]
Autor: Marco Fischer
Parte VIII - Kanaloa
A onda gigante que atingiu a ilha pegou Violka de surpresa, e foi sentida até mesmo pelos nativos no interior. A capitã teve tempo apenas de proteger o rosto enquanto rolava pela areia, indo de encontro a uma palmeira contra a qual se chocou de costas. Passado o impacto, ela se sentou na areia com dificuldade e se viu coberta por algas e pequenos animais marinhos, que corriam assustados de volta para o mar.
Cuspindo a água salgada que engolira, ela começou a se limpar quando viu a coluna de fumaça da máquina submarina dos Arautos do Vapor subir das águas mais escuras onde estava o abismo das cascatas de areia. Levantou-se então para correr, mas suas costelas reclamaram com uma pontada de dor e ela caiu de joelhos. Foi então que avistou o Hummingbird vindo em seu socorro, flutuando nas ondas como um colibri.
O navio de velas púrpuras tinha uma estrutura pequena e delicada como o beija-flor a quem devia seu nome, mas era também incrivelmente rápido. Chuva de Outono o manobrava com habilidade, tirando o máximo de proveito das correntes de ar e aproveitando a leveza do barco para cruzar a grande onda com um movimento gracioso que o manteve ileso e inabalado.
Enquanto a tripulação de Violka se preparava para desembarcar, o garoto-peixe afundava cada vez mais junto com o aparato agora destruído. Quando finalmente conseguiu se libertar da garra de metal já estava bem abaixo da superfície, mas seu corpo estava perfeitamente adaptado para a pressão. Ele não entendia como conseguia alterar seu metabolismo tão rápido, assim como muitas outras coisas sobre si mesmo.
E não era hora para ficar pensando sobre isso. Estava outra vez em terreno hostil, e já sentia presenças ameaçadoras se aproximando. Vinham primeiro como uma vibração ruim que ele conseguia sentir na água, de forma parecida como um peixe sente a aproximação de um predador. Era algo imenso e antigo, que rastejava na escuridão mais abaixo entre as carcaças esquecidas e seres desconhecidos das fossas abissais.
Depois vinham as vozes. Sussurros telepáticos que tentavam enlouquecê-lo, balbuciando numa língua proibida em qualquer lugar tocado pela luz do sol. Um idioma profano e perturbador do qual ele pouco entendia, mas que com frequência repetia uma única palavra, se é que pudesse ser chamada assim.
“Y'ha-nthlei”
Sentindo o perigo cada vez mais perto, o Maleko disparou a nadar para a superfície, mas as sombras ao seu redor já se contorciam em formas terríveis e sinuosas. Ouvindo um barulho alto, ele olhou para baixo e na luz fosforescente distinguiu uma forma humana sendo arrancada de dentro do aparato submarino e puxada para as profundezas por um tentáculo que cintilava com um fraco brilho azul-elétrico.
O rapaz sabia que não havia tempo de fugir. Aquela não era uma besta irracional que poderia ser distraída pela estranha máquina, que só agora ele percebia ser pilotada por um infeliz humano. Era uma criatura perigosa e temida pelos nativos do arquipélago: um servo de Kanaloa, o Deus Polvo.
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Parte VIII - Kanaloa
A onda gigante que atingiu a ilha pegou Violka de surpresa, e foi sentida até mesmo pelos nativos no interior. A capitã teve tempo apenas de proteger o rosto enquanto rolava pela areia, indo de encontro a uma palmeira contra a qual se chocou de costas. Passado o impacto, ela se sentou na areia com dificuldade e se viu coberta por algas e pequenos animais marinhos, que corriam assustados de volta para o mar.
Cuspindo a água salgada que engolira, ela começou a se limpar quando viu a coluna de fumaça da máquina submarina dos Arautos do Vapor subir das águas mais escuras onde estava o abismo das cascatas de areia. Levantou-se então para correr, mas suas costelas reclamaram com uma pontada de dor e ela caiu de joelhos. Foi então que avistou o Hummingbird vindo em seu socorro, flutuando nas ondas como um colibri.
O navio de velas púrpuras tinha uma estrutura pequena e delicada como o beija-flor a quem devia seu nome, mas era também incrivelmente rápido. Chuva de Outono o manobrava com habilidade, tirando o máximo de proveito das correntes de ar e aproveitando a leveza do barco para cruzar a grande onda com um movimento gracioso que o manteve ileso e inabalado.
Enquanto a tripulação de Violka se preparava para desembarcar, o garoto-peixe afundava cada vez mais junto com o aparato agora destruído. Quando finalmente conseguiu se libertar da garra de metal já estava bem abaixo da superfície, mas seu corpo estava perfeitamente adaptado para a pressão. Ele não entendia como conseguia alterar seu metabolismo tão rápido, assim como muitas outras coisas sobre si mesmo.
E não era hora para ficar pensando sobre isso. Estava outra vez em terreno hostil, e já sentia presenças ameaçadoras se aproximando. Vinham primeiro como uma vibração ruim que ele conseguia sentir na água, de forma parecida como um peixe sente a aproximação de um predador. Era algo imenso e antigo, que rastejava na escuridão mais abaixo entre as carcaças esquecidas e seres desconhecidos das fossas abissais.
Depois vinham as vozes. Sussurros telepáticos que tentavam enlouquecê-lo, balbuciando numa língua proibida em qualquer lugar tocado pela luz do sol. Um idioma profano e perturbador do qual ele pouco entendia, mas que com frequência repetia uma única palavra, se é que pudesse ser chamada assim.
“Y'ha-nthlei”
Sentindo o perigo cada vez mais perto, o Maleko disparou a nadar para a superfície, mas as sombras ao seu redor já se contorciam em formas terríveis e sinuosas. Ouvindo um barulho alto, ele olhou para baixo e na luz fosforescente distinguiu uma forma humana sendo arrancada de dentro do aparato submarino e puxada para as profundezas por um tentáculo que cintilava com um fraco brilho azul-elétrico.
O rapaz sabia que não havia tempo de fugir. Aquela não era uma besta irracional que poderia ser distraída pela estranha máquina, que só agora ele percebia ser pilotada por um infeliz humano. Era uma criatura perigosa e temida pelos nativos do arquipélago: um servo de Kanaloa, o Deus Polvo.
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semana 08
Requiem [Semana 08]
Autora: Natalie Bear
Mandachuva
O Peru era um lugar de temperatura amena, bem diferente da terra árida da qual Lawrence provinha. Era a primeira vez que ele estava em um local assim, de ar tão úmido e agradável, mas isso não impedia de precisar usar o revolver colt que sempre trazia consigo preso na parte traseira de seu cinto, sob o casaco surrado e cinzento.
- Você é louco sacando um revolver no meio da cidade? - o homem de chapéu, logo a frente, reclamou, fazendo uma careta descontente e irritada ao ver o cano metálico da arma apontada para si.
- Só quando me ameaçam. - largou a maleta da moça que carregava consigo.
O sujeito ao fundo guardou a faca, nada contente com aquela ameaça, desferindo um olhar devastador sobre o homem que empunhava a pistola.
- Júlio, não vamos continuar com isso… Não sabendo que esse homem porta uma arma. Podiam ter nos avisado. - o homem loiro com o chapéu grunhiu, dando passos na direção do companheiro sem desviar os olhos de Lawrence e sua arma.
- Tsc. Da próxima viremos preparados para enfrentar um homem armado. - pronunciou-se venenosamente aquele chamado Júlio, de cabelos escuros e pele morena, além de um sotaque incomum, estampando um sorriso psicótico nos lábios enquanto os dois afastavam-se o suficiente para desaparecer na esquina.
Ao perceber que não corria mais risco de ataque dos malfeitores, Lawrence respirou fundo e guardou a arma, incomodado por não passarem de mais homens contratados para seguirem aquela moça problemática. Acreditava que algum desses meliantes fora responsável pelo sumiço de Rebeca, mas era óbvio que o que escondia naquela bolsa, o tal “espelho” que lhe interessavam.
Ele recuperou a maleta que tinha deixado de lado e assoviou, chamando a atenção do cão e lhe deixando em alerta.
- Encontre. - ordenou com um gesto e Xerife voltou ao trabalho que estava fazendo antes.
- O senhor não pode me manter presa aqui! - Rebeca reclamou. ainda tentando soltar os pulsos unidos e amarrados nas costas da cadeira de madeira em que estava - É bem desconfortável. - resmungou - Afinal, o que o senhor está fazendo aqui? O que EU estou fazendo aqui, senhor Levine?
- Nós sabemos o que você está portando, senhorita Rebeca, é perigoso para uma moça indefesa como você andar sozinha pelo Peru para resgatar o pai. - pigarreou o homem de idade, sentando-se sobre um barril para conversar com ela, coçando a barba ao observa-la mais de perto - Quero lhe ajudar.
- Me sequestrar, prender em uma cadeira, em um porão, me fazendo perder a bagagem onde o item estava, não é exatamente uma forma de ajudar. - ela o fitou de forma séria, desafiadora e, ao mesmo tempo, desconfiada.
- Tem toda a razão, senhorita. Mesmo assim é o modo mais seguro. Seu pai deveria ter pensado melhor nisso antes de se isolar e acabar deste modo, colocando a vida de sua filha em perigo. Vergonhoso. - meneou a cabeça negativamente.
Ir para o próximo capítulo de "Requiem"
Mandachuva
O Peru era um lugar de temperatura amena, bem diferente da terra árida da qual Lawrence provinha. Era a primeira vez que ele estava em um local assim, de ar tão úmido e agradável, mas isso não impedia de precisar usar o revolver colt que sempre trazia consigo preso na parte traseira de seu cinto, sob o casaco surrado e cinzento.
- Você é louco sacando um revolver no meio da cidade? - o homem de chapéu, logo a frente, reclamou, fazendo uma careta descontente e irritada ao ver o cano metálico da arma apontada para si.
- Só quando me ameaçam. - largou a maleta da moça que carregava consigo.
O sujeito ao fundo guardou a faca, nada contente com aquela ameaça, desferindo um olhar devastador sobre o homem que empunhava a pistola.
- Júlio, não vamos continuar com isso… Não sabendo que esse homem porta uma arma. Podiam ter nos avisado. - o homem loiro com o chapéu grunhiu, dando passos na direção do companheiro sem desviar os olhos de Lawrence e sua arma.
- Tsc. Da próxima viremos preparados para enfrentar um homem armado. - pronunciou-se venenosamente aquele chamado Júlio, de cabelos escuros e pele morena, além de um sotaque incomum, estampando um sorriso psicótico nos lábios enquanto os dois afastavam-se o suficiente para desaparecer na esquina.
Ao perceber que não corria mais risco de ataque dos malfeitores, Lawrence respirou fundo e guardou a arma, incomodado por não passarem de mais homens contratados para seguirem aquela moça problemática. Acreditava que algum desses meliantes fora responsável pelo sumiço de Rebeca, mas era óbvio que o que escondia naquela bolsa, o tal “espelho” que lhe interessavam.
Ele recuperou a maleta que tinha deixado de lado e assoviou, chamando a atenção do cão e lhe deixando em alerta.
- Encontre. - ordenou com um gesto e Xerife voltou ao trabalho que estava fazendo antes.
***
- O senhor não pode me manter presa aqui! - Rebeca reclamou. ainda tentando soltar os pulsos unidos e amarrados nas costas da cadeira de madeira em que estava - É bem desconfortável. - resmungou - Afinal, o que o senhor está fazendo aqui? O que EU estou fazendo aqui, senhor Levine?
- Nós sabemos o que você está portando, senhorita Rebeca, é perigoso para uma moça indefesa como você andar sozinha pelo Peru para resgatar o pai. - pigarreou o homem de idade, sentando-se sobre um barril para conversar com ela, coçando a barba ao observa-la mais de perto - Quero lhe ajudar.
- Me sequestrar, prender em uma cadeira, em um porão, me fazendo perder a bagagem onde o item estava, não é exatamente uma forma de ajudar. - ela o fitou de forma séria, desafiadora e, ao mesmo tempo, desconfiada.
- Tem toda a razão, senhorita. Mesmo assim é o modo mais seguro. Seu pai deveria ter pensado melhor nisso antes de se isolar e acabar deste modo, colocando a vida de sua filha em perigo. Vergonhoso. - meneou a cabeça negativamente.
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Wild Hunt [Semana 08]
Autor: Marlon Kalango
Capítulo 8: O próximo passo.
Capítulo 8: O próximo passo.
Arawn Phelan, o nome oculto em meu sonho. Era ele quem eu via em meio aquela nevasca? Era por ele a quem eu chamava sem conseguir exprimir minha voz? Eu estava atônito e confuso. Talvez minha jornada ainda estivesse longe de terminar. Arawn era um Norn, e vindo das Montanhas Shiverpeaks, não era surpresa o clima gelado. E essa foi, talvez, minha dica para o que poderia vir a seguir. Passei mais dois dias me recuperando, e apressei minha saída do hospital. O Cervo Branco agora residia no Bosque, sob os cuidados da Mãe Árvore. E foi até ela que fui assim que pude me por firme em pé.
Cheguei ate a parte mais alta de nossa cidade arbórea, e me deixei banhar pela luz morna e acolhedora, tando da Árvore Pálida, quanto do Cervo, que estava a seu lado. Aproximei-me, e o animal veio até mim. Estendi minha mão, e ele inclinou-se para o carinho, sereno e em paz.
-Ah, minha criança! -A Mãe disse, e eu estava prestes a me ajoelhar, com dificuldade, quando ela me parou, tocando-me o rosto. - Não, não há necessidade disto. Você ainda sofre por seu ferimento, e eu quero o bem de meus filhos. Foi um grande feito ter salvo o Cervo, Etherdry. Toda a floresta de Caledon está em débito com você, e eu não poderia estar mais orgulhosa.
-Apenas cumpri minha jornada, Abençoada Mãe. E – suspirei fundo - minha wild hunt parece estar longe de terminar.
-Duvida permeia seu semblante, jovem. Isto tem haver com o Norn, eu assumo.
-Sim. Ao encontrá-lo, eu lembrei de fragmentos obscuros do meu Sonho. E, sinto que meu próximo passo é seguir com ele em jornada, até as gélidas montanhas ao leste. O que pode significar isto, Mãe? O quão longe seus galhos alcançam o Sonho?
-Filho, eu não controlo o Sonho. Sou tão somente sua guardiã, neste e naquele mundo. O que ele significa, apenas você pode desvesdar. Mas saiba isto, para seu próximo passo, deve-se fazer pressa. O Necromante parte de nossas terras hoje ao final da tarde.
-Entendo. Então, partirei com ele. Devo me preparar agora. -Fiz uma reverencia, e ela beijou minha testa. Senti-me invadido por um sentimento de amor, segurança, e subitamente, toda minha dor desapareceu.
-Tens minha benção, meu valente filho. Que os bons ventos o levem em segurança, e o tragam de volta para nós.
Despedi-me dela e do Cervo, e segui meu caminho. Peguei suprimentos, uma roupa de pele de animais (para o frio) e me dirigi aos limites da cidade. A tarde ia chegando ao fim, e não demorou muito até aquela figura gigantesca passar por mim.
-Oh, que grata visão os espíritos me concedem. Veio se despedir de mim, amigo?
-Mais que isso, Arawn – o olhei com um sorriso. - Vou seguir com você, se me permitir.
-Oh! -Ele deu um sorriso, e passou adiante.- Os espíritos são bons comigo. Adiante, então. Temos um longo caminho pela frente.
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Cheguei ate a parte mais alta de nossa cidade arbórea, e me deixei banhar pela luz morna e acolhedora, tando da Árvore Pálida, quanto do Cervo, que estava a seu lado. Aproximei-me, e o animal veio até mim. Estendi minha mão, e ele inclinou-se para o carinho, sereno e em paz.
-Ah, minha criança! -A Mãe disse, e eu estava prestes a me ajoelhar, com dificuldade, quando ela me parou, tocando-me o rosto. - Não, não há necessidade disto. Você ainda sofre por seu ferimento, e eu quero o bem de meus filhos. Foi um grande feito ter salvo o Cervo, Etherdry. Toda a floresta de Caledon está em débito com você, e eu não poderia estar mais orgulhosa.
-Apenas cumpri minha jornada, Abençoada Mãe. E – suspirei fundo - minha wild hunt parece estar longe de terminar.
-Duvida permeia seu semblante, jovem. Isto tem haver com o Norn, eu assumo.
-Sim. Ao encontrá-lo, eu lembrei de fragmentos obscuros do meu Sonho. E, sinto que meu próximo passo é seguir com ele em jornada, até as gélidas montanhas ao leste. O que pode significar isto, Mãe? O quão longe seus galhos alcançam o Sonho?
-Filho, eu não controlo o Sonho. Sou tão somente sua guardiã, neste e naquele mundo. O que ele significa, apenas você pode desvesdar. Mas saiba isto, para seu próximo passo, deve-se fazer pressa. O Necromante parte de nossas terras hoje ao final da tarde.
-Entendo. Então, partirei com ele. Devo me preparar agora. -Fiz uma reverencia, e ela beijou minha testa. Senti-me invadido por um sentimento de amor, segurança, e subitamente, toda minha dor desapareceu.
-Tens minha benção, meu valente filho. Que os bons ventos o levem em segurança, e o tragam de volta para nós.
Despedi-me dela e do Cervo, e segui meu caminho. Peguei suprimentos, uma roupa de pele de animais (para o frio) e me dirigi aos limites da cidade. A tarde ia chegando ao fim, e não demorou muito até aquela figura gigantesca passar por mim.
-Oh, que grata visão os espíritos me concedem. Veio se despedir de mim, amigo?
-Mais que isso, Arawn – o olhei com um sorriso. - Vou seguir com você, se me permitir.
-Oh! -Ele deu um sorriso, e passou adiante.- Os espíritos são bons comigo. Adiante, então. Temos um longo caminho pela frente.
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Wild Hunt
“SentiMente” [Semana 08]
Autora: Silvia Verlene
Repentino...
Este foi o modo como fui retirado da prisão de meu algoz, abordado por braços e garras metálicas flutuantes, tocando-me em todos os pontos de meu corpo, injetando-me diretamente algo quente e posteriormente gélido, queimando minhas entranhas e não me dando nem mesmo tempo de sentir as perfurações. Apenas lembro de gritar e me mover freneticamente, numa tentativa vã de me soltar daquelas coisas. Que agonia!
Em meio a isto, apenas consigo vislumbrar um pouco – quase nada, na verdade- do local atual: enormes salões de metal cristalino, com poucas superfícies disformes; ciborgans inacreditavelmente mais carne do que metal, ao menos aparentemente; imagens flutuantes de vários lugares, como se fossem olhos planos do mundo lá fora, seja lá qual for ou aonde estejamos...
Mal me situo e já não sinto mais meu corpo, apenas entendo estar suspenso por finos feixes de luzes ortocromáticas, envolvendo minha pele, iluminando minhas veias e todo o meu planejamento natural. Sinto-me uma cobaia novamente, uma viva que consegue ver o que se passa consigo, conhecendo, literalmente, seu próprio interior.
Não há sensação, apenas sei que enxergo e respiro, o que indica que o ar aqui é propício à minha natureza. Cobaia de novo, apesar de, dessa vez, estar sendo interessante... Só não sei por quanto tempo!
Em meio a essa nova percepção, é muito interessante observar-me por dentro de maneira literal, vendo cada veia, artéria, nervo, músculo, osso, órgão... Chega a ser belo ver quanto de humano eu tenho e isso me deixa bastante orgulhoso, com uma crescente e contínua certeza de que não sou um deles... Aind... Ah! Espanto esse pessimismo para não estragar o momento. Devo aproveitar aquilo que sou, percebendo-me mais e mais, mesmo que nessa situação de cobaia!
Os feixes diminuem sua frequência de movimentos, mantendo-se, alguns, em partes variadas de meu corpo, enquanto outros deslizam para minha cabeça nua de cabelos e desprotegida da gaze epitelial retirada por nosso capturador. Destes, uma minoria se instaura no ponto em que há a entrada para os implantes... Fico apreensivo, porém não sinto nada. Logo em seguida, as demais posicionam-se à frente de meus olhos, como que se também me observassem, encarando-me... Estranho pensar assim, essas coisas são apenas luzes... Ou será que não?
Fico um tanto desconfiado e desvio o olhar para a esquerda no que mal o faço, já as sinto adentrando meus globos oculares, cegando-me. No mesmo instante, meu corpo até então inativo, estremece, mexendo-se involuntariamente, à medida que começo a fazer gestos e movimentos inicialmente abruptos como o de uma marionete, os quais se estabilizam em seguida. Minha visão começa a retornar, enquanto, gradativamente, sinto meu corpo posicionar-se de pé no chão morno. Após muito piscar, vou delineando uma imagem local em meio ao embaçado, algo ainda disforme, mas que ganha estabilidade com alguns segundos. Assusto-me ao ver um ser desnudo, com luzes variadas percorrendo seu corpo de criança e uma voz que fala:
“Bem-vindo, Matriz Zero!”
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Repentino...
Este foi o modo como fui retirado da prisão de meu algoz, abordado por braços e garras metálicas flutuantes, tocando-me em todos os pontos de meu corpo, injetando-me diretamente algo quente e posteriormente gélido, queimando minhas entranhas e não me dando nem mesmo tempo de sentir as perfurações. Apenas lembro de gritar e me mover freneticamente, numa tentativa vã de me soltar daquelas coisas. Que agonia!
Em meio a isto, apenas consigo vislumbrar um pouco – quase nada, na verdade- do local atual: enormes salões de metal cristalino, com poucas superfícies disformes; ciborgans inacreditavelmente mais carne do que metal, ao menos aparentemente; imagens flutuantes de vários lugares, como se fossem olhos planos do mundo lá fora, seja lá qual for ou aonde estejamos...
Mal me situo e já não sinto mais meu corpo, apenas entendo estar suspenso por finos feixes de luzes ortocromáticas, envolvendo minha pele, iluminando minhas veias e todo o meu planejamento natural. Sinto-me uma cobaia novamente, uma viva que consegue ver o que se passa consigo, conhecendo, literalmente, seu próprio interior.
Não há sensação, apenas sei que enxergo e respiro, o que indica que o ar aqui é propício à minha natureza. Cobaia de novo, apesar de, dessa vez, estar sendo interessante... Só não sei por quanto tempo!
Em meio a essa nova percepção, é muito interessante observar-me por dentro de maneira literal, vendo cada veia, artéria, nervo, músculo, osso, órgão... Chega a ser belo ver quanto de humano eu tenho e isso me deixa bastante orgulhoso, com uma crescente e contínua certeza de que não sou um deles... Aind... Ah! Espanto esse pessimismo para não estragar o momento. Devo aproveitar aquilo que sou, percebendo-me mais e mais, mesmo que nessa situação de cobaia!
Os feixes diminuem sua frequência de movimentos, mantendo-se, alguns, em partes variadas de meu corpo, enquanto outros deslizam para minha cabeça nua de cabelos e desprotegida da gaze epitelial retirada por nosso capturador. Destes, uma minoria se instaura no ponto em que há a entrada para os implantes... Fico apreensivo, porém não sinto nada. Logo em seguida, as demais posicionam-se à frente de meus olhos, como que se também me observassem, encarando-me... Estranho pensar assim, essas coisas são apenas luzes... Ou será que não?
Fico um tanto desconfiado e desvio o olhar para a esquerda no que mal o faço, já as sinto adentrando meus globos oculares, cegando-me. No mesmo instante, meu corpo até então inativo, estremece, mexendo-se involuntariamente, à medida que começo a fazer gestos e movimentos inicialmente abruptos como o de uma marionete, os quais se estabilizam em seguida. Minha visão começa a retornar, enquanto, gradativamente, sinto meu corpo posicionar-se de pé no chão morno. Após muito piscar, vou delineando uma imagem local em meio ao embaçado, algo ainda disforme, mas que ganha estabilidade com alguns segundos. Assusto-me ao ver um ser desnudo, com luzes variadas percorrendo seu corpo de criança e uma voz que fala:
“Bem-vindo, Matriz Zero!”
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Contos do Amante da Morte [Semana 08]
Autora: Mari-Youko-Sama
Capítulo 07 – Trilha sem volta.
O frio perde força à medida que a primavera se antecipa, as figueiras deixam as finas camadas brancas se esvaírem por seus galhos à medida que novos brotos começam a se formar. A neblina matinal que recobre as colinas de plantio segue lentamente como uma procissão dos mortos do inverno e poucas pessoas vivas caminham de volta ao seu trabalho nas lavouras.
Marcos agora seguia por entre as trilhas abertas na mata por ele mesmo em dias passados, aos seus pés, o lince Lirou se entretinha com algum inseto que saia de sua hibernação. Marcos abriu um singelo sorriso ao ver o animal não mais tão pequeno saltando e correndo. Subitamente o lince parou, erguendo as orelhas em sinal de atenção, os pelos de seu corpo ouriçaram em um grunhido hostil. Marcos focou sua atenção e logo pôde ouvir passos pesados se aproximando, um pequeno grupo de três ou cinco pessoas provavelmente.
Ele se esgueirou da trilha para a floresta, escondendo-se entre raízes recobertas de musgo e arbustos de amoras que se recuperavam do inverno. Lirou o seguiu e manteve apenas as orelhas de pelo escuro erguidas. Não demorou muito para que três homens adultos, vestidos em cotas de malha e portando espadas na cintura, seguissem pela trilha. Dois deles tinham a pele clara e cabelos escuros, o que significava que eram da região, no entanto, o terceiro tinha o cabelo castanho avermelhado, o que indicava que vinha do extremo norte do continente Rubro.
Marcos não era um ladrão, mas em seu íntimo sabia que precisava se esconder e quando fitou o rosto duro e escuro daquele ruivo, sabia que tinha feito certo em seguir seus instintos:
– Será um grande problema, senhor. – o mais baixo, que caminhava um passo atrás de todos, reclamou. – Não sobraram muitos homens úteis nesses vilarejos.
– Soube do templo que 2/3 das pessoas da região morreram por causa da peste – um dos homens, que não tinha um olho, completou.
– Não é a toa que o Infante deste cerco regional pediu auxílio ao nosso senhor – retrucou o mais baixo – se não tivermos homens para recrutar desse cerco, o esforço não terá valido a pena.
O ruivo parou e por longos minutos observou em volta, Marcos sentia todo o sangue gelar, embora seu coração pudesse ser sentido na garganta. Os outros dois homens repetiram o gesto de seu líder em observar, mas nada avistaram, até que o homem caolho finalmente se pronunciou:
– Então, o que faremos, senhor Solomon? – Dirigiu-se ao ruivo.
– Temos uma ordem. – a voz era rouca e dura, como a face do sujeito. – Todos os homens com idade serão recrutados, isso não é uma escolha, os que não forem são apenas desertores, o sangue dos Regentes mostrou-se fraco perante a peste, então o que nos resta é a guerra.
O ruivo Solomon voltou a caminhar pela trilha, seguido de perto pelos outros dois homens em direção ao vilarejo.
“A guerra… glorioso derramamento de sangue, onde nenhum dos lados está certo e nenhum dos lados vence!”
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Capítulo 07 – Trilha sem volta.
O frio perde força à medida que a primavera se antecipa, as figueiras deixam as finas camadas brancas se esvaírem por seus galhos à medida que novos brotos começam a se formar. A neblina matinal que recobre as colinas de plantio segue lentamente como uma procissão dos mortos do inverno e poucas pessoas vivas caminham de volta ao seu trabalho nas lavouras.
Marcos agora seguia por entre as trilhas abertas na mata por ele mesmo em dias passados, aos seus pés, o lince Lirou se entretinha com algum inseto que saia de sua hibernação. Marcos abriu um singelo sorriso ao ver o animal não mais tão pequeno saltando e correndo. Subitamente o lince parou, erguendo as orelhas em sinal de atenção, os pelos de seu corpo ouriçaram em um grunhido hostil. Marcos focou sua atenção e logo pôde ouvir passos pesados se aproximando, um pequeno grupo de três ou cinco pessoas provavelmente.
Ele se esgueirou da trilha para a floresta, escondendo-se entre raízes recobertas de musgo e arbustos de amoras que se recuperavam do inverno. Lirou o seguiu e manteve apenas as orelhas de pelo escuro erguidas. Não demorou muito para que três homens adultos, vestidos em cotas de malha e portando espadas na cintura, seguissem pela trilha. Dois deles tinham a pele clara e cabelos escuros, o que significava que eram da região, no entanto, o terceiro tinha o cabelo castanho avermelhado, o que indicava que vinha do extremo norte do continente Rubro.
Marcos não era um ladrão, mas em seu íntimo sabia que precisava se esconder e quando fitou o rosto duro e escuro daquele ruivo, sabia que tinha feito certo em seguir seus instintos:
– Será um grande problema, senhor. – o mais baixo, que caminhava um passo atrás de todos, reclamou. – Não sobraram muitos homens úteis nesses vilarejos.
– Soube do templo que 2/3 das pessoas da região morreram por causa da peste – um dos homens, que não tinha um olho, completou.
– Não é a toa que o Infante deste cerco regional pediu auxílio ao nosso senhor – retrucou o mais baixo – se não tivermos homens para recrutar desse cerco, o esforço não terá valido a pena.
O ruivo parou e por longos minutos observou em volta, Marcos sentia todo o sangue gelar, embora seu coração pudesse ser sentido na garganta. Os outros dois homens repetiram o gesto de seu líder em observar, mas nada avistaram, até que o homem caolho finalmente se pronunciou:
– Então, o que faremos, senhor Solomon? – Dirigiu-se ao ruivo.
– Temos uma ordem. – a voz era rouca e dura, como a face do sujeito. – Todos os homens com idade serão recrutados, isso não é uma escolha, os que não forem são apenas desertores, o sangue dos Regentes mostrou-se fraco perante a peste, então o que nos resta é a guerra.
O ruivo Solomon voltou a caminhar pela trilha, seguido de perto pelos outros dois homens em direção ao vilarejo.
“A guerra… glorioso derramamento de sangue, onde nenhum dos lados está certo e nenhum dos lados vence!”
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